A máfia da blogosfera
17
Mar 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 18:12link do post | comentar

Numa escola básica de Barcelos o Ministério da Educação, através da DREN (que é sempre bom lembrar que não são organismos independentes), implementou um projecto inovador: juntar 17 ciganos numa turma e dar-lhes aulas num contentor separado do resto da escola. A bizarria não tem nome. Segundo os responsáveis, esta é uma "discriminação positiva", com o fim de dar aos alunos, cuja raça, ao que parece, os coloca numa situação escolar complicada, um tratamento privilegiado, para que possam ter melhores resultados. Com isto, aquele contentor tem miúdos dos 6 aos 18 anos que aprendem tudo juntos.

O pior de tudo isto é que a decisão foi tomada em Julho, sendo que desde Setembro que esta coisa está a acontecer e nem os pais, nem a Junta de Freguesia, nem o Conselho Executivo, nem sequer as concelhias partidárias foram capazes de denunciar esta situação. Passou-se tudo debaixo das barbas de toda a gente sem que ninguém se importasse com o assunto.

Certamente tudo isto será muito bom para os saudosistas do outro tempo. Eu por mim, estou envergonhado.

 

[na imagem, "outro exemplo de discriminação positiva" dado pelo Rodrigo Moita de Deus]


Sim, contentor... monobloco: vai tudo dar ao mesmo. O cerne da questão não é o tipo de instalação, é o facto de haver uma instalação própria para ensinar ciganos: todos os ciganos

Caro Tiago,

Não advogando nem uns nem outros, até porque sou também oriundo do concelho de Barcelos (sui generis numa série de matérias), aplicar a palavra "contentor" neste contexto específico parece-me um abuso. E explico porquê: são dezenas, largas, as salas de aula que, por motivos vários, funcionam em "contentores". E saudosos os tempos das salas "provisórias" de madeira... que duravam 20 anos... provisoriamente.
Ou seja, o facto de a sala de aula ser um "contentor" (por acaso com melhores condições que muitas "salas" verdadeiras), em nada diminui per si a dignidade do acto de ensinar e aprender.

A outra questão: há já longas semanas que a imprensa local tinha dado fé da situação em Barqueiros, situação essa que era, há muito, do conhecimento de várias entidades com responsabilidades na área.
Não defendendo que este seja uma boa ou má ou possível solução "provisória" do problema, é certo que a imprensa dá conta que, segundo os responsáveis, esta foi a melhor solução assumidamente temporária para 17 crianças que, de todo, não frequentavam a escola.

E, admitamos, são um grupo de gente de facto "diferente" da tal maioria "socializada". São "diferentes" porque simplesmente não tinham nenhum hábito escolar.

Mas concordo com o geral dos comentários bloguistas: não é o caminho.


Talvez seja o caminho possível neste preciso momento. Observemos!
Dario Silva a 18 de Março de 2009 às 09:06

arquivo do blogue
2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


pesquisar