A máfia da blogosfera
30
Jun 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 11:08link do post | comentar

No Prós e Contras de ontem ouvi algo que não esperava ouvir. É certo que se esperava a cartilha costumeira dos sindicalistas e os paninhos quentes dos seus opositores, com excepção de Armindo Monteiro, mas aquilo que ouvi da boca de Júlio Gomes no fim da sua intervenção - sim, porque o meio teve muito que se lhe diga - foi de uma coragem e lucidez raras.

A critica mais que certeira à falta de legitimidade democrática dos sindicatos para intervirem na criação de legislação laboral era necessária há muito tempo. Num Estado de Direito, a lei é criada e discutida na Assembleia da República. É lá que estão os legítimos representantes do povo e não nos sindicatos. O diálogo com os sindicatos é, as mais das vezes, uma multiplicação da importância de pequenos partidos que não receberam o voto dos eleitores e que se querem colocar em bicos de pés para decidirem aquilo que não podem, ou pelo menos, não deveriam poder decidir. É imperativo que a chachada do diálogo com os parceiros sociais acabe quando se fala em legislação e que os sindicatos deixem de fazer lei. Não podem, não têm esse direito e de cada vez que o fazem, dão uma machadada no regime. Colocam mais um prego no caixão da democracia portuguesa.


Luís, não misturemos as coisas. Os sindicatos são importantes na gestão de problemas nas empresas. É para isso que servem, apesar de achar que não são a melhor solução, são a possível. No entanto, isso não implica que quando se faz uma revisão do código laboral, se lhes pergunte o que quer que seja. Tem de se perguntar ao povo. Quando eu me sindicalizo não estou a depositar no sindicato confiança para me representar na criação da lei, mas para outra coisa. Vejamos se nos entendemos: os sindicatos representam o povo para uma coisa, os deputados para outra. Também acho que os deputados não têm legitimidade para, enquanto tal, mediarem problemas laborais.

E quando se mexe nas regras da saúde não se fala aos médicos, e quando se fala da defesa não s ouvem os militares, e quando se fala da educação não se ouvem os professores. E por aí fora...

Os deputados têm uma legitimidade, para elaborar, discutir e votar as leis da republica,claro. Mas não o fazem no vazio. Quanto a mim fazem.-no de forma mais informada e sensivel se ouvirem trabalhadores e patrões (porque já agora... falemos da lgitimidade democática da CIP, por exemplo).

Como eu não duvido que os deputados, sobretudo os que estão mais ligados à governação têm ligação directa aos patroes, e muitas vezes se confundem com estes,... é do mais elementar equilibrio, quanto a mim, defender a participação dos vários actores sociais nas decisoes que a eles dizem directamente respeito.
l.rodrigues a 2 de Julho de 2009 às 08:25

arquivo do blogue
2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


pesquisar