A máfia da blogosfera
01
Nov 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 09:09link do post | comentar

Ao longo dos anos habituei-me às imagens de como é o Dia das Bruxas americano. Uma festa. Crianças que esperam o ano inteiro por aquilo, qual Natal, e no dia mascaram-se, saem à rua, batem às portas, partem ovos, gastam papel higiénico, comem doces e são felizes. Por cá nunca houve esta tradição. E quem disser que é por estarmos em grandes cidades e as pessoas que se desengane porque no interior das aldeias, das vilas, também não se faz disto. Pelos vistos muitas pessoas já constataram esta realidade e, por isso, tentam "criar-se" tradições, mascarando forçadamente as crianças nas creches, fazendo "casas assombradas" e coisas que tais. Gostava tanto que um dia um bando de crianças mascaradas de Frankenstein me viessem bater à porta pedir os doces que eu teria guardados num grande pote junto à entrada.

13
Out 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 17:55link do post | comentar | ver comentários (4)
É demasiado frequente no debate português a criação de uma "guerra". Um determinado indivíduo tem uma opinião contrária à de outro e a partir daí cria-se uma verdadeira guerra ideológica da qual é impossível sair um vencedor pois ambos, mesmo quando um está nitidamente errado, decidem não ceder. Isto aconteceu em imensas questões que fracturaram a sociedade e está a acontecer agora com o casamento entre homossexuais. Criam-se duas barricadas: a dos conservadores e a dos progressistas e a partir daí faz-se uma constante troca de galhardetes em blogues e artigos de jornal. Regra geral os intervenientes têm as opiniões daqueles que respeitam e defendem com unhas e dentes uma coisa sobre a qual nem cinco minutos pensaram. Pois, meus caros, isto não é uma guerra, isto é um debate que poderá influenciar de forma incontornável o futuro da sociedade portuguesa. Seria bom que quem quer debater este assunto mantivesse um certo nível na argumentação, não se partidarizasse e não apoiasse até ao fim uma determinada causa apenas porque não quer estar errado. Seria bom que os textos sobre este assunto não fossem simples "cata-comentários" com frases simples, falaciosas, provocatórias e muitas vezes insultuosas para com pessoas que simplesmente nasceram diferentes. Percebo que ainda vivemos numa sociedade muito conservadora e com ódios básicos a certas minorias (os gays, os ciganos, os pretos, entre outras), mas seria bom que tentássemos não exteriorizar esses ódios, isto para não dizer, apagá-los.

06
Out 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 17:38link do post | comentar | ver comentários (1)

O novo programa dos Gato Fedorento superou todas as minhas expectativas. Foi simplesmente bombástico.
Muita gente pensou, eu incluo-me no grupo, confesso; que os Gato estavam saturados, com uma imagem que já não agradava a ninguém e que gargalhadas já puxava poucas. Este programa de estreia foi a prova do contrário. Com uma criatividade única e um talento para a comédia já inquestionável, os Gato voltam e, quer queiram quer não, com tanto ou mais poder que antes. Ou muito me engano, ou as farpas assanhadas dos Gato vão fazer muita gente pensar em muita coisa. Parabéns, pás!

28
Set 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 12:47link do post | comentar
A democracia está corrompida. E isto não acontece em Portugal, acontece em todo e qualquer lado onde exista democracia. O poder, em vez de ser utilizado como um meio para atingir um determinado fim, o bem-comum, é utilizado como um fim em si mesmo, como um modo de estar na ribalta, de projectar carreiras e de ter pão na mesa. Os princípios ideológicos são apenas máscaras para subir nas sondagens, máscaras que rapidamente se mudam ao sabor da maré. Os progressistas tornam-se conservadores e os conservadores progressistas se necessário, tudo a bem de mais um ponto nas preferências dessa massa difusa a que se chama, no meio, eleitorado. Falo disto a propósito do casamento entre homossexuais. Esta questão é a prova de tudo acima escrito. Existem pessoas no país que se vêem discriminadas, com direitos condicionados pela orientação sexual que tão cedo não verão a situação resolvida pelo simples motivo de a solução não ser "consensual na sociedade". A maioria sobrepõe-se à ética. O poder sobrepõe-se ao bem-comum. E assim vai a democracia, pelas ruas da amargura. Hoje e sempre.

24
Set 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 18:35link do post | comentar | ver comentários (4)
Eu sou a favor da liberdade do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Não, não sou do Bloco e muito menos dos Verdes. Aliás, penso sinceramente que é incompreensível o posicionamento de alguma da nossa política sobre esta questão. Felizmente vivemos numa democracia em que, em teoria, reina a liberdade, logo, não vejo qualquer fundamento para que a lei não permita um casamento entre duas pessoas do mesmo sexo. A base é simples: uma lei serve para regular a sociedade, de modo a que uma pessoa ou um grupo de pessoas não cause danos ao resto. No caso do casamento entre homossexuais, não se verifica qualquer dano causado à sociedade, a não ser o mal-estar provocado nos homofóbicos.
Mas, apesar de o casamento entre homossexuais ser uma questão de liberdade e direitos, não se pode colocar, como alguns fazem pela blogosfera, no mesmo saco do aborto. Isto para muitos parecerá estranho, mas, ao contrário da nossa sociedade estereotipada entre "progressistas" e "conservadores", eu sou a favor do casamento entre homossexuais e contra o aborto. E passo a explicar porquê. Enquanto que o casamento entre homossexuais não lesa, tal como disse acima, qualquer terceiro, o aborto já o faz. Muitas pessoas colocam o aborto no pacote dos "direitos, liberdades e garantias", o que é errado. O aborto, ao contrário do casamento entre homossexuais, põe em causa os "direitos, liberdades e garantias" de terceiros, razão pela qual não pode ser uma coisa à margem da lei. Bem sei que muita gente que defende o aborto insurge-se pela liberdade da mulher em fazer o que quiser com o seu corpo, o corpo é dela, logo, dentro dele passa-se o que ela quiser. Falácia. A casa em que estou agora é minha, logo, dentro dela passa-se o que eu quiser, se isso passar por matar alguém, não há problema. Existem muitos outros argumentos disparatados por aí a circular, mas rebatê-los é coisa para ensaio e não para post aqui.
A terceira e última questão fracturante sobre a qual queria escrever é a eutanásia. Sou contra. E o motivo é simples. A eutanásia, como o caríssimo leitor certamente saberá, é a morte medicamente assistida (causada). Ou seja, um doente numa determinada situação pode pedir a um médico que, literalmente, o mate. Para mim é ilegítimo fazê-lo por uma simples razão, o doente pode tratar do assunto sozinho. O que quero dizer com isto é que é ilegítimo que alguém peça para que o matem quando se pode matar a si próprio (o suicídio ainda não é crime). Matar é eticamente condenável para a larga (larguíssima) maioria da população, ou seja, matar alguém, mesmo que doente, deve causar algum transtorno ao profissional de saúde que tem todo o direito a zelar pela sua sanidade mental.
E pronto aqui estão os meus posicionamentos em relação às grandes questões fracturantes que assolam esta ocidental praia lusitana.

23
Set 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 16:15link do post | comentar
Somos um país pequeno. E não é por termos apenas noventa mil quilómetros quadrados. A nossa pequenez vem do facto de não sermos capazes de ficar contentes connosco próprios, de nos orgulharmos dos nossos feitos e conquistas. Falamos com desprezo dos Descobrimentos, que considero um dos períodos mais importantes da História, comparável à Revolução Industrial ou à Renascença. Poucos ou nenhuns de nós lacrimeja quando ouve cantos dos Lusíadas ou mensagens da Mensagem. Poucos de nós se arrepiam, se levantam e põem a mão no peito quando ouvem A Portuguesa, mesmo que estejam sozinhos no recato do lar. Somos um país pequeno porque não somos capazes de nos orgulhar da nossa grandeza. Não ouvimos os políticos portugueses fazer discursos inflamados a dizer que "conseguimos", a dizer que devemos trabalhar para o país e não esperar o contrário. E não os ouvimos fazê-lo porque sabem que connosco não pega. Mas não foi só isto que me fez escrever este "manifesto ao patriotismo". Foi o facto de desprezarmos os excelentes cientistas portugueses que pelo mundo vagueiam a fazer investigação nas universidades que não são as nossas. Foi o facto de o Pinto da Costa aparecer mais nos telejornais que todos os escritores portugueses juntos. Foi o facto de ouvir constantes notícias sobre fábricas estrangeiras a fechar em Portugal e não ouvir as notícias sobre as fábricas portuguesas que abrem no estrangeiro. Foi o facto de estarmos simplesmente moldados para nos odiarmos, a nós e ao nosso povo, à nossa raça. Desculpem o desabafo, mas estava cá preso e pronto para sair.

20
Set 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 13:57link do post | comentar
Francisco José Viegas n' A Origem das Espécies.

Um deputado social-democrata moderninho diz que a nova lei do divórcio é «uma inovação» no País face à legislação europeia. Pode ser. Mas o espírito das leis é uma coisa – e a aplicação é outra. O legislador (o Parlamento, enfim) devia pensar no assunto em vez de aprovar leis feitas para um mundo ideal onde habitam pessoais ideais e em condições ideais. Nunca é assim. As pessoas concretas, os seus problemas e a maldade habitual acabam por lutar contra as leis para serem mais felizes ou aproveitar-se delas para passarem adiante. Pode ser que eu esteja a ser conservador mas não tenho medo da palavra; simplesmente, basta imaginar divórcios litigiosos concretos (agora exterminados por diploma) para perceber que quem vai sofrer são os mais fracos. Neste caso, as mais fracas.


14
Set 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 15:48link do post | comentar
A única coisa que me irrita mais nos debates que a rotulação de pessoas como de "esquerda" e "direita" é a rotulação de "progressistas" e "conservadores". Isto acontece principalmente quando se fala do aborto. Um indivíduo que considere o aborto admissível é um indivíduo progressista, voltado para o século XXI, moderno como se dizia no meu tempo. Um indivíduo que se oponha ao aborto é retrógrado e conservador. Não consigo perceber isto. Aquilo que distingue os que defendem e os que não defendem o aborto são diferentes formas de encarar a ética. Um indivíduo que defenda o aborto considera que este é eticamente justificável e vice-versa. Eu, por exemplo, sou contra o aborto por não ver qualquer diferença entre fazer um aborto e matar um recém-nascido, sou, no entanto, liberal (ou, pelo menos, considero-me como tal). Isto tudo vem por causa do que se tem dito sobre Sarah Palin. A candidata republicana a vice-presidente é chamada ultra-conservadora em tom pejorativo por ser contra o aborto, pró-armas, contra o casamento entre homossexuais. Eu, pessoalmente, não gosto da senhora, no entanto, considero que tem total liberdade de ter estes posicionamentos que não são, em nada, errados, apenas diferentes daqueles que ocupam as mentes dos nossos queridos comentadores.

09
Set 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 10:15link do post | comentar | ver comentários (2)
A Ministra da Educação, a excelente Maria de Lurdes Rodrigues, prefez um outro milagre. Depois de termos tido os melhores resultados desde não sei quando nos exames de matemática, ficamos a saber que as taxas de retenção foram as mais baixas da última década.
Isto é desastroso. Não a baixa de retenções, que analisada superficialmente é excelente. O problema é que tudo assenta num tremendo facilitismo. Os alunos não trabalham para saber, trabalham para passar. Está já instituído. O que acontece depois é que temos gente nas universidades a não saber escrever um texto ou fazer uma conta. Universitários esses que depois entram para o mercado de trabalho e pela falta de aptência para trabalhar acabam por ir ou para a função pública ou para o centro de desemprego. Mas o mal não é só dos ministros. O mal é de toda a sociedade que só consegue avaliar uma govenação através das famigeradas estatísticas. Crescemos 0.2%? O governo não presta. Os alunos chumbam? Demita-se a ministra. E por isto ficamos. As legislaturas são corridas à estatística e ao charme, às capas maravilhosas que, como todas as outras, não permitem avaliar o livro. Os males da educação não se resolvem com melhorar as estatísticas, resolvem-se, como já disse aqui, com uma mudança de mentalidades para que a educação seja encarada como essencial e não como um atelier de tempos livres.

Adenda: O Mário Nogueira concorda comigo.

05
Set 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 22:19link do post | comentar | ver comentários (2)
A febre da segurança e do policiamento está a afectar as pessoas em todo o lado. Por cá, mandam-se polícias para as bombas da gasolina, em Londres colocam-se micro-aviões telecomandados a vigiar os movimentos de todos e de cada um:

«The micro-drone is only 3ft wide, weighs less than a bag of sugar and can record images from a height of 1,600ft. It was originally used for military reconnaissance but is now being tested by police. The unmanned aerial vehicle (UAV) had a test flight yesterday and will be operational from next month for a three-month trial. If the experiment works, other forces will follow suit - furthering Britain's reputation as a ''Big Brother society''. This country has more CCTV cameras than the rest of Europe put together and in the past week, two police chiefs have voiced their concern over the levels of surveillance.(...)»

Londres é actualmente a segunda cidade mais vigiada do mundo (a primeira é Pequim), o que contrasta bastante com a ideia de sociedade livre que o Reino Unido transmite para o exterior. Se o facto de ser a cidade mais vigiada da Europa não a torna mais segura, porque é que mais vigilância ainda fará? Ao não se colocarem limites à "segurança", começam a colocar-se limites à liberdade dos inocentes. Numa cidade obcecada com a criminalidade, todos passam a ser suspeitos sem motivo, todos os movimentos são filmados e observados: um grande Big Brother. Por enquanto a Inglaterra ainda é uma democracia, mas com as armas de autêntica espionagem que por lá se encontram, aquela ilha torna-se um paraíso na Terra para um qualquer indivíduo que aspire a ditador e um modelo para o mundo não livre. Esperemos que os ingleses se oponham a tais medidas e que salvaguardem a sua liberdade, ou a que lhes resta, porque a aceitarem o que lhes querem impor, abriram um precedente para o resto do ocidente que ainda toma o Reino Unido como modelo.

02
Set 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 10:27link do post | comentar | ver comentários (3)
Nestas férias tive a oportunidade de assistir a algumas emissões de programas da manhã, nomeadamente, os programas da Fátima Lopes e do Manuel Goucha. E pareceu-me francamente mal.
Bem sei que o objectivo da televisão é obtenção de audiência, só assim recebem a publicidade de que tanto precisam para subsistir, no entanto, não vale tudo. A banalização do mal neste tipo de programas é brutal. Em todas as emissões temos um conjunto imenso de famílias em sofrimento, de pessoas em agonia, de crianças com doenças incuráveis: o real social em escassas duas horas. Perante tais situações, os apresentadores bondosos e caridosos tratam de chorar, de se "emocionar", de ajudar e de acompanhar a vida de quem sofre. Mas tudo isto tem de ser muito rápido, porque logo a seguir tem de se ir dar dinheiro com um sorriso que toque nas duas orelhas, não vá assustar-se a clientela do telefone (que também dá bom dinheiro). Depois do momento de alegria, novamente semblante carregado para se ir fazer aquilo que melhor se faz nas manhãs da televisão nacional: julgamentos públicos. "Crime diz Ele" e "Crónica Policial" são as rubricas em que inspectores, ou ex-inspectores, tratam de dizer o que pensam e de convencer os outros de que sabem do que falam, com revelações tremendas, com certezas inabaláveis, mesmo que em tribunal o contrário se diga. E assim, com uma brincadeira de duas horas, pessoas são ajudadas, outras difamadas, outras completamente destruídas publicamente. Ainda me lembro de um programa em que Manuel Goucha disse em pleno directo, ao telefone, que se fosse ele a mandar a senhora da chamada nunca mais trataria de uma criança.
Dinheiro honesto? Poupem-me.

06
Ago 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 16:45link do post | comentar
O João Caetano Dias escreve no Blasfémias sobre o encontro dos jovens do Bloco de Esquerda. Está simplesmente brilhante. Deixo-vos aqui o texto mas têm de passar por lá para lerem o hino, sim porque aquilo é um verdadeiro hino, ao "bloquismo" (negritos meus).

«Começa hoje e prolonga-se até Domingo a festa de Verão dos jovens do Bloco de Esquerda, este ano chamada Acampamento Jovens Bloco de Esquerda. O programa é muito abrangente. Inclui debates sobre Imigração e Racismo, Bio-combustíveis e Crise Alimentar, LGBT, Feminismo e Combate Social, Drogas Leves e Precariedade entre outros temas todos absolutamente indispensáveis. Há workshops sobre realidades absolutamente relevantes para o mundo moderno, dos quais destaco “Faixas”, “Stencil/Subvertize” e o mais interessante de todos, “Brinquedos Sexuais” (multi-género, espera-se).O Blasfémias quer colaborar com esta louvável iniciativa da Sociedade Civil. Estando imposibilitados de acampar por falta de militãncia activa, resta-nos oferecer à organização e aos jovens do Bloco, um Hino.(...)»



03
Ago 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 11:03link do post | comentar
O líder centrista, Paulo Portas, apareceu ontem em Faro com uma ideia, no mínimo, contraditória. Depois de ter falado da lei que o PS vai apresentar (da qual não tenho conhecimento) que vai alterar a situação dos ex-combatentes, veio falar de voluntariado. Coisa estranha esta do voluntariado. No meu tempo, o trabalho voluntário era aquele que não era remunerado. O Paulo não concorda, ele acha que o trabalho voluntário deve ser pago. Como? Benefícios fiscais. Os bons velhos benefícios fiscais que aparecem sempre num discurso pleno de demagogia como já é hábito do CDS (e não só). Analisada de uma forma superficial a ideia até é interessante: nós temos pouco voluntariado e pouca consciência social, dado que funcionamos por incentivos é bom que incentivemos as pessoas a serem voluntárias. Mas o dinheiro não pode ser incentivo para tal, pois aí o voluntariado deixa de o ser. Um professor de matemática que dê explicações a alunos carenciados apenas porque vai receber benefícios fiscais não é um voluntário, é um tipo esperto que junta o útil ao agradável. Existem imensas formas de promover o voluntariado de modo a que este seja feito como deve ser feito: sem nada em troca. Basta falar com a Casa da Criação para meterem os Morangos com Açúcar a fazer voluntariado e vamos ver se de um momento para o outro os miúdos não vão todos para os bombeiros.

Adenda: A questão dos ex-combatentes já está a dar discussão. A Secretaria de Estado já se pronunciou e tudo. Este pessoal é mesmo despachado!

01
Ago 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 22:06link do post | comentar | ver comentários (2)
Não consegui encontrar um título para este post. Nunca escrevi uma "asneira" neste blogue, mas foda-se! Que merda é esta? Vejam este vídeo de umas miúdas espanholas: enquanto que uma está a dar porrada a outra, as amigas da primeira riem-se. Como escreveu o Rui Vasco Neto no Sete Vidas (de onde tirei o vídeo), contenham o vómito.


30
Jul 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 23:21link do post | comentar
O debate que está a decorrer à volta do post do Daniel Oliveira sobre o RSI está a roçar o ridículo. O que todos estão a tentar fazer é justificar um erro com outro erro, como se tal tivesse fundamento. Uns dizem que não interessa que se atribua mal o RSI porque há bancos que não pagam impostos. Outros desculpabilizam os bancos da falta de contribuição para o Estado Social e falam mal do RSI por existir e não por ser mal aplicado. Vou aqui reproduzir, adaptado, o comentário que lá deixei (o segundo).

Isto é claro como a água:

A banca paga poucos impostos .
Muito do RSI é mal aplicado .

Podem agora vir com estupidezes de direita e de esquerda (pergunto-me se algum dos que aqui se referiu a direita e a esquerda percebe realmente a diferença, quando diz que o PS da actualidade é esquerda e o PSD direita) que isto é para-partidário, porque já passaram governos de “esquerda” e de “direita” e nada mudou. É tão simples quanto isto: tem de haver mais fiscalização na banca para que esta contribua mais para o Estado Social que tantos querem e tem de haver uma atribuição do RSI mais rigorosa para que não se verifiquem situações, como eu escrevi no outro comentário, de beneficiários de RSI e de habitação social com brutos carrões à porta e playstations “pós putos”.

Muita da habitação social que é DADA a pessoas de todas as etnias (sim, não são só ciganos e pretos) é dada por uma questão de “cosmética urbana”. Algumas pessoas que moram em bairros sociais têm tanta possibilidade de comprar casa como os outros, apenas não o quiseram fazer, vivendo em habitações clandestinas e habituando-se a esse modo de vida (parecendo que não, uma casa ainda é uma coisa cara que se paga todos os meses). Por isso volto a dizer, muita da Justiça Social é na verdade injusta.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 21:42link do post | comentar
É triste. É isto que penso sempre que oiço numa conversa alguém insurgir-se dizendo O Homem tem de ganhar mais que a mulher ou O Homem tem de ser mais velho que a mulher para ser um bom chefe de família. Dá-me francamente uma pena imensa saber que num século sinónimo de progresso, O Século Vinte e Um, existem duas realidades. Uma reconfortante em que famílias modernas dividem tarefas e não pensam em quem ganha mais ou em quem tem mais anos. Uma triste em que os Homens querem dominar e as mulheres querem ser dominadas. Sim, porque não é apenas problema de quem é Homem, é também problema de quem é mulher que, sem querer, solta um comentário maxista como Que vergonha é o Homem que toma conta das crianças enquanto que a mulher vai trabalhar. O que mais me preocupa é que as pessoas dizem isto como se de uma verdade absoluta se tratasse e acham uma anormalidade o contrário, contra-natura. O Homem trabalha, vai à procura da vida, a mulher trabalha e para além de trabalhar no trabalho trabalha em casa e trabalha no trabalhoso trabalho de tratar dos filhos. Vivemos numa sociedade em parte maxista que se contradiz, em que os Homens, querendo ter fama que trabalham mais, acabam por trabalhar menos, muito menos, que as donas-de-casa. E é por os filhos serem educados pelos padrões de educação dos pais e dos pais dos pais e dos pais dos pais dos pais que não vejo fim à vista, vejo apenas resíduos de uma mentalidade antiga que tal como uma relíquia alguns fazem questão de guardar. Sejam felizes.

27
Jul 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 14:03link do post | comentar | ver comentários (2)

Depois da frase veio o acto. Não gosto da demagogia tão característica de Portas, mas nesta questão dou-lhe toda a razão. A atribuição do Rendimento Social de Inserção tem de ser investigada. É vergonhoso constatar que algumas pessoas que trabalham recebem escassos 400€, que têm de se ver esticados para cobrir as prestações da casa, as contas da luz e da água, para além de todas as despesas da praxe e que algumas pessoas, outras, não trabalham, ou fingem não o fazer, e recebem quase o que os que trabalham por pouco recebem, sem ter de se preocupar com casa, água, luz e com tantas outras despesas que o Estado Social no meio de toda a sua solidariedade faz questão de custear. Penso realmente que tem de se dar apoio a quem está em situação difícil, mas, como diz a Fernanda Câncio, não exageremos.
Já vai sendo tempo de o Estado Social dar lugar ao Estado Justo em que a bem da equidade não se tira a quem trabalha para dar a quem, trabalhando, não quer que se saiba.

26
Jul 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 11:51link do post | comentar | ver comentários (8)

Com medo de repisar um assunto já tão debatido pela amiga televisão, pela menos amiga rádio e pelos compinchas blogues, vou falar do livro do Gonçalo Amaral.
O caso Maddie levou os portugueses a sentir de tudo um pouco. Havia aqueles que nas primeiras semanas vendiam pulseiras e aplaudiam os pais na rua. Havia aqueles que, nas tertúlias de café ou nas pausas do trabalho diziam com ar desconfiado que naqueles pais qualquer coisa cheirava mal. Havia a Fátima Lopes, guerreira das boas causas que todos os dias lembrava "a menina" nos seus programas. Havia um Portugal que na sua pequenez tinha espaço para todo o tipo de opiniões e sentenças. Mas, apesar de todo Portugal ter o seu parecer, tão comum à "raça" opinativa que é a lusitana, a última palavra ficava para as autoridades, o mesmo será dizer, para quem sabia. O problema é que quem se pensa saber, sabedoria tem pouca, e este alvoroço mundial, esta montanha, pariu um rato: o caso foi arquivado. Gáudio para os jornalistas e investigadores a recibos verdes que puderam ir vasculhar no que no segredo de justiça se encontrava para poderem alimentar telejornais de uma hora durante este tonto Verão. O pior é que numa época tonta, também as pessoas ficam tontas e rapidamente ultrapassam a barreira do razoável. Essa barreira é aquela que divide a simples opinião pessoal, pública, mas pouco, e a acusação improvada, vulgo, a calúnia.
Gonçalo Amaral teve oportunidade de resolver o caso, pobre dele que não o permitiu a incompetência. Mas o senhor não se ficou, ou vai ou racha, e decidiu publicar um livro com a sua tese de sempre, que até pode ser a mais certa de todas as que se fizeram, mas pela falta de provas fica reduzida a um crime. A questão é que tornar pública uma tese enquanto se dirige um caso ainda aberto é "investigação" , tornar pública uma tese incriminatória depois de dados inocentes todos os envolvidos é simplesmente parvoíce. É disso que temos excesso: parvos. Parvos que não sabem, a mal de muitos, o que é a liberdade de expressão.

20
Jul 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 17:32link do post | comentar | ver comentários (6)
Há uma regra base na política em democracia: aproveitar qualquer gaffe para aproveitamento político. É legítimo, afinal, temos de vender o nosso peixe e quando o peixe não tem muita qualidade, temos de dizer que o do outro não é muito fresco. Mas ás vezes este aproveitamento torna-se absurdo.

Manuela Ferreira Leite foi infeliz quando disse que o objectivo do casamento era a procriação, há que dizê-lo sem problemas. Mais infeliz que ela está a ser José Sócrates pois vangloria-se de ser progressista e critica MFL por, segundo ele, esta ser conservadora e retrógrada, enquanto que ele próprio não fez absolutamente nada pelo casamento entre homossexuais. A JS anda por aí cheia de iniciativas a bem de direitos iguais e o PS nem quer saber. Eu pergunto ao senhor José Sócrates, se é tão progressista assim e se o seu governo foi o que mais avançou em termos sociais (esta coisa de José Sócrates comparar o seu governo a todos sempre me perturbou, é a prova que o que ele mais ambiciona é o sucesso pessoal, mas isso fica para outro post), porque não fazer um referendo à questão do casamento gay? Nada melhor que o povo soberano pronunciar-se sobre um tema tão delicado. Quando o "não" ganhar Sócrates faz o quê? Chama retrógrados aos portugueses?

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