A máfia da blogosfera
29
Jun 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 19:32link do post

José Pacheco Pereira, como já do conhecimento de toda uma vasta área que compreende Portugal e uns arredores, talvez exagero, tem um programa a título individual na Sic Notícias. Isto por si só não é bom nem mau - é uma decisão da televisão, que, ao que sei, ainda é privada. No entanto, não me parece disparatado que faça uma pequena, qual pequena, gigantesca crítica ao programa e à estação.

Aqueles quinze minutos, um período absurdamente curto, da dimensão de um intervalo, são apenas um tempo de antena do PSD. Não sei se é feito com o beneplácito da direcção, coisa que não me agradaria, mas a verdade é que ali não se comenta comunicação social, ali comenta-se política. Vamos analisar, ponto por ponto, o que disse JPP.

Começou com uma crítica à notícia do Expresso, que não li, sobre o novo porta-voz do PS. Se tinha alguma razão quanto à «lufada de ar fresco», foi infeliz ter aproveitado a maré para chamar atenção para as polémicas de Tiago Silveira. Aquele piscar de olho faz-se num artigo do Público, da Sábado, no Abrupto ou na Quadratura do Círculo - oportunidades não lhe faltam. Depois, quando pegou nos suplementos do Correio da Manhã, fez ali um exercício rebuscado que não se percebeu, ou melhor, percebeu-se, mas não se entende como é que encaixa no programa: afinal aquilo foi um elogio ao excelente trabalho jornalístico que é ter uma secção de classificados? Infeliz, mais uma vez. Quanto à crítica à utilização do termo tabu, JPP disse algo que me deixou um tanto, e pedoem o disfemismo, chocado, cito de memória: há palavras que a comunicação social não pode usar. Suponho, mas isto é apenas a minha desgraçada mania da liberdade e da democracia, que os órgãos privados de comunicação social têm o direito a utilizar as palavras que bem entendem. Se eles não podem utilizar termos como tabu, ou outros que JPP lá saberá, teremos então de criar uma poderosa polícia da comunicação, mais poderosa que a ERC, para riscar essas palavras feias que estragam os títulos.

Nem tudo foram coisas más. Aliás, estranho seria que assim fosse. A introdução foi muito certeira, na questão da submissão do povo ao Estado, do respeitinho parolo e tudo mais e a apresentação do livro do João Gonçalves foi também bastante positiva.

Enfim, muito PS, muito José Sócrates escondido aqui e acolá, muita campanha, pouca análise séria e objectiva. JPP bem avisa no início que o seu programa não será isento, que é de opinião, mas não é preciso chegar a tanto. É certo que uma opinião não é isenta por natureza, mas é sempre agradável quando contém alguma lucidez.

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