A máfia da blogosfera
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Mai 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 09:58link do post

Tenho plena noção de que a educação sexual é essencial para o crescimento saudável. Aliás, só um tonto, deparado com as gravidezes precoces e as doenças sexualmente transmissíveis, pode afirmar o contrário. No entanto, isto não faz com que eu apoie a proposta de criar uma cadeira obrigatória nas escolas para educação sexual. Não apoio porque não se pode retirar aos pais a responsabilidade de decidir sobre o quando, sobre o como e sobre o quê.

Uma boa introdução desta disciplina nas escolas será tornando-a facultativa. Afinal, se é assim tão importante não haverá alminha que não queira lá o seu infante. Desta forma, os pais podem escolher colocar ou não os seus filhos conforme for a sua percepção dos resultados da medida. Pessoalmente, se na escola de um filho meu o professor de Educação Sexual não fosse um bom professor ou se eu considerasse que o programa da disciplina não era adequado gostaria de ter a liberdade de dizer que não queria que ensinassem aquilo daquela forma ao meu filho.

Um disparate autêntico, esse sim sem qualquer base de sustentação, é a distribuição de métodos contraceptivos nas escolas. Isto chamava-se autismo, agora trata-se de alheamento da realidade. A JS ao propor uma coisa destas está a propor dar à escola o papel de centro de saúde. Sim, porque nos Centros de Saúde distribuem-se métodos contraceptivos de forma gratuita e é aí que, a ser oferecidos, devem sê-lo e não numa escola. Já para não dizer que nunca daria a um filho meu preservativos dos centros de saúde, porque a verdade é que o barato sai caro.


Só uma dúvida: porque é que os pais não podem escolher "quando, sobre o como e sobre o quê" ensinar Matemática ou História aos filhos e deveriam poder escolher "quando, sobre o como e sobre o quê" ensinar-lhes Educação Sexual?
Pedro Morgado a 17 de Maio de 2009 às 02:43

Eu defendo que os pais, juntamente com os filhos, devem poder escolher o quando, o como e o quê sobre as outras disciplinas. Sou coerente nesta ideia, e já o escrevi uma vez no Corta-fitas.

Como bem compreendes isso contribuiu para acentuar as desigualdades sociais.

Em que medida?

Os pais escolherem juntamente com os filhos o curriculo destes últimos aumenta desigualdades?

Num quadro de escolas públicas autónomas que, à semelhança das universidades, apresentassem programas próprios e em que os alunos pudessem escolher que escola frequentar, não vejo inconveniente.

Não se trata de puritanismo ou conservadorismo saloio como já escrevi aí algures. Trata-se de tratar com seriedade um tema que merece tal tratamento. A Educação Sexual de qualidade não pode funcionar como mais uma disciplina. Não é currículo. Eu quando me candidato a uma empresa não digo que tive 19 valores em ES. É uma área de formação distinta e como tal tem de ter um tratamento distinto. Para além disso, Pedro, ambos sabemos que nem todos os jovens são iguais. O simples facto de não haver uma idade-padrão para início da puberdade (há quem a comece aos 13, há quem a comece aos 17) já condiciona toda esta questão.

Na medida em que os filhos de famílias com menos recursos (económicos e/ou sociais) sairiam verdadeiramente prejudicadas.

Ó Pedro, mas como?

Se a disciplina era gratuita e bastava fazer uma cruzinha para a frequentar, como é que pode haver desigualdade?

Os pobres não percebem que a Educação Sexual é importante? Muito pelo contrário. Acredito que haveria mais barreiras levantadas pelas famílias de elevados recursos, geralmente mais conservadoras.

Obviamente que haveria lugar para muitos tipos de desigualdades. E, pior que tudo, a Educação Sexual teria um forte pendor ideológico em muitas das instituições de ensino, forçando os filhos de algumas famílias a nunca virem a ter contacto com uma educação sexual verdadeiramente abrangente e de base científica.

Mas vamos dessexualizar a ideia. Imagina que uma família não queria que o seu filho tivesse contacto escolar com o evolucionismo. Aquela criança estaria amputada de um conceito científico fundamental, crescendo no obscurantismo medieval, e, como tal, em situação de clara desvantagem relativamente aos seus colegas educados num contexto de respeito pelo conhecimento científico.

Pedro, acredito que seja óbvio que haveria desigualdades, mas ainda não consegui atingir. Se conseguires concretizar em que medida é que uma ES optativa traz desigualdades poderei até, quem sabe, concordar contigo.

Pedro, as instituições continuariam públicas e o Estado é laico, logo, não haveria pendões ideológicos ou erros científicos. Tens alguma universidade pública em que não se ensine o evolucionismo?

Tens alguma universidade pública em que não se ensine o evolucionismo?

Não. E não pode, felizmente, haver nenhum curso privado de biologia em que ele não seja ministrado. Mas isto acontece porque há um organismo nacional que acredita os cursos.

Desejo o mesmo para a Educação Sexual. Os conteúdos têm que ser validados de acordo com os consensos científicos.

Mas aí concordamos. Em que medida é que isso invalida que a disciplina possa ser optativa?

Não deve ser optativa porque acreditamos que é um assunto fundamental para todos.

Pedro, há muitas coisas fundamentais para todos, no entanto, o colectivo, a maioria, não pode chamar a si o direito de obrigar a que essas coisas se façam. Por exemplo, é do conhecimento geral que fumar mata, mas não faz sentido que a maioria impessa a minoria de ir por maus caminhos.

Forçar uma coisa destas iria ter efeitos muito preversos. Croi moi. Ao ver isto como «mais uma disciplina», os jovens, em vez de a aproveitarem, iriam querer livrar-se dela. Deve funcionar de um modo distinto e de forma optativa: só vai quem quer. Precisamente porque não é curriculo (como Matemática ou História), mas sim formação pessoal. Faça-se optativa e, mais cedo ou mais tarde, todos acabam por querer tê-la. Olhe, em vez de termos os alunos todos a aprender ES para o próximo ano, íamos demorar cinco ou seis, e depois? Já esperámos desde os anos 80, ao menos que agora, a fazer-se, se faça como deve ser.

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