A máfia da blogosfera
10
Ago 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 09:48link do post | comentar

Bem-vindos à democracia dirigida, por Pedro Lomba.


09
Ago 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 22:28link do post | comentar | ver comentários (1)

O CDS está há muito numa espiral negativa e, perdoem-me os acólitos, muito se deve o facto à liderança de Paulo Portas. Um líder, mais que um figurão que vai à televisão, é um responsável pelos maus comportamentos do partido que lidera. E a Paulo Portas tem de ser imputada essa responsabilidade.

Sem qualquer tipo de tacto ou sensibilidade política, o CDS está, e nisto dou razão ao Tiago Barbosa Ribeiro, a assemelhar-se cada vez mais a um partido extremista. De que extremo, não sabemos. A ser de algum, só pode ser o da parvoíce – que o centro não tem extremo para além deste.
Os cartazes são apenas o auge do delírio desta direcção, que já vem alegremente caminhando para o vazio há muito. A imagem do CDS está a deteriorar-se de dia para dia, de forma progressiva e não é tanto pelas suas ideias, que algumas são bastante interessantes, mas sim pela manifesta incapacidade de compreender como se deve desenrolar o debate público. Não sabem, não se esforçam por perceber.
Apenas me dá pena ver que há tanta gente dentro do CDS a pensar tão bem, mas que simplesmente não aparece em nome do partido. Diria até que há muita gente inteligente do CDS que não devia estar nem no CDS nem em nenhum outro partido em Portugal – que «nós» ainda não temos nenhum.
Penas e vontades aparte, ou o CDS se renova por dentro e pára de ser a bengala de um Paulo Portas em bicos de pés, ou um dos partidos fundadores da democracia vai acabar por desaparecer.

08
Ago 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 23:07link do post | comentar

Eu não sei se já escrevi aqui, mas gosto imenso das crónicas áudio de Alberto Gonçalves. Esta está especialmente boa.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 20:07link do post | comentar

Apesar de bonito, o texto de José Pacheco Pereira sobre a verdade não é propriamente rigoroso em relação a algum pensamento de Popper. Segundo a filosofia de Popper, não é a verdade de uma qualquer proposição que não se pode verificar (e com «verificar» refiro-me ao critério de verificabilidade consensualmente aceite antes da sua entrada na cena). Aliás, nem faria sentido. A proposição «a Matilde é loira» é perfeitamente verificável, basta que se olhe para o cabelo da Matilde. Aquilo que para Popper, e para os pensadores actuais na sua maioria, não é verificável são as teorias gerais, como por exemplo «todos os corpos caem» ou «todos os corvos são pretos». Aliás, Popper diz até que só é uma verdadeira teoria científica aquela que se possa falsificar, mas não verificar.

Provavelmente isto interessa a pouca gente, mas gosto demasiado de Karl Popper para não repor a verdade, verificável, esta, sobre o seu pensamento.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 13:15link do post | comentar | ver comentários (2)

 


07
Ago 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 16:19link do post | comentar

Tal como o Senhor Polomar, também acho as entrevistas da Laurinda um espanto. Sim, há ironia aqui. As perguntas parecem aquelas que uma criança tola faria, quando confrontada com um velho barbudo. Não conheço Vasco Pulido Valente, mas ao ler a entrevista, cheguei a meio e senti-me solidário com o senhor, cujo tédio era mais que óbvio. Isto tudo e ainda não tinha lido metade do exercício (ainda não retomei, estou a ganhar coragem). Das perguntas, a mais extraordinária é, sem sombra de dúvidas: «Gostas do teu nome?». É de uma candura que me aflige, numa senhora que teve 1,5% de votos nas últimas eleições. Laurinda não entende que o interesse em fazer entrevistas que são publicadas é conseguir receber respostas que interessem a quem compra a publicação e não aquelas tentativas de pseudo-psicologia inúteis.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 13:14link do post | comentar | ver comentários (1)

A ideia de haver uma entidade que regula a comunicação social num Estado democrático é assustadora. Não entendo como é possível existir num país que sofreu na pele meio século de censura e pensamento filtrado não haver quem se bata seriamente pelo fim daquela criação de Santos Silva. Os ataques à liberdade de imprensa foram muitos, mas a última directiva, inexequível por princípio, deveria ser o último prego do caixão daquela «coisa». Infelizmente, parece-me que não.

Maus tempos para a liberdade se vivem em Portugal.

06
Ago 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 22:57link do post | comentar | ver comentários (5)

 

Se conseguir, dou-me um prémio.

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publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 21:33link do post | comentar | ver comentários (3)

Sobre a entrevista que o líder dos comunistas portugueses deu a Judite de Sousa deixo umas notas, armando-me, claramente, em Alexandre Homem de Cristo.

 

(1)    Jerónimo de Sousa, claro, apresentou-se contra a alteração ao Código do Trabalho. Não é o conteúdo da contestação que quero comentar. É o facto de, para o fazer, se ter revestido na Constituição e não em nenhum princípio ou argumento lógico que o justifique. Mostra apenas que a Constituição portuguesa é uma arma política ao serviço do seu principal responsável: o PCP.
 
(2)    A cartilha sobre as privatizações é igual à do passado. O PCP tenta mostrar-se mais actual, mais alerta para as mudanças e para as evidências que a História nos trouxe com um desagradável paladar a sangue humano, ao defender a nacionalização dos «sectores estratégicos»; no entanto, Jerónimo reforça que é contra qualquer tipo de privatização e não viabilizará um Orçamento que as preveja.
 
(3)    Sobre o apoio de José Saramago a António Costa, Jerónimo de Sousa fugiu à questão da deslealdade, falando na força do colectivo e da vontade de manter a decisão, apesar das declarações públicas do Nobel. Diz que não haverá lugar para processo disciplinar, mas não se adianta: diz que «são coisas nossas».
 
(4)    Ao longo de toda a entrevista foram várias as referências à força do partido, do colectivo. Nisso, Jerónimo tem razão. O PCP é provavelmente o partido mais coeso em Portugal, muito devido a comportamentos pouco recomendáveis, mas é uma realidade. E, é verdade, a festa do Avante é a prova disso.

 

(5)   É também curiosa a questão da entrega do salário de deputado ao Partido, por parte da própria classe dirigente. É quase do domínio da esquizofrenia o facto de, por um lado, defenderem de forma cega que, dê por onde der, todos os pobres têm de ter mais e, ao mesmo tempo, rejeitarem eles próprios a possibilidade de ter uma melhor vida de uma forma honesta e perfeitamente legítima. Cada um faz o que quer com o seu salário, mas é perturbador como a classe dirigente do PCP consegue, ao mesmo tempo, pedir mais para os mais pobres, e sentir que estão a ter um comportamento mais íntegro ao manterem-se pobres; como se o dinheiro, sujo, lhes destruísse a alma.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 18:32link do post | comentar | ver comentários (21)

 

E aqui, em representação da minha outra casa, junto do João Villalobos fui falar um pedaço com Francisco Louçã. Hands still shaking.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 11:46link do post | comentar | ver comentários (2)

Foi há 64 anos que o mundo se tornou um lugar perigoso. Parece estúpida a frase. O mundo sempre foi perigoso. Mas há 64 anos ultrapassou-se a barreira. E a barreira, a derradeira, era a da capacidade do homem de destruir o mundo em que vive e, com isso, destruir tudo o que conhece.
Em Hiroxima e Nagasaky houve um simples ensaio, uma mostra de força. Um gigantesco e estupidamente mortífero «don’t mess with us». É dia de pensar no que aconteceu na altura e que hoje vivemos num mundo que pode ser destruído, bastando para isso a sede de poder de um líder louco ou o delírio de um povo.

04
Ago 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 22:49link do post | comentar | ver comentários (9)

Concordo ali com o João Gonçalves. As listas dos partidos são uma completa questão lateral. O regime em que vivemos está alicerçado na eterna disciplina partidária que torna completamente inútil discutir quem vai, quem fica.

Não é por acaso que de fora das listas ficam as pessoas que numa democracia saudável exerceriam o poder: os competentes, os intelectuais, os sábios das várias áreas. Assim, temos gente que vai por trendinices, gente que vai por cunha, gente que vai para encher, gente que vai para que o favor seja retribuído. E não vale de nada dizermos, muito determinados, que isso tem de mudar sem que façamos alguma coisa para isso mudar.
A receita é simples: acabe-se com a lei do financiamento dos partidos e reveja-se a lei eleitoral para que, por um lado, movimentos independentes de cidadãos possam concorrer e, por outro, o voto preferencial seja uma realidade. Se isso não acontecer, não me venham falar de listas.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 12:11link do post | comentar | ver comentários (6)

A democracia portuguesa, na sua essência, é apenas uma portentosa e onerosa fábrica legislativa. O Parlamento nacional dá-se ao luxo de legislar as mais pequenas e irrelevantes situações. Tudo, claro, para nosso bem.

Se já é problemático que os deputados tenham uma tamanha febre por escrever leizinhas inúteis, pior é quando as leis criadas são puro lixo. Ou porque são manifestamente contrárias àquilo que é o espírito de um regime democrático, de um país livre (como a lei do sal do pão, para dar um exemplo recente); ou porque simplesmente são inexequíveis ou se revelam redondos fracassos na prática (caso dos vários diplomas «polémicos» na área da educação).
O Presidente da República, num fim de legislatura, tem dezenas de diplomas para analisar e ainda não há fim à vista. É realmente preciso legislar menos e legislar melhor. Ou isso, ou isto.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 11:56link do post | comentar | ver comentários (1)

 

«Assim, todas as instituições financeiras devem ser obrigadas a prestar, duas vezes por ano, a informação relativa às entradas nas contas dos seus clientes, para que esta informação possa ser cruzada com os dados das declarações fiscais.»

 

do programa eleitoral do Bloco de Esquerda.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 11:39link do post | comentar

 


03
Ago 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 14:00link do post | comentar | ver comentários (2)

Até fiquei com vontade de fechar os comentários, mas enfim. Fiquem aqui com esta menina tão bonita que fica tão bem nesta cantiga, que eu vou ali e acho que hoje já não venho.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 11:14link do post | comentar | ver comentários (2)

BE, o trotskysmo de corpo inteiro., por Tomás Vasques


02
Ago 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 20:19link do post | comentar | ver comentários (2)

A intervenção de Marques Mendes foi, para além de escusada, um disparate. É inaceitável que se proíba a candidatura de pessoas acusadas de crimes, sejam graves ou não. Uma acusação não é uma sentença e não se pode punir alguém que se presume estar inocente.

Para além disso é mais um exemplo de como os partidos se apoderam da lei e condicionam as escolhas dos eleitores. São os eleitores, o máximo soberano, que têm de decidir quais são as boas e as más candidaturas. Se o povo da Amareleja quiser ter um criminoso como presidente da junta tem direito a isso. Se os portugueses quiserem um bandido como Presidente da República têm direito a isso. Se os tribunais derem os acusados como culpados, pois que saiam dos cargos públicos para que cumpram as suas penas. Até lá, proibir as candidaturas é um abuso de poder inaceitável.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 14:50link do post | comentar | ver comentários (5)

Dá-me um gosto tremendo ler um qualquer artigo inglês ou americano e perceber que mesmo as elites têm, antes dos seus nomes, um simples Mr ou Mrs. Pode ser um canalizador, um electricista, um advogado, um político, não interessa. Venero esta capacidade dos anglo-saxónicos de mandar às urtigas a profissão, os estudos ou a condição social dos interlocutores e perceber que é respeitoso que chegue o simples tratamento que em Portugal se poderia traduzir por senhor e senhora.

Nisto somos do mais tacanho que pode haver. Nesta nossa fétida praia um tipo com uma licenciatura mal tirada é um doutor, um engenheiro, um professor. Parece que há um qualquer prazer em tornar público que se leu meia dúzia de livros no final da adolescência e que comprámos uma capa preta com que percorremos as ruas de Coimbra na noite da queima das fitas.
Só num país de gente parola, atrasada e provinciana pode ser um motivo de orgulho uma diferenciação destas. Em tempos idos e em lugares longínquos coisas destas faziam saltar cabeças. Não lhes cabe um alfinete no rabinho diplomado. Tristes.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 12:06link do post | comentar

O título exagera as qualidades do sr. José Sócrates ao fazer a brincadeira que faz no título. De qualquer modo, é feito neste artigo do Economist um retrato relativamente fiel à verdade da situação que vivemos. E a recomendação é clara: «To improve its performance, Portugal needs more flexible labour laws, less bureaucracy, a better educated workforce, more competition and a smaller state.»


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