A máfia da blogosfera
03
Nov 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 08:39link do post | comentar
Dá gosto ver os políticos preocupados com as coisas práticas da vida. Viva o magalhães!


01
Nov 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 09:32link do post | comentar | ver comentários (2)
Muita gente anda a falar da manifestação nacional dos professores de dia 8. Mas há uma greve/manifestação que vem antes, dia 5 e da qual ninguém fala. É a manifestação dos alunos contra o novo regime de faltas presente no novo Estatuto do Aluno. Profissionais organizados através de instituições sindicais para se manifestar é usual, mas alunos sem qualquer tipo de sindicato organizarem-se por livre e expontânea vontade para protestar contra aquilo que acham ser injusto e quase criminoso mostra que algo vai mal por esses recreios.

17
Out 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 12:36link do post | comentar | ver comentários (2)
Eu acho que comentários não são necessários, vejam apenas este vídeo de uma formação do Magalhães. (Agora que penso nisto, não é errado um professor usar o telemóvel numa formação?!)


14
Out 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 17:17link do post | comentar | ver comentários (2)
Sempre achei que os estudantes, principalmente aqueles que estão no básico e no secundário, são cidadãos sem voz. Por falta de vontade e de capacidade, não lutam muitas vezes pelos seus direitos e como a maioria dos pais estam alheados daquilo que são as coisas "internas" das escolas, estes jovens acabam por "comer o que lhes dão". Existe uma federação nacional de alunos que nem se ouviu na questão do Estatuto do Aluno e a maior defesa dos alunos nesta questão foi feita pelos próprios professores que em tudo isto só teriam a complicação de fazer um teste, no meio das dezenas de testes que têm de fazer durante o ano. Não pode ser.
O novo estatuto do aluno é simplesmente inaceitável na questão das faltas. Um aluno que esteja em casa doente tem faltas iguais às de um aluno que esteja na rua a roubar. Não existe pura e simplesmente qualquer tipo de distinção. Um aluno que tenha sido operado a uma qualquer coisa e tenha de ficar um mês a recuperar fica em excesso grave de faltas e em risco de chumbar o ano. Absurdo. Nem os trabalhadores têm situação igual, dado que em determinadas situações como doença ou nojo têm as faltas justificadas e os dias de trabalho pagos. A situação piora pelo facto de estarmos a falar de crianças e jovens. Qual é a ideia com que um jovem vai ficar se simplesmente o chumbarem por ter sido atropelado? Injustiça é eufemismo. Um jovem que supostamente se quer protegido pelo estado e pela família vai sentir que se estão nas tintas para ele, o que irá, muito provavelmente, alimentar sentimentos de revolta em relação ao establishment. Apesar de achar que a ideia faz algum sentido na base, isto é, um aluno passa se souber, nem tudo é linear e às vezes boas intenções dão merda.

06
Out 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 21:14link do post | comentar | ver comentários (2)
O Rodrigo Moita de Deus, do 31 da Armada, escreveu para um blogue do PSD um texto sobre educação. Neste texto, de uma forma muito resumida, RMD culpa os professores pelo mau ensino praticado em Portugal. Existem algumas coisas em que tem razão, mas peca por exagerar.
É verdade que durante muitos anos em Portugal, principalmente nos primórdios da Educação Universal, se viveu um período de extrema carência de professores que permitia que pessoas com o ensino secundário pudessem dar aulas. Essas pessoas que entraram para "tapar buracos" por lá ficaram e hoje em dia, muitos dos professores mais "antigos" são dessa geração, da geração em que se era professor por ser, por oportunidade, por ocasião. Desse grupo de professores cuja idade lhes permite ver a reforma num horizonte próximo muitos há que foram para o ensino por, pura e simplesmente, ser uma profissão com emprego garantido, não por vocação propriamente dita. Mas também é verdade que tudo isso mudou. Hoje em dia já não existe o culto do "Sr. Professor", o que faz com que já ninguém vá para docente em busca de prestígio e reconhecimento. Por outro lado, a oferta é tanta que o mais provável é ir parar ao desemprego, o que afasta muitos potenciais candidatos. Ou seja, neste momento só estuda para professor quem efectivamente quer ser professor. Mas isto é apenas um ponto da vasta argumentação de RMD.
Bons e maus profissionais há em todas as profissões, é um facto inquestionável e nem vale muito a pena debruçarmo-nos sobre este tópico. O que é importante é não fazer o que muitos fazem e pegar numa parte para avaliar o todo.
RMD fala também na questão de os professores competirem com as playstations. Não vou ser atado, perdoem-me a expressão, ao ponto de levar a coisa à letra. É óbvio que foi escrito em tom de graçola de oportunidade, no entanto, há que dizer que se os alunos dão mais importância à playstation que aos professores isso acontece por dois motivos: desinteresse dos alunos e desinteresse dos pais, nunca por falta de atractividade por parte do professor.
Por fim RMD toca num ponto importante: o das manifestações (ou manifs, diz que é moderno dizer assim) e da reinvidicação de direitos por parte da "corporação" dos professores. O autor que se auto-apelida de "Escritor" escreve:

"Porque estão mais preocupados com os seus “direitos adquiridos” que com os miúdos que deviam estar a ensinar. Sim. No meio de todas estas guerras e guerrinhas os alunos e o seu direito a um ensino de qualidade é a última das preocupações.

Penso que isto é um argumento vazio: os professores não são mártires, podem adorar ensinar, mas não têm de abdicar dos direitos que têm (apesar de, pessoalmente, achar alguns absurdos) por causa dos meninos. Têm, como todo o cidadão, o direito a zelar pelos seus interesses.
Apesar de todos estes pontos, concordo numa coisa com RMD, tem de se analisar as questões de fundo e essas são as relativas à educação vinda de casa e à forma como é encarada a Escola em Portugal por parte da maior parte das famílias: um atelier de tempos livres para os adolescentes cheios de hormonas saltitantes. Quando se perceber que esta é a verdadeira base do problema, aí sim, será produtivo dissertar à grande em blogues de nomes pomposos. Até lá, não.

24
Set 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 15:35link do post | comentar | ver comentários (2)
Uma coisa que me incomoda num governo é quando este não tem uma estratégia. Incomoda-me muito mais ver um país inteiro sem estratégia. E é assim que vai o nosso há mais de trinta anos. Não existem metas, não existem horizontes, não existem ideias. A governação trata-se tão-só da resolução dos problemas do dia-a-dia. Vem um dinheirito da UE? Vamos ali ao centro comercial ver onde o gastar! E assim se gastam largas somas de dinheiro em aeroportos, em estradas, em planos tecnológicos da treta. Assim se manda dinheiro ao lixo. O problema é que nunca passou por S. Bento alguém que soubesse o que devia fazer. Isto surgiu-me entre outras coisas por causa do programa e-escola/e-escolinha.
Há uns meses atrás alguém no Ministério da Educação teve a feliz ideia de criar um programa super inovador que permitisse aos jovens do 10º ano adquirir um computador "low cost" com desconto no serviço de Internet móvel. Na altura pareceu-me bem, no secundário é fundamental a utilização de computador e se o governo conseguia "arranjar" tais preços, porque não? Depois alargou-se o programa a todo o secundário. Nada de mal a dizer, aliás, ser apenas para o 10º ano deixava toda a gente a pensar "porque raio é que os de 11º não podem?". Depois veio o Carnaval. De um momento para o outro, não só o e-escola se tinha alargado ao ensino preparatório como se tinha criado um e-escolinha para o ensino primário. Campanhas de propaganda e divulgação. "Portugal, Portugal, entrámos finalmente no século XXI!".
Eu não sei se a atribuição de tais computadores foi uma coisa boa ou má. A questão é outra. Este programa vai envolver muitos meios que vão ser fornecidos pelo amável contribuinte (directa ou indirectamente, porque o dinheiro da UE vem, pasmem-se, do IVA pago em todos os países europeus, entre mais outras fontes), logo, é muito sério o que se está a fazer. Está a utilizar-se uma larga quantia de dinheiro num projecto e a não gastar essa quantia noutros, o que implica que o primeiro seja melhor que os outros. O grande problema, como sempre, é que ninguém sabe se o projecto é ou não melhor e isto deve-se ao facto de não ter havido a possibilidade de avaliar a medida. Quando o computador estava disponível apenas no secundário, devia ter-se parado por aí, de modo a analisar como é que o sucesso e a aprendizagem evoluíam: "será que os computadores novos vieram melhorar o estudo dos alunos portugueses?" seria a questão a colocar passados alguns anos de e-escola. Se a tal pergunta a resposta fosse "sim", então, avançar-se-ia para uma nova fase, em que o programa se alargaria ao ensino preparatório e por aí em diante. Se a tal pergunta a resposta fosse "não", então, o programa acabava e utilizavam-se os recursos para outras coisas.
Com toda esta história dos computadores só me vejo a pensar, será que a escola pública portuguesa já está boa o suficiente para irmos para esse patamar? Será que já existem nas escolas os "bens essenciais" para nos lançarmos a comprar os "bens supérfluos". Será que faz sentido comprar o perfume sem ter o sabonete?

16
Set 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 15:46link do post | comentar
Anda a ser muito discutida a transferência de algumas competências do Ministério da Educação para as autarquias. Eu acho muito bem que isto avance. Uma gestão descentralizada é, regra geral, melhor que uma centralizada, pelo que legar algumas competências ao poder autárquico só pode trazer benefícios. Claro está que estas competências não podem ser exageradas, devendo resumir-se àquilo que as autarquias conseguem fazer, isto é, gestão das existências (giz, papel higiénico, e essas coisas) e gestão do pessoal não-docente. Numa fase mais avançada de descentralização, vejo as Direcções Regionais de Educação subdividirem-se para fazer entrevistas a todos e a cada um dos candidatos a um lugar como docente, tal como acontece em qualquer lado onde se pretenda bons resultados.

14
Set 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 16:03link do post | comentar
Comprei a revista Sábado há pouco por causa de um artigo que me chamou a atenção: "Como os manuais escolares deturpam factos históricos". Quando li o artigo de cinco páginas não pude deixar de ficar francamente preocupado com aquilo que anda a ser ensinado nas escolas. Para dar alguns exemplos, alguns livros de História de 9º e 12º ano dizem explicitamente que o maccarthismo é comparável ao estalinismo, que os EUA regem-se pelo unilateralismo violento e criam cisões no mundo ocidental, que a Revolução Cultural chinesa teve poucos ou nenhuns mortos, que a globalização veio converter o mundo num "vasto casino, onde as mesas estão repartidas em todas as longitudes e latitudes", assumindo, portanto, as ideias de Maurice Allais; que Fidel Castro não queria o socialismo para Cuba, apenas seguiu esse caminho por causa do bloqueio americano e mais algumas pérolas daquilo a que se pode chamar impor as ideologias privadas dos autores dos livros aos indefesos estudantes que apenas aprendem o que se lhes ensina. Para desmascarar estas enormidades foram convidados pela Sábado alguns profissionais da coisa, entre os quais Maria Filomena Mónica e Luís Aguiar-Conraria que através dos comentários fizeram transparecer a incredulidade que sentiam no momento. É assim que o nosso ensino vai melhorando, autorizando-se livros com cargas ideológicas fortíssimas para serem adoptados nas escolas públicas.

*Título gentilmente cedido pelo JPP.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 10:00link do post | comentar
Saíram hoje os acessos ao ensino superior. Não há surpresas: todos os cursos cujo exame de admissão é matemática aumentaram a média exponencialmente. Tal como eu havia dito aqui. A lista de acessos para consultar aqui.

09
Set 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 10:15link do post | comentar | ver comentários (2)
A Ministra da Educação, a excelente Maria de Lurdes Rodrigues, prefez um outro milagre. Depois de termos tido os melhores resultados desde não sei quando nos exames de matemática, ficamos a saber que as taxas de retenção foram as mais baixas da última década.
Isto é desastroso. Não a baixa de retenções, que analisada superficialmente é excelente. O problema é que tudo assenta num tremendo facilitismo. Os alunos não trabalham para saber, trabalham para passar. Está já instituído. O que acontece depois é que temos gente nas universidades a não saber escrever um texto ou fazer uma conta. Universitários esses que depois entram para o mercado de trabalho e pela falta de aptência para trabalhar acabam por ir ou para a função pública ou para o centro de desemprego. Mas o mal não é só dos ministros. O mal é de toda a sociedade que só consegue avaliar uma govenação através das famigeradas estatísticas. Crescemos 0.2%? O governo não presta. Os alunos chumbam? Demita-se a ministra. E por isto ficamos. As legislaturas são corridas à estatística e ao charme, às capas maravilhosas que, como todas as outras, não permitem avaliar o livro. Os males da educação não se resolvem com melhorar as estatísticas, resolvem-se, como já disse aqui, com uma mudança de mentalidades para que a educação seja encarada como essencial e não como um atelier de tempos livres.

Adenda: O Mário Nogueira concorda comigo.

30
Jul 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 13:23link do post | comentar | ver comentários (3)
Por uma questão cultural, que obviamente não pode ser da responsabilidade de ninguém em particular, nas escolas portuguesas, os bons alunos são os "crânios", os "nerds" e os "geeks". Não é bom ser inteligente, o futuro não interessa, o que interessa é o presente: o estilo, as namoradas, a porrada, o estatudo. Isto deixa os alunos sem qualquer motivação para serem bons, dado que a recompensa está lá tão longe: na carreira. Ouso dizer que este é um dos motivos do insucesso. Felizmente, esta é uma situação alterável, basta apenas meter qualquer coisa no outro prato da balança e nada melhor que verdinhas. É verdade, soube (via Jumento) que a Nossa Senhora da Educação e o seu ministério, decidiram dar um prémio monetário que se destina a premiar o melhor aluno a acabar o secundário em cada escola. O prémio será bastante "jeitoso", sendo o valor 500€. Aplaudo. É evidente que é um passinho curto para aquilo que é necessário que é uma cultura que reconheça o mérito, no entanto, é um passo louvável. Continuo a achar, como já escrevi anteriormente no blogue, que tudo isto se deve à mentalidade e à cultura e nada melhor que atacar a montante: nos jardins de infância e nas famílias e, quem sabe, através da televisão que molda tanto as crianças desse Portugal imenso. De qualquer modo, palminhas Maria!

P.S.: ainda não tinha escrito nada aqui por já ter escrito em alguns comentários noutros blogues e, admito, alguma preguiça, de qualquer modo, acho ridículo aquilo que fizeram a' O Jumento. Apesar de muitas vezes não concordar com alguns pareceres que se escrevem no palheiro, a importância daquele blogue na blogosfera portuguesa é incontornável e só gente muito mal formada poderia ter "assinalado o blogue". Desejo boas mudanças para o wordpress Jumento, por ora eu vou ficando pelo blogger. Deixo aqui uma imagem original do Blogotinha e publicada também, adivinhem, n' O Jumento:


22
Jul 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 21:18link do post | comentar
Nós os portugueses somos muitas vezes considerados avessos à mudança. Até podemos sê-lo no geral, mas em relação à educação não há quem mude tanto e tantas vezes como nós. É muito bom mudar e quando é para melhor é excelente, o problema é que com mudanças tão frequentes é impossível avaliar se tais mudanças são realmente benéficas. Vou dar um exemplo. Um aluno que tivesse feito o básico há quatro anos teria um horário completamente diferente de um aluno que faça o mesmo ano de escolaridade agora. Entre introdução de disciplinas, retirada de outras e alteração de horas semanais para outras tantas, o que se aprendia há uns meros quatro anos é completamente diferente do que se aprende agora. Quem me diz qual é a melhor situação? Ninguém, porque é simplesmente impossível avaliar. Mas este não é o único problema. Os próprios professores devem ter dificuldades enormes para se adaptarem aos novos programas, principalmente os professores de disciplinas de exame. Novo exemplo. No ensino secundário os alunos têm de escolher disciplinas opcionais. Se por acaso numa escola houver alguma disciplina que não abra há dois, três ou quatro anos, não há professor nenhum que esteja apto a leccioná-la, simplesmente porque os programas mudaram completamente. Eu não digo que se deva manter tudo intacto para sempre, digo apenas que é preciso dar tempo a uma medida para que depois ela seja avaliada e um número quase infinito de medidas excelentes pode ter um efeito preverso tremendo.

11
Jul 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 11:52link do post | comentar | ver comentários (1)
«O secretário de Estado da Educação considerou hoje "maus" os resultados do exame de Matemática no 9º, mostrando-se preocupado por se estar tentar passar a ideia de que 50 por cento de negativas é um bom resultado.(...)»

É preciso ter lata. O senhor Valter Lemos vê as negativas no exame baixarem em 40% e diz que é pouco. Só se nos estiver a dizer que é mesmo pouco por o sucesso ser forjado. Quem sabe...

10
Jul 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 09:16link do post | comentar
As notas dos exames de matemática aumentaram exponencialmente. Isto não é novidade. O exame foi mais fácil que nos anos anteriores. Também não é novidade. Mas há no meio de tudo isto algo que ainda não foi dito: como se vão comportar as médias de acesso ao ensino superior.

Começam hoje as inscrições e, meus amigos, naqueles milhares de futuros doutores há uma boa quantidade de 19 e 20 no exame de matemática. Com estes "notões" o que vai acontecer é que os últimos a entrar nas faculdades ligadas à matemática (como as de medicina, economia, engenharia, etc) vão ter notas de acesso bem mais altas que o comum. Nenhum problema, não fosse o facto de, muito provavelmente, para o ano o exame voltar a ser normal - o pessoal não aguenta a pressão. Ou seja, para o ano alunos de secundário brilhantes (com 18's justos no exame) não vão poder entrar em determinados cursos por causa de alunos médios (que tiveram 20's inflacionados). Isto é um problema bastante grave para alguns cursos/faculdades. Dou aqui o exemplo da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa. Esta faculdade que só aceita acessos com o exame de Matemática (um dos motivos pelos quais está tão bem cotada) tinha no ano passado uma nota de acesso de 16 valores. Isto com os exames normais. Há dúvidas que isto vai subir a pique? Imagino um cenário em que vai tão difícil entrar para economia como para medicina. Tenho para mim que muitos trajes académicos não vão sair dos cabides...

05
Jul 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 13:27link do post | comentar | ver comentários (1)
A taxa de reprovação no exame de Matemática A do 12º deste ano baixou para 7 por cento, contra os 18 por cento do ano passado, numa prova em que a média de notas foi de 12,5 valores. Mas a média de notas no exame de Português do 12º deste ano ficou abaixo dos 10 valores pela primeira vez em três anos, situando-se nos 9,7 valores face aos 10,8 de 2007.
A taxa de reprovação de 7 por cento dos 36.674 alunos que fizeram este ano a prova de Matemática A é menos de metade da verificada no ano passado (18 por cento) e cerca de um quarto da de 2006 (29 por cento), indicam os dados oficiais distribuídos hoje à tarde pelo Ministério da Educação (ME).

Quando o exame ficou disponível on-line, vozes de protesto se levantaram contra o "facilitismo". Quando os resultados saíram, vozes se levantaram contra esse mesmo "facilitismo". Apesar de a minha voz não se ter levantado, ela concorda com as que o fizeram. Os exames estão, realmente mais fáceis. Mas a questão de fundo aqui é se os exames estão "fáceis" ou "mais fáceis". Há uma pequeníssima diferença.

Todos sabemos que os exames de Matemática deste ano foram mais fáceis do que os do ano passado. Não sabemos é se os do ano passado não seriam demasiado difíceis (não estou a dizer que eram) e que este ano passaram para a dificuldade desejável. Como podemos saber? Muitos dizem que um exame é apropriado quando o aluno médio o consegue resolver. Ora, os exames dos anos anteriores não eram certamente resolvidos por qualquer aluno médio (a média era de 8 valores, aproximadamente, e a taxa de reprovação de cerca de 20%). Será que isto quer dizer que eram difíceis? Dúvido. Provavelmente os alunos "médios" não o eram, tinham notas fantasma dadas por professores pouco exigentes...

Muitos dizem que este "facilitismo", alegadamente ordenado pela Ministra herself, serve para mostrar estatística a Bruxelas. Não dúvido. É uma obcessão esta competição em Bruxelas. Deviam criar as Olimpíadas das Estatísticas em que os países da União tentavam melhorar os seus "rankings". Se calhar não, seria ridículo.
Este problema de Bruxelas não é novo, vem desde 1 de Janeiro de 1987, e dúvido que nos toque só a nós. Acredito que muitos países façam o mesmo. Eu cá, que de nada entendo, tenho uma proposta. Porque não harmonizar a política de ensino na UE e, por conseguinte, harmonizar os exames que classificam os estudantes. Assim, já não poderia haver "facilitismo ordenado" nem exames "fáceis" ou "difíceis". Não é assim tão absurdo, se temos um Mercado Único em que se pretende que as barreiras sejam anuladas, uma barreira a anular será a diferença na formação e qualificação! Isto resolve-se com a boa velha harmonização! Para rimar, só por isso, pergunto: Porque não?

27
Jun 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 09:33link do post | comentar
N' A Câmara de Comuns li um artigo sobre a educação no mundo e sobre a posição dos escandinávos nos rankings mundiais. Pelos vistos os escandinávos são os jovens mais brilhantes do mundo.

Eu não penso assim. Os escandinávos não são nenhuma raça superior em inteligência. O que acontece é que nos países escandinávos (bem como noutros, como os do Leste europeu e no Japão, por exemplo), os alunos sabem que na escola é para trabalhar e, na altura de trabalhar, sabem fazê-lo. Isto não é só por causa de políticas educativas fantásticas e por causa de governos excepcionais. Isto é principalmente causado pela própria cultura do país. Enquanto que em Portugal os miúdos vão para a escola porque tem de ser e ficam lá a "secar" até tocar, nesses países os alunos vão para a escola "aprender", "trabalhar". Talvez, admito, haja um maior interesse por parte dos alunos nessa aprendizagem por causa de determinados factores: o leveza na relação aluno-professor (tratam-se pelo nome), talvez tenham matérias mais interessantes e, portanto, uma relação com a escola bem mais saudável. Mas isso não pode ser o único factor porque, por exemplo, no Japão tudo é extremamente rígido e eles são brilhantes à mesma.

Para mim, a solução passa, exactamente, pela mudança de mentalidades. Passa por mostrar aos jovens que a escola é importante, é o trabalho deles e que o que eles ali estão a fazer vai determinar o seu futuro. Esta mudança de mentalidades não se faz no secundário! Começa-se pelo sempre negligenciado ensino pré-escolar. Começa-se com pequenas coisas! Mania esta dos portugueses começarem as casas pelo tecto...

26
Jun 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 10:58link do post | comentar | ver comentários (3)
Li hoje numa notícia do Diário de Notícias que as verbas atribuidas pelo Estado ao ensino superior vão sofrer um corte. Mas o corte é tudo menos pequeno (são cerca de 200 milhões de euros). Neste momento, quase não há na OCDE países cujo contributo do PIB para o ensino superior seja menor. Associado a este corte está o facto de as propinas pagas em Portugal são das menores da União Europeia.

Isto é um erro tremendo daquilo a que se pode chamar gestão do dinheiro. Até 2013 temos fundos da União Europeia para tentarmos, de vez, crescer de uma forma sustentada. Então, ao receber esses fundos, o que fazemos? Cortamos no ensino superior. O ensino superior realmente é um simples apêndice daquilo que é o desenvolvimento. Isso e o I&D, a cultura e tantas outras áreas "esquecidas". É preciso arranjar forma de, por um lado, alguns sectores se auto-financiarem, por outro, de conseguir atribuir fundos suficientes a estas áreas tão importantes no longo prazo. Por exemplo, porque não haver um sistema de pagamento de propinas com base nos rendimentos? Já que vivemos num Estado com o principio da solidariedade social... Não faz muito sentido que no ensino público uma pessoa pobre pague o mesmo que uma pessoa rica. Pode pensar-se que isto afastaria os ricos do ensino público e atirá-los-ia para o privado, mas isso é um erro. Em Portugal, ao contrário de muitos outros países, o ensino superior público é bastante melhor que o privado, a não ser em casos especiais (com o a Universidade Católica). Esta seria uma óptima forma de gerir o dinheiro das universidades, funcionando estas de um modo mais justo e mais sustentável. Provavelmente a qualidade do Ensino Superior até poderia aumentar e, deste modo, a qualidade dos nossos licenciados também.

22
Jun 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 15:57link do post | comentar
Li esta notícia no portal de notícias do Sapo. Ao que parece o e-escola vai ser alargado...

«Sócrates anuncia alargamento de entrega de computadores ao 7º ano de escolaridade

(...)O anúncio foi feito por José Sócrates na cerimónia de entrega do computador 200 mil no âmbito do programa e-escola, na Escola Profissional Gustave Eiffel.

De acordo com o Ministério da Educação, ao estender-se aos 7º e 9º ano de escolaridade, o programa e-escola vai abranger no próximo ano lectivo mais 380 mil alunos dos ensinos público e privado.(...)»


Uma medida cara como a do e-escola não pode ser tomada de ânimo leve. Para este programa, são utilizados fundos comunitários que podiam ser utilizados para mil e um fins diferentes. Apostou-se nisto por ser considerado melhor. Mas como podem saber que é melhor? Não deram nem um ano ao programa para ver se a coisa traz benefícios! Oferecer 200 mil até hoje já é imenso, já era bastante razoável para se avaliar o programa e os seus efeitos, mas alargar para o dobro é pura loucura! Vamos analisar alguns números. Apenas no serviço de banda larga, os estudantes do e-escola em condições normais têm um desconto de 5€ (os de baixos rendimentos pagam muito menos, mas vamos colocar todos como se tivessem rendimentos médios). 5€ por cada um dos 380 000 alunos dará ao Estado um encargo mensal de 1.9 milhões de euros. Ao fim do ano, isto fica pela módica quantia de 22.8 milhões. Não estou a contabilizar aqui os subsidiados e os apoios na compra dos computadores (sim, porque nenhum computador custa realmente 150€). Penso que é precipitado lançar o Estado para um encargo anual de 22.8 milhões de euros quando há um universo quase infinito de destinos para esse dinheiro todo.

Porque é que sinto que tudo isto é para fazer estatística para as eleições?

20
Jun 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 08:49link do post | comentar | ver comentários (2)
Isto é impressionante. Há uma meia dúzia de coisas que faz os portugueses exaltarem sangue, suor e lágrimas. Uma é o futebol. Já foi. Outra são os exames nacionais. Ainda cá estão.

Há uns tempos, no Quarta República, houve uma pequena discussão sobre o assunto sobre os "especialistas" que dizem que os exames são a pior coisa que há para as mentes jovens (aqui). Quartos desarrumados, stress constante. Conversa! Os exames são necessários e importantes, até para haver justiça nos acessos à faculdade e para que os estudantes possam provar aquilo que sabem. Mas nem tudo são rosas.

Hoje a crónica do Carlos Fiolhais (disponível aqui) só fala do facilitismo dos exames. Os alunos, ao que parece, fazem um exame nacional com uma perna as costas e as mãos atadas! Rídiculo! Porque é que os intelectuais gostam tanto de ser radicais? Os exames nacionais não são fáceis! Isso é conversa de quem não os faz... Caros professores doutores extremamente empenhados em assuntos da educação e em desvalorizar aquilo que é um exame nacional, os exames são bastante tramados, por vezes. Se calhar para um tipo de 10, 11 ou 12 é facílimo manter ou até subir, mas para os 17, 18, 19 é dificílimo! Os critérios de classificação por vezes estragam completamente a nota de um aluno brilhante que fica com o acesso comprometido por causa de picuinhices!

Vamos lá pensar um bocadinho antes de andar para aí a dizer disparates!

17
Jun 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 11:45link do post | comentar | ver comentários (1)
No De Rerum Natura lembrei-me de ir ver ao youtube um ou dois episódios da série A Bit of Fry and Laurie e encontrei uma belíssima pérola sobre educação sexual nas escolas. Ora vejam:


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