A máfia da blogosfera
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Mai 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 09:58link do post | comentar

Tenho plena noção de que a educação sexual é essencial para o crescimento saudável. Aliás, só um tonto, deparado com as gravidezes precoces e as doenças sexualmente transmissíveis, pode afirmar o contrário. No entanto, isto não faz com que eu apoie a proposta de criar uma cadeira obrigatória nas escolas para educação sexual. Não apoio porque não se pode retirar aos pais a responsabilidade de decidir sobre o quando, sobre o como e sobre o quê.

Uma boa introdução desta disciplina nas escolas será tornando-a facultativa. Afinal, se é assim tão importante não haverá alminha que não queira lá o seu infante. Desta forma, os pais podem escolher colocar ou não os seus filhos conforme for a sua percepção dos resultados da medida. Pessoalmente, se na escola de um filho meu o professor de Educação Sexual não fosse um bom professor ou se eu considerasse que o programa da disciplina não era adequado gostaria de ter a liberdade de dizer que não queria que ensinassem aquilo daquela forma ao meu filho.

Um disparate autêntico, esse sim sem qualquer base de sustentação, é a distribuição de métodos contraceptivos nas escolas. Isto chamava-se autismo, agora trata-se de alheamento da realidade. A JS ao propor uma coisa destas está a propor dar à escola o papel de centro de saúde. Sim, porque nos Centros de Saúde distribuem-se métodos contraceptivos de forma gratuita e é aí que, a ser oferecidos, devem sê-lo e não numa escola. Já para não dizer que nunca daria a um filho meu preservativos dos centros de saúde, porque a verdade é que o barato sai caro.


Tens alguma universidade pública em que não se ensine o evolucionismo?

Não. E não pode, felizmente, haver nenhum curso privado de biologia em que ele não seja ministrado. Mas isto acontece porque há um organismo nacional que acredita os cursos.

Desejo o mesmo para a Educação Sexual. Os conteúdos têm que ser validados de acordo com os consensos científicos.

Mas aí concordamos. Em que medida é que isso invalida que a disciplina possa ser optativa?

Não deve ser optativa porque acreditamos que é um assunto fundamental para todos.

Pedro, há muitas coisas fundamentais para todos, no entanto, o colectivo, a maioria, não pode chamar a si o direito de obrigar a que essas coisas se façam. Por exemplo, é do conhecimento geral que fumar mata, mas não faz sentido que a maioria impessa a minoria de ir por maus caminhos.

Forçar uma coisa destas iria ter efeitos muito preversos. Croi moi. Ao ver isto como «mais uma disciplina», os jovens, em vez de a aproveitarem, iriam querer livrar-se dela. Deve funcionar de um modo distinto e de forma optativa: só vai quem quer. Precisamente porque não é curriculo (como Matemática ou História), mas sim formação pessoal. Faça-se optativa e, mais cedo ou mais tarde, todos acabam por querer tê-la. Olhe, em vez de termos os alunos todos a aprender ES para o próximo ano, íamos demorar cinco ou seis, e depois? Já esperámos desde os anos 80, ao menos que agora, a fazer-se, se faça como deve ser.

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