A máfia da blogosfera
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Jul 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 12:01link do post | comentar

A saúde não é um direito, por Joaquim Sá Couto.

 

Não o é a saúde, como não o é o trabalho, a educação e tudo aquilo que constituia qualquer tipo de obrigação infundada a outros indivíduos. É preciso coragem para afirmar isto, principalmente num país como Portugal, mas tem de ser dito.


O Tiago é que confunde responsabilidades causais com responsabilidades morais.
É evidente que não há uma responsabilidade causal no exemplo que propõe. Não é líquido que esteja isento de responsabilidade moral.
Não pessoalmente, mas enquanto beeficiário de uma ordem mundial que tende a enriquecer alguns países à custa de outros.

Poderá dizer por exemplo, "mas eu não sou responsável pelos subsidios à agricultura da UE, nem pelas fronteiras arbitrárias traçadas há 100 anos atrás por outros". Não é mas beneficia delas.

Isso propavelmente até lhe causa desconforto e se dependesse só de si, isso acabava já.
Se sim, se onde vem esse desconforto? Da responsabilidade moral. De beneficiar de algo que julga errado.

Claro que para aceitar esta linha de argumentação, teria que aceitar que existem responsabilidade colectivas e históricas.

Desculpe lá ó Luis mas só pode haver uma responsabilidade moral genuína se houver uma relação de causalidade entre a «coisa má» e uma acção minha. Prove-me o contrário de alguma forma, porque sinceramente não estou a entender...

Se os governos não fossem tão interventivos, não haveria responsabilidades colectivas... Pense nisso, se quiser. A PAC é um boa forma de partir para o problema

Se o Tiago não consegue entender como pode ter responsabilidade moral ao ignorar um acidentado e deixando-o à sua sorte, na ausência de outras possibilidades de ajuda, apenas porque não foi responsável pelo acidente, nunca lhe conseguirei explicar isso. Apenas o posso reenviar para o meu post sobre a importância do poder.

Isto não é uma matéria de facto Luís, senão nem discutíamos. Eu não deveria ser amigo de um tipo que não tivesse sequer a bondade de ajudar uma pessoa ligando para o 112. No entanto, não o poderia responsabilizar pelo sucedido porque a responsabilidade não era dele. Não foi por ele ali passar e não ter feito nada que o outro morreu, por exemplo.

Não o pode responsabilizar pelo acidente, mas pode responsabilizá-lo por não ligar para o 112. O acidente não é culpa dele, ajudar ou não é uma escolha dele.

O que me faz mais confusão nesta nossa quase desconversa, é o Tiago fazer julgamentos morais sobre o acto: a bondade de ligar para o 112, o louvável de o fazer,o condenável (não mercedor da sua amizade) de não o fazer, e no então não os reconhece como tais.
Mas só faz sentido fazer esse julgamento se houver uma responsabilidade moral.

Se o seu amigo se cruzasse com o acidente, e apesar de querer não pudesse fazer muito, por colocar em risco a propria vida, ficaria triste, e talvez se sentisse culpado.
E o Tiago dir-lhe-ia para o consolar "deixa lá, não podias fazer mais". E não "deixa lá, não era nada contigo".

Luís,

Eu tenho uma concepção ética diferente da sua. Em conversa, uma filósofa disse-me que eu estou próximo de Jogn Rawls. Não sei, ainda não o li. Provavelmente quando tiver o pensamento mais estruturado escrevo um grande post, ou um ensaio, quem sabe um livro... sobre o assunto :)

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