A máfia da blogosfera
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 11:01link do post | comentar

Pelo blogue da revista Ler, soube de um excelente artigo no New York Times sobre António Lobo Antunes, escrito por Dwight Garner.

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publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 08:28link do post | comentar | ver comentários (3)
«A legalização do casamento gay implica contestar o princípio do casamento tradicional, definido como uma união entre dois indivíduos de sexos opostos e sem laços consanguíneos. Então, a lei resultante não deverá distinguir entre o direito de dois indivíduos do mesmo sexo, não aparentados entre si, a casar e adoptar filhos, e o direito de três indivíduos consanguíneos e do mesmo sexo à união matrimonial e à adopção. Dito de outro modo, será lógica e juridicamente inadmissível a legalização do casamento homossexual, caso se recuse o seu corolário mais extremo – nomeadamente, o casamento homossexual incestuoso poligâmico

 

Este é um excerto de um texto de Manuel João Ramos, publicado no Sorumbático. Decidi copiar para aqui por ser dos mais lúcidos textos que tenho lido sobre o assunto. Ele está coberto de razão na análise que faz. No entanto, apesar de não concretizar o seu posicionamento, creio que se retiram das entrelinhas que é contra a legalização do casamento homossexual, novamente por ter feito uma redução a um absurdo que não é absurdo.

 


21
Fev 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 18:17link do post | comentar | ver comentários (3)

A Comissão Europeia deseja limitar os prémios distribuídos aos banqueiros, uma cultura que os leva a correr riscos inconsiderados e que provocou a crise financeira mundial, indicou hoje José Manuel Durão Barroso.

 

A União Europeia quer impôr limites ao que os donos das empresas ganham com as suas empresas. É preciso dizer mais alguma coisa?


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 13:38link do post | comentar | ver comentários (5)

Sou a favor que o Estado permita o casamento entre pessoas do mesmo sexo. E assumo esta posição por achar que é ridículo que o Estado vede o direito a duas pessoas fazerem uma coisa que não afecta absolutamente mais ninguém.

O Eduardo Nogueira Pinto levantou no Prós e Contras um argumento interessante: dado que, naturalmente, de uma relação homossexual não virá descendência, não faz sentido que o Estado interfira. Não faz sentido que o Estado se ponha na cama das pessoas, como ele várias vezes repetiu. E é verdade. O Estado não tem de se pôr na cama de ninguém e está a fazê-lo. Ao existir já um contrato disponível ou havendo a possibilidade de duas pessoas celebrarem um contrato similar, ao proibi-lo, o Estado está a interferir. Está, efectivamente, a pôr-se na cama das pessoas.

Um outro argumento utilizado é o da redução ao absurdo. É muitas vezes frustrante este argumento, pois como defende o Pedro Arroja, por cá não se consegue pensar no abstracto. Então a redução ao absurdo que se faz, por exemplo pelo Francisco Mendes da Silva é, em linhas gerais, dizer: se permitimos que haja casamento homossexual devemos permitir que haja poligamia. O problema é que não há aqui absurdo nenhum. Ainda ninguém me conseguiu explicar por que razão é que não é permitida a poligamia em Portugal. É moralmente errado um indivíduo assinar um mesmo contrato com várias pessoas?

Colocados todos estes problemas ao casamento civil, não seria muito mais útil discutir o próprio casamento civil e os seus limites legais? Essa sim, seria uma discussão interessante.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 12:50link do post | comentar | ver comentários (1)

1. Parabéns à Sofia Vieira pelo quinto aniversário do excelente Controversa Maresia.

2. O Daniel Santos mudou-se do Blogger para o Sapo. Mais um para a família.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 12:44link do post | comentar

Aviso por causa da Moral - Francisco José Viegas, n' A Origem das Espécies

Liberal à moda antiga - Tomás Vásques, no Hoje há conquilhas

Medo e ridículo - Paulo Tunhas, no ABC do PPM

A minha primeira vez - Carlos Barbosa de Oliveira no Crónicas do Rochedo

Não se faz - Eduardo Pitta no Da Literatura

O trabalho e a crise - Tiago Loureiro no Espelho Mágico

A pior crise desde 1929 - Pedro Lains

Um branco de carapinha ou um preto de cabeleira loura não é normal - Pedro Marques Lopes, no Sinusite Crónica

 


20
Fev 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 22:07link do post | comentar | ver comentários (1)

Sobre isto, lembro isto.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 21:46link do post | comentar


 

 

(Via Blasfémias)

 

Ver também: O que causou a crise


19
Fev 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 20:49link do post | comentar | ver comentários (3)

Em toda esta história da censura feita pelo Ministério Público à satirização do Magalhães no Carnaval de Torres Vedras levanta em mim duas preocupações.

Em primeiro lugar o próprio acto de o MP proibir uma actividade carnavalesca apenas por ir ridicularizar o novo símbolo nacional, pois certamente não há ali atentado ao pudor, que as mulheres dos carros alegóricos andam mais nuas que as expostas no magalhães versão Carnaval. É censura política da mais descarada, inadmissível num país pretensamente democrático, e digo pretensamente pois acredito cada vez mais que a democracia aqui é fachada.

Em segundo lugar impressiona-me a forma como isto está a ser encarado. Parece um fait-divers da coisa pública, uma coisa sem importância, sendo que até os próprios comentadores, das duas uma, ou não comentam o assunto ou comentam com uma leviandade que só mostra que já estamos habituados. A habituação leva a que o choque se dissipe em muitas pessoas. Pessoalmente, acho tudo isto inaceitável e se, por mero acaso, tivesse alguma influência no Carnaval de Torres Vedras, levaria isto até às últimas consequências. É com merdinhas destas que a liberdade nos vai fugindo e é muito fácil chegarmos ao ponto de não retorno.


18
Fev 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 22:33link do post | comentar | ver comentários (1)

 

 

Tourist agencies were contacted on Wednesday by officials and told to cancel all trips for the foreseeable future. "We had a meeting with the tourist bureau and were asked to stop all groups from entering Tibet for at least the next couple of months," said Wan Feng, at Tibet Yak Travel. (18/02/09 in Daily Telegraph)

 

Numa nova demonstração do que é o mais profundo desrespeito do Partido Comunista Chinês pelos tibetanos, o Tibete vai ser fechado durante os próximos meses. O itálico com que editei a palavra até poderia ser retirado, não fosse o caricato. Por esta altura assinalam-se os 50 anos do exílio do Dalai Lama e, por isso, vários grupos de monges têm feito manifestações. O governo, obviamente, repreende-as, mas fazê-lo não chega. É preciso que o mundo não veja as fragilidades depois da demonstração de força que foram os Jogos Olímpicos. Novamente a China revela-se podre, do mais podre que pode haver. E a força que a economia lhe dá apenas adia a mudança inevitável no sistema político. Relembrando uma frase de Napoleão, dita numa altura em que da China nem um pio se escutava e que nunca esteve tão certa como agora: "quando a China despertar, o mundo estremecerá".


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 19:51link do post | comentar | ver comentários (3)

O Al Kantara, que já posso considerar um velho amigo blogosférico (desde um debate numa caixa de comentário do 31 da Armada sobre a questão do Dia da Raça protagonizada pelo Presidente da República no dia da inauguração deste blogue), deixou-me um desafio. A Ângela já o tinha feito, mas como acho que neste mundo sem caras que é a blogosfera, é sempre engraçado dizermos qualquer coisa que nunca dizemos nos posts normais.

 

1. Tenho imensa dificuldade em fazer listas como esta

2. Não acho graça nenhuma a cinema

3. Gosto muito da poesia de Fernando Pessoa

4. Gostava de ir um dia para a London School of Economics

5. Sou fã dos Contemporâneos

6. Sou fã dos Simpsons

 

Agora lanço o desafio a outras seis pessoas: Luís Novais Tito, Sofia Vieira, João Severino, Jorge Ferreira, Maria Manuela e à Margarida Corrêa de Aguiar.


16
Fev 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 20:43link do post | comentar | ver comentários (3)

Nos anos 50 do século passado, numa ilhota das Caraíbas, um grupo de homens, entre os quais se destacavam Fidel Castro e Che Guevara, quiseram dar início àquilo que chamaram revolução.

Mais de 50 anos depois, na mesma região do mundo, Hugo Chávez concretiza o seu desejo de perpetuar a sua revolução, levando a referendo a alteração constitucional que lhe permite manter-se no poder indefinidamente. Depois de ter perdido no último referendo graças aos esforços dos jovens fartos do regime, Chávez não deu hipótese e o único resultado possível foi o "Sim", mesmo quando pessoas queriam votar não, a máquina impunha a sua vontade.

A revolução, a mudança, a esperança, levam multidões a entregar os seus destinos e os destinos de quem a seguir vier nas mãos de escumalha como esta. O discurso manipulatório e sensacionalista, que pega nas mais evidentes fragilidades de cada um e as explora até à exaustão continua a ser o mais directo caminho para assumir as cadeiras do poder. Já na antiga democracia grega os sofistas o faziam. Mais de dois mil anos depois, tudo está igual. Ontem, hoje e sempre. Viva la Revolutión.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 20:28link do post | comentar | ver comentários (1)

On Monday morning's Today Show, Ann Curry's interview with the former president — recorded over the weekend outside a Clinton Global Initiative event in Texas — addressed Clinton's inclusion on TIME's list of the "25 People to Blame" for the global economic collapse. "Oh no," he responded, "My question to them is: Do any of them seriously believe if I had been president, and my economic team had been in place the last eight years, that this would be happening today? I think they know the answer to that: No." (See TIME's list of the 25 people to blame for the collapse) (Time)

 

Então o ex-presidente Bill Clinton considera que não foi o responsável pelo actual colapso económico. O ex-presidente Bill Clinton considera que se estivesse na Casa Branca nos últimos oito anos, nada disto tinha acontecido. Vejamos então, de novo, este vídeo divulgado pelo Ordem Livre:

 

 


15
Fev 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 08:56link do post | comentar | ver comentários (4)

 

Sentido de Estado

 

Antes de mais cumpre-me agradecer o convite do Tiago para aqui deixar umas breves palavras e a sua cordialidade desde que pela blogosfera começámos no início deste ano a trocar algumas impressões. É porque é para isso mesmo que eu acho que essa deve servir, para trocar ideias, para debater pontos de vista.
Desta feita, proponho-me brevemente discorrer sobre o sentido de estado, conceito cuja inversão de palavras deu origem ao título lá do meu cantinho blogosférico principal. Mas mais do que dissertar academicamente, até porque o sentido de estado é daqueles conceitos que estará quase no plano dos conceitos de vontade geral, bem comum ou interesse nacional, ou seja, padece de uma indefinição por definição que permite uma certa flexibilidade na invocação e utilização de tais conceitos, quero apenas concisamente aplicar à prática política quotidiana portuguesa o seu significado.
No caso do conceito de sentido de estado, parece-me que existem diversas posturas de estadista que qualquer um facilmente consegue reconhecer rapidamente, ao passo que me parece ser ainda mais fácil identificar precisamente aquelas posturas de determinadas personalidades que, pelo menos em determinados momentos, desse não se revestem. E digo isto a pensar precisamente em determinada personalidade que representa em bruto as piores características do povo português.
Se até há bem pouco tempo pensava que seria arriscado mudar de governo em 2009, num contexto da crise internacional da actualidade, parece-me que a nação necessita urgentemente de uma qualquer mudança de ares que a faça recuperar alguma moral necessária para enfrentar as dificuldades deste ano que ainda agora começou. E como em democracia as mudanças fazem-se recorrendo a eleições, convinha de facto escolher alguém que possa ter sentido de estado. Haverá por aí alguém?
 
Samuel de Paiva Pires, do blogue Estado Sentido

14
Fev 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 21:40link do post | comentar | ver comentários (1)

O Ocidente, amedrontado, cede gradualmente o seu direito à liberdade de expressão para não irritar os extremistas islâmicos. O fenómeno não é de agora e o Economist tem um excelente artigo sobre o que tem sido todo este processo.

 

Two decades ago, on 14th February 1989, Salman Rushdie received one of history’s most notorious Valentine greetings. Ayatollah Khomeini, then Iran’s Supreme Leader, issued a fatwa (a religious edict) calling for the death of the Indian-born British author in response to his novel, “The Satanic Verses”. Khomeini called on all “intrepid” and “zealous” Muslims to execute the author and publishers, reassuring them that if they were killed in the process, they would be regarded as martyrs.

Rarely had a book stirred up such intense feelings. Hitoshi Igarashi, its Japanese translator, was stabbed to death. Ettore Capriolo, the Italian translator and William Nygaard, the book’s Norwegian publisher, were stabbed and shot respectively, although both survived. Bookshops were bombed and the tome was burned in public across the world. Mr Rushdie, fearing for his life, was forced into hiding. (...)

 


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 20:18link do post | comentar

Lembrei-me a propósito desta notícia de um texto do Álvaro Santos Pereira sobre a natalidade e mortalidade das empresas. Na altura não identifiquei propriamente a causa da situação em que nos encontramos: somos o terceiro país da UE com menor taxa de natalidade de empresas e temos uma taxa de sobrevivência que ronda os 95%. Afinal, não é assim tão difícil de perceber.

No que ao trabalho diz respeito o indivíduo tem duas opções: ou trabalha para outro ou cria o seu emprego. Como sabemos, em Portugal, o trabalho por conta de outrém é extremamente protegido e vantajoso, ao passo que a criação de uma empresa envolve encargos avultadíssimos, para além do risco inerente à criação de uma empresa, ainda há todo um conjunto de obstáculos criados pelo próprio Estado aos "aventureiros" (burocracia, gastos com essa burocracia, impostos e responsabilidades sobre os trabalhadores).

Assim, ao pesar os prós e os contras de cada uma das vias, é óbvio que o comum mortal vai optar pela segurança do trabalho por conta de outrém e apenas quem está acima da média vai realmente avançar com algum tipo de negócio. Como apenas estas pessoas o fazem, é óbvio que as empresas vão ser bem sucedidas, mais não seja pela falta de concorrência.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 20:15link do post | comentar

O artigo é vasto, mas muito interessante. Aqui.


13
Fev 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 10:31link do post | comentar | ver comentários (1)

Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena

 

Fernando Pessoa, Mensagem


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 09:46link do post | comentar

Muita gente tem medo dos azares que uma sexta-feira treze possa trazer. É legítimo. Eu, por exemplo, fico com pele de galinha sempre que 'passo' uma terça-feira vinte e três. Coisas minhas. Mas já que hoje é sexta-feira treze, faço um pouco de serviço público e explico o fundamento desta superstição, que já é mais velha que o Darwin.

Já todos ouvimos falar dos Cavaleiros do Templo, ou, dito de outra forma, da Ordem dos Templários. Esta Ordem cujo propósito era evangelizar as terras infiéis, foi criada no ano de 1119. Após a sua criação, cresceu imenso e por toda a Europa houve gente a entrar nela. A rede era extensa, cobria todos os países europeus, incluíndo Portugal.

Com toda esta extensão, a Ordem começou a ganhar poder e influência. Eram-lhe dadas terras e bens por quem nela entrava e pelos próprios Estados. Foi com os Templários que se criou o primeiro sistema bancário, muito rudimentar é certo, mas ainda assim inovador. O poder da Ordem era francamente avassalador e tanto Reis como a própria Igreja começaram a temê-la e a invejar-lhe as "economias". Assim, em 1307, duzentos anos depois da sua criação, o Rei francês Filipe IV, o Belo, mandou encarcerar todos os templários, acusando-os de heresia e queimando na fogueira os seus líderes. Tudo isto aconteceu no dia 13 de Outubro de 1307, sexta-feira.

A partir daí, a superstição sobre as sextas-feiras treze enraizou-se, até porque nem todos os templários morreram, muitos conseguiram fugir ou receber apoio de alguns reis, como foi o caso do nosso D. Dinis que criou a Ordem de Cristo, que em muito nos ajudou nos descobrimentos do século XV e XVI.

Está explicado.

 

Também publicado aqui.


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