A máfia da blogosfera
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Jul 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 12:01link do post | comentar

A saúde não é um direito, por Joaquim Sá Couto.

 

Não o é a saúde, como não o é o trabalho, a educação e tudo aquilo que constituia qualquer tipo de obrigação infundada a outros indivíduos. É preciso coragem para afirmar isto, principalmente num país como Portugal, mas tem de ser dito.


" se eu não abdicar do meu salário para dar a africanos pobres, eles morrem"

A questão é que não tens forma de relacionar directamente isso.

Quanto ao SNS o nosso é geral e universal.

Quanto à coisa, a coisa é relativa ao conceito que temos da mesma, até prova em contrário não existe coisa sem o conceito da coisa...
Stran a 25 de Julho de 2009 às 15:40

Exacto. Do mesmo modo que não há uma relação causal entre eu não mandar o meu salário e morrerem africanos (apesar de haver uma relação causal entre mandar o meu salário e sobreviverem), não há uma relação causal entre qualquer individuo estar mal e o facto de eu nao o ajudar. Não posso ter «culpa».

Eu sei que o SNS é geral e universal. Por isso é que é impossível que subsista. O nosso SNS vai contra a lei que o define, o que é curioso.

Não percebo o que queres dizer sobre «a coisa»...

Bem deste um giant leap na tua argumentação. Nesse caso, e tens de dar um caso concreto, depende do facto se podes ou não ajudá-lo! Se a ajuda puder ser concretizada então tens culpa!

Não, não vai! O SNS funciona exactamente como a lei determina. A universalidade deriva de toda a gente poder ser aceite (ninguém é recusada) e o geral significa que todas as doenças são aceites.

Nos seguros é que não tens isso!

O que quis dizer é que a "coisa" só existe para o ser humano enquanto conceito criado pelo ser humano e como tal é sempre subjectivamente determinado. Da mesma forma como os direitos são uma construção humana. Como tal não podes afirmar que o direito a ser tratado não é um direito, pois objectivamente o é.

Mais, o artigo (o original) é bastante fraco e com muitas falhas, de raciocinio e de lógica e o pequeno excerto que foi copiado é apenas uma simples manipulação do autor para ele conseguir chegar à conclusão pretendida. Honestamente que isso tenha sucesso com os americanos é problema deles (são eles que gostam de pagar mais caro por menos tratamentos), já tentar utilizar esse argumento na europa, não é muito brilhante.

A segurança é um direito que julgo que não contestas, no entanto não percebo qual a diferença entre o tipo de segurança que defendes enquanto direito e a segurança derivada da saude.
Stran a 26 de Julho de 2009 às 01:24

1. Stran, estamos numa desconversa de sim e não. Prova-me logicamente que há aí algum tipo de culpa. Algo para além da tua sensibilidade pessoal, que a ética não se discute com a sensibilidade de cada um.

2. Os direitos não são necessariamente uma construção humana. Aliás, a teoria mais antiga ou das mais antigas de direitos diz que os direitos são descobertos e não criados. No caso da saúde há um inequivoco direito legal, quanto ao direito moral, já é outra conversa. A questão que te coloco é: se não estivesse na lei que tu tinhas acesso ao serviço de saúde, achas que terias direito a exigir-me, por exemplo, que te pagasse a consulta?

3. Não li o artigo original, li aquele pedaço. E eu aqui não me estou a preocupar com o preço, estou a preocupar-me com a legitimidade.

4. Eu ainda não contesto a segurança e a justiça porque ainda não reflecti o bastante sobre isso. Não vou tomar uma posição sem antes pensar.

1- Lembraste do exemplo que te dei quanto à eutanásia. Genericamente sempre que tomas uma decisão que conduza directamente à morte de outro individuo, por exemplo.

2 - Bem não sendo uma construção humana, só podem ser uma construção divina. O problema é que as construções divinas são construções humanas, pelo que sim todos os direitos são construções humanas. Se retirares o ser humano da natureza não existem qualquer tipo de direitos... pensa nos micróbios (que não têm qualquer tipo de racionalidade), julgas que eles andam a "discutir" o direito à propriedade privada ou qualquer outro tipo de "direitos"?

3 - Neste caso existe legitimidade, mas só podemos continuar a discutir isso depois de falarmos da segurança e justiça, até lá não se pode concluir nada.

4 - Fazes bem.
Stran a 26 de Julho de 2009 às 11:11

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