A máfia da blogosfera
13
Mai 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 19:06link do post | comentar

Este país é o primeiro dos filhos da hipocrisia. No discurso do 25 de Abril o Presidente da República pediu aos partidos políticos contenção nas despesas de campanha, em solidariedade para com os afectados pela crise. Ora, eu pergunto-me para que é que os partidos precisam de ter qualquer tipo de contenção se, olhando para a lei do financiamento dos partidos, recentemente alterada, existe um montante superior a 4 milhões de euros de subvenções públicas para distribuir pelos concorrentes. Destes 4 milhões, 20% são repartidos igualmente por todos os partidos que tenham eleito um candidato. Sendo que apenas cinco partidos o farão, haverá 160 mil euros para cada um. Os restantes 80% são distribuídos conforme os resultados eleitorais. Atendendo a que, segundo as sondagens, os dois principais partidos terão cerca de 33% dos votos cada um, tanto o PS como o PSD receberão mais de 1 milhão de euros. Tudo somado, dará a cada um dos principais partidos mais de 1,2 milhões de euros de subsídios do Estado, dinheiro dos contribuintes, para afixar cartazes. Que estímulo terão estes partidos a reduzir os custos das suas campanhas se, afinal, o Estado lhes vai pagar a quase totalidade das campanhas?

A hipocrisia e os esquecimentos propositados neste caso, que apenas têm como finalidade esconder estes exemplos de podridão do regime, são o melhor dos retratos do que é este Portugal.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 18:40link do post | comentar

Com um painel de colaboradores que dificilmente se encontra noutros lugares, nasceu o Papa Myzena, um blogue que promente, mais não seja para denúncia dos abusos que se vão comentendo. É ler, reler e divulgar.


12
Mai 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 22:36link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Milton Friedman sobre a ganância e não só. Via Francisco Proença de Carvalho.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 17:16link do post | comentar | ver comentários (4)

Algumas correntes são bastante giras e, neste caso, não me atrevi a deixar de responder ao desafio do João Espinho, sendo que já lhe agradeci a referência no lugar devido, para nomear alguns blogues que são tão bons que até arrepiam. Faço tantas vezes links para blogues de política que até parece que não leio mais nada. E leio. Vou aproveitar esta possibilidade para referir alguns dos que considero os melhores blogues de escrita não política da nossa blogosfera. Desabafo, diário, delírio, literatura, coisas da vida e muito mais é aquilo que se pode neles ler. E tão bom que é. Ora venham eles:

 

Ana de Amsterdam

Com a luz acesa

Mátria Minha

Miss Pearls

O Regabofe

Sushi Leblon

 

E pronto, cá estão sete senhoras, sete luas diria o escritor, que merecem muito ter-nos como sôfregos leitores .


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 09:09link do post | comentar | ver comentários (5)

Ontem, curioso, assisti ao debate a treze da RTP. Com Fátima Campos Ferreira, essa senhora da comunicação, a moderar, os treze cabeças-de-lista às Europeias apresentaram as suas propostas. Agora percebo que foi uma perda de tempo.

Oito dos treze candidatos estiveram no programa a fazer figura de corpo presente, por descarga de consciência do direcção da RTP, certamente. Digo isto porque, e quem prestou atenção compreendeu, a maior parte do tempo foi gasto pelos cinco parlamentares e aos outros foi dada, aqui e ali, a oportunidade de dizer qualquer coisinha.

Ainda assim, foi possível espremer algum sumo. A shô dona Carmelinda, muito convicta do que dizia, perguntava, como se não fosse óbvio, porque é que não se nacionaliza a banca?, porque é que não se proíbem os despedimentos?. Coitadinha. O Miguel Portas ficou gelado quando, depois de mandar a boca da renovação total da lista do PSD, Paulo Rangel lhe respondeu que a renovação era um princípio básico de ética republicana que nem todos os partidos respeitam. Vital Moreira meteu os pés pelas mãos na questão da Elisa Ferreira e Ana Gomes, mostrou mais uma vez a desonestidade intelectual que possui e caiu no ridículo quando afirmou que a gestão do QREN por parte do governo foi excelente. Nuno Melo foi, novamente, o melhor em debate, não há nada a fazer. A Laurinda Alves esteve um pouco apagada e o discurso espiritual é muito Obama, no entanto, soube encaminhar o debate em determinadas alturas, principalmente quando estavam a discutir a questão dos impostos, matéria que não é da responsabilidade do PE.

Foi um mau programa, não permitiu a ninguém uma verdadeira exposição dos argumentos. Era mil vezes mais produtivo a realização de entrevistas individuais a isto.


11
Mai 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 22:10link do post | comentar | ver comentários (5)

Acho que há poucas coisas mais reveladoras da personalidade de cada um que a assunção do erro e a predisposição para a mudança. Amamos as nossas convicções, disse-me uma vez uma amiga. E é verdade. Mas é também verdade que não raras vezes nos enganamos e a emoção tem de dar lugar à razão. É disso exemplo o João de Brecht, que há uns meses publicou que tinha mudado drasticamente de posicionamento político e que vem agora reiterar o que afirmou nessa altura. É bom de ver, eu próprio ao longo dos últimos meses, com alguma dificuldade, confesso, vi as minhas ideias passarem da social-democracia para o liberalismo, graças ao Hayek, que é brilhante a analisar isso da 'social-democracia'. Houvesse mais gente com a humildade necessária para mudar de opinião e teríamos um mundo melhor.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 09:09link do post | comentar | ver comentários (1)

O ADN de Pinho, por João Gonçalves.


10
Mai 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 20:53link do post | comentar | ver comentários (3)

Falta um mês


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 19:17link do post | comentar

«Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível.
A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.
O que quero é fazer o elogio do amor puro.
Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade.
Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".
O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.
O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.
Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina.
O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima.
O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém.
Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado do que quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.»

 

Miguel Esteves Cardoso, republicado na Nós


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 14:50link do post | comentar | ver comentários (2)

Se calhar é demasiado forte, mas não posso deixar de dar alguma razão ao que escreve a Sofia Vieira. Igualmente forte e infinitamente conciso é o Henrique Raposo, com quem concordo plenamente.

Quando li, fiquei a pensar que a Sofia Bragança Buchholz anda a ler demasiadas orwellices, mas pensando bem, não sei.

O Vasco Lobo Xavier já nos habituou a um certo estilo, neste caso não desilude. E ainda bem que há gente assim.

Infelizmente o que escreve a Joana Carvalho Dias é incontestável. Valha-nos estar no lado mais tolerante.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 11:12link do post | comentar | ver comentários (8)

A Educação é, sem dúvida, um dos pilares essenciais numa sociedade. A nossa, em particular, dá-lhe tanta atenção que a nacionalizou, criando-se um monopólio do Estado que, como todos os outros monopólios, deu mau resultado. As decisões centralizadas, os programas iguais para todos, os exames nacionais, tudo isso e muito mais acabou por tornar a Escola Pública um fiasco. Mas, e tenho de o admitir, a culpa não é só do facto de ser pública, mas também do facto de a gestão pública ter sido muito má. Olhemos para as universidades portuguesas, também elas públicas, pelo menos as mais importantes. As universidades públicas em Portugal são, regra geral, muito melhores e muito mais creditadas que as privadas. Então, onde reside a diferença?

Autonomia é a palavra. As universidades portuguesas, ao contrário das escolas, têm liberdade na criação de currícula, na realização dos exames e, muito mais importante que tudo isto, há liberdade por parte dos estudantes para escolher a sua universidade. Com as escolas, nada disto acontece: o Estado determina os programas, escolhe os professores, realiza os exames e impõe a escola que cada um deve frequentar. Isto, obviamente, deu mau resultado pelo simples facto que não há concorrência e os erros sucederam-se. Por isto, e já que esta reforma deu tão mau resultado, julgo que algumas mudanças iriam melhorar substancialmente o ensino em Portugal: deixar ao critério das escolas a contratação de docentes, deixar ao critério das escolas a criação dos programas, deixar ao critério das escolas a realização dos exames e, por fim, permitir aos jovens escolher a escola para onde querem ir. Ao contrário do que se possa pensar, isto levaria a um aumento da exigência, tal como acontece no ensino superior, pois uma escola mais exigente é uma escola com mais crédito na sociedade e, consequentemente, mais procurada pelas famílias. Só através de uma verdadeira autonomia e descentralização da decisão se poderá ter uma Escola Pública melhor. Até se perceber isso, permaneceremos assim.


09
Mai 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 21:57link do post | comentar | ver comentários (2)

«Há uns tempos, enviaram-me um mail que mostrava um texto que Eça escrevera para um jornal a criticar a situação política e social do fim do século XIX. Há mais de 100 anos atrás. E, espantada, verifiquei que aquele texto, que aquela crítica podia ter sido escrita para a edição do PUBLICO de Domingo. Podia ser um texto escrito para hoje.» Daniela Major

 

Tivéssemos nós a sorte de ter uma nova Geração de 70 nesta terra, que nos abrisse os olhos e nos metesse os dedos nas feridas. São coisas que não voltam nunca, por isso, recordemos.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 15:57link do post | comentar

Capa preta, dura como deve ser, folhas brancas, lisas, e um bolsinho no fim, que nunca utilizo, coitado, onde veio e lá ficou um folheto a contar a história da coisa. Ai o Picasso, ai o Hemingway, que usavam, e suponho que bem, caderninho semelhante para os apontamento vários a que as mentes pensadoras certamente obrigavam. Bom para eles, na verdade pouco me interessa quem o usou. Era o mesmo que dizer que vou comer maizena porque o não sei quem também comeu. É tonto, tontinho. Começo agora a achar até inútil todo este intróito, mas não apago, que dá trabalho e disso não gosto nem quero. Continuando, que o delírio há-de ter um propósito, descobri este camarada quando dei por mim cheio de papéis, papelinhos, rascunhos de mensagens de telemóvel, mãos com cruzinhas desenhadas e mais uma série de lembretes e registos daquilo que pela cabeça me ia passando. E que incomodativo era quando não tinha nem papel, nem caneta nem bateria e as ideias acabavam por voar, que, vendo bem, é mesmo assim. Agora tudo é melhor. Tenho-o sempre comigo e escrevo-o sempre com a mesma caneta, nem sei o que faço quando a tinta acabar, calhando sou gajo para comprar outra. E é assim que um tipo louco com coisas por fazer e falta de vontade para elas faz um panegírico a um caderno, que estupidez, para que todos leiam como é estranhamente perturbadora a relação do homem e do objecto.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 13:39link do post | comentar

É com um comentário que, houvesse pachecos à esquerda, se apelidaria de situacionista que Maria João Avillez começa a entrevista a Manuela Ferreira Leite, publicada hoje no i. É a única coisa menos boa, verdade se diga. O trabalho fotográfico está excelente e a entrevista de três páginas inteiras foi mais esclarecedora que qualquer aparição televisiva do último ano. Com uma honestidade que salta à vista, sem jogos de palavras nem fugas, nem as promessas a que estamos habituados nas vésperas de eleições, Manuela Ferreira Leite responde a tudo e confesso que me deixou, em algumas partes, de boca aberta, nomeadamente quando Maria João Avillez lhe diz que «o país não queria, nem mais um segundo, o PSD a governá-lo» e Manuela Ferreira Leite responde simplesmente que «Não quis o Dr. Jorge Sampaio. Alguém que claramente defende a estabilidade governativa mas que derrubou uma maioria absoluta no Parlamento. Julgo que é caso único na democracia» ou quando diz, sobre um cenário de bloco central com José Sócrates que «é absolutamente inviável, porque se há pessoas diferentes no país somos eu e o Engenheiro José Sócrates. Há casamentos que à partida sabemos que não funcionam».

Mas não esqueçamos que temos aqui uma política experiente, uma pupila de Cavaco, e quando Manuela Ferreira Leite diz que não haverá crise política em cenário de maioria relativa, não o faz de forma inocente. Salvaguarda-se para o possível milagre. Jogada arriscada, principalmente vinda da número dois do último governo do PSD que, curiosamente, e a fim de ter uma maioria absoluta, se coligou com o CDS.

Tirando tudo isto, que são apenas os focos de atenção, as notícias sobre a notícia, vale muito a pena ler a entrevista no seu todo. Mais do que isso, seria um exercício muito interessante comparar esta a uma entrevista a José Sócrates e tirar daí conclusões.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 12:19link do post | comentar | ver comentários (2)

O J.M. Coutinho Ribeiro, com quem concordaria caso o texto fosse escrito noutro contexto, parece esquecer-se que a revisão à lei do financiamento dos partidos foi proposta pelo PSD e pelo PS e que todas as alterações que vieram foram feitas a partir de discussão na Assembleia da República. É por isso impossível que os deputados social-democratas, bem como os socialistas, não conhecessem o diploma. Refira-se ainda que a alteração proposta era muito coerente e muito bem feita e que as alterações à proposta foram feitas essencialmente à custa da Festa do Avante. Sim, é verdade, o Parlamento nacional faz leis gerais a pensar em casos específicos. Lamentável.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 09:34link do post | comentar

Ontem estive na apresentação do livro do Henrique Raposo, A Caipirinha de Aron. Tirando o facto de o auditório da Feira do Livro ser um barracão, pior, uma barraquinha que mais parece uma estufa, foi bastante bom. A apresentação foi feita pelo Rui Ramos e pelo Pedro Mexia que, verdade se diga, são mestres na arte: os esperados elogios, mas também um bom humor que, com dificuldade, se batia com o ar pesado da sala. O Henrique foi o último a falar e, mais do que falar do seu livro, aproveitou para elogiar e agradecer ao seu Aron (Rui Ramos) e à sua Caipirinha (Pedro Mexia) - isto lá foi mais másculo, asseguro. No final, claro está, comprei o livro e pedi a dedicatória. A caipirinha, ó títulos enganadores, ficou para outro dia.

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08
Mai 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 09:22link do post | comentar | ver comentários (2)

maldita inveja. sinto um palpitar no peito quando leio aquilo que só de dentro pode vir. leio verdadeira arte feita de letras e palavras e sons e ideias e depois penso se consigo. e não, não consigo. não sei inventar metáforas lindas que não lembrariam ao diabo, e para que se use tão amiúde este ditado é porque é grande a criatividade do cornuno, não sei inventar histórias que não aconteceram nunca e dificilmente altero histórias que aconteceram já. dizem que ler é mais importante que escrever. que se foda quem o diz. se não houver quem escreva as maravilhas que por aí se lêem, não há quem possa ler. idiotas.

vêem, e isto é uma pergunta na qual não quero por ponto de interrogação porque é feio, é de todos os pontos o mais feio. já me irritei com isto. maldição. é ir lendo, pode ser que alguma coisa entre, influencie, afinal, fala-se tanto das influências deste e daquele que, vai na volta, um gajo aprende a arte sem ser propriamente artista, mas apenas observador, no caso leitor, atento. enfim, é voltar para a realidade das parvoíces dos mandantes e das parvoíces dos serventes. é isso que somos não é, nova pergunta, serventes de pedreiros, que de obras percebem muito pouco. e lá vem a metáfora política. porra. e o delírio que nunca mais acaba e agora pensei que se calhar era melhor nem publicar isto, que ainda me julgam louco. de louco todos temos um pouco, já lá diz o povo e sem razão nenhuma, que loucura é coisa que não tenho na cabeça. e agora estou a achar piada a isto, já passou a inveja, ora, somos todos amigos e camaradas nisto de meter a mão na massa da nossa língua. vá, vou parar, já estou a cansar e já estou cansado. foi bom este bocadinho.


07
Mai 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 17:32link do post | comentar

Passa-se sempre o mesmo. Em situações de desaceleração ou contracção das economias, os governos, pressionados pelos trabalhadores e sindicatos, fecham portas aos imigrantes. Para quê? Para que os nacionais não sejam picados no seu emprego. Isto é um completo disparate, tanto economica como eticamente.

Economicamente é um disparate pelo facto de que uma economia fechada, seja a empresas seja a pessoas ou produtos, é sempre uma economia atrasada: não há competitividade de agentes estrangeiros e os nacionais permanecem com as mesmas características ad aeternum.

Eticamente é condenável porque, se é certo que estamos a passar maus bocados, é também certo que noutros países os bocados serão piores, bem piores. E é extremamente interessante ver essa comunidade internacional cheia de boas vontades a querer enviar 'ajudas', 'apoios' e 'incentivos' para África e Ásia em tempos de vacas gordas, quando mandar uns milhões não custa nada, e ver essa mesma comunidade internacional esquecer tudo isso e não permitir aos africanos e asiáticos aquilo que há de mais básico: procurar uma vida melhor num país diferente. Não estão a pedir subsídios, apoios, ajudas: não estão a pedir peixe, estão a pedir que os deixem pescar e nós dizemos, simplesmente, não, que não há peixe para todos. É absurdo e triste.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 15:28link do post | comentar | ver comentários (1)

Como não podia deixar de ser, comprei o i. Quando lhe peguei, assustei-me: o tamanho e os agrafos de lado, muito à 24Horas, faziam adivinhar um tablóide, e eu tenho medo de tablóides, mas, calhando, será como disse o Pessoa: primeiro estranha-se, depois entranha-se. Depois, abri o jornal. A primeira coisa que reparei é que o i vai ter, muito provavelmente, a melhor opinião dos diários nacionais. Porquê? Para além de não ter apenas opinião sobre política, chegando até a haver uma coluna da Marta Crawford aos Sábados, os colunistas são de excelente qualidade. O grafismo não é mau, gosto mais do do Público, mas também não sou especialista. Quanto às notícias e aos textos, ainda não li tudo, mas pareceram-me francamente bons. Resta dar os parabéns a quem por lá escreve, alguns dos colaboradores são até bloggers, como é o caso do Paulo Pinto Mascarenhas e do Pedro Rolo Duarte, e desejar boa sorte para o futuro. Esperemos, mesmo, que tudo mude na imprensa nacional.


06
Mai 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 21:53link do post | comentar | ver comentários (3)

Estou cansado.

Dois dias sem escrever um textinho que seja para amostra, dois dias em que só vim a casa para dormir. Hoje foi quase, quase o terceiro. Tenho comentários interessantíssimos à espera de ser respondidos, tenho textos noutros blogues que gostava de comentar, ouvi há pouco falar de uma nova entrada no mercado da electricidade português e li aqui e ali qualquer coisa sobre maizena. Tinha vontade de falar disto tudo e mais qualquer coisinha, que da fama de fala-barato não me livro. Mas hoje estou cansado. Amanhã, se não for tarde demais, escrevo sobre tudo isto e ainda sou gajo para publicar aqui o que fui dizer hoje à Gulbenkian.

Agora, estou cansado, sei que me estou a repetir - é do cansaço, e vou ler. O último a sair que apague a luz e feche a porta.


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