A máfia da blogosfera
24
Jun 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 15:08link do post | comentar | ver comentários (2)

Há reformas que antes de implementadas já têm avaliação feita. Normalmente essas avaliações são duvidosas, apesar de legítimas. Mais credíveis e acertadas deveriam ser as avaliações feitas depois de implementadas as reformas. Infelizmente, não são.

A ideia de um debate, seja quinzenal seja o que for, entre Parlamento e Executivo é de um absurdo tal que até é estranho haver necessidade de escrever este post. Vamos ver se nos entendemos: Governo executa, Parlamento fiscaliza. A fiscalização do Parlamento não pode basear-se num esquema de debate. Quando o Parlamento pergunta algo ao Executivo, não pode vir desse Executivo uma resposta torta, ou uma reprovação em relação à pergunta: tem de vir uma resposta, caso haja possibilidade de a dar. O que acontece hoje nos debates quinzenais é uma vergonha e um desrespeito pelo povo. Os deputados da Assembleia da República são representantes do povo e apenas estão ali porque seria inconcebível que dez milhões de pessoas fossem quinzenalmente para uma sala. Por isso mesmo, quando o governo fala com os deputados nunca por nunca pode ser de forma impertinente como é estilo de um Primeiro-Ministro a que nos habituámos.

A reforma deveria ser abolida. Quem tem de debater são os deputados entre si e o governo baixa as orelhas e responde ao que o povo pergunta.


07
Jun 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 19:34link do post | comentar

Este episódio, que por acaso aconteceu com Maria de Lurdes Rodrigues e Ana Drago, mas que poderia ter acontecido com qualquer outro deputado ou ministro, é sintomático da falta de capacidade de compreensão da natureza das instituições por parte de quem lhes pertence. Fiquei mais alerta para este fenómeno, que vou confirmando quase diariamente, com as crónicas do Henrique Raposo que denúncia de forma constante e muito acertada esta doença que a nossa democracia parece ter. Vemos aqui que em nenhum dos lados há um comportamento acertado. Ana Drago, deputada, tem de fazer perguntas concretas sobre o trabalho do executivo. Senhora ministra, que me diz sobre as 50 escolas e agrupamentos sem director. Questões eleitorais e tudo mais ficam à porta do Parlamento. A pergunta feita está completamente mal colocada. Quanto à ministra da Educação, que não deveria ter respondido como se estivesse num debate, porque ali não está a haver um debate mas sim um prestar de contas, esteve mal ao atacar directamente a deputada. Apesar de a pergunta ter sido despropositada, não continha propriamente uma ofensa. E mesmo que contivesse, nada justifica uma resposta assim. Nada justifica isso e nada justifica que um membro do governo vá ao Parlamento fazer perguntas aos deputados. Isso então é so mais absurdo a que se pode assistir. E, para mais, perguntas como as que foram colocadas. O Parlamento não é o Prós e Contras e quem nele está tem de compreender isto.

Ambas as senhoras tiveram um comportamento lamentável, mas nada a que não estejamos habituados. Desta vez foram elas.

Primeiro Aniversário: Faltam 3 dias

09
Mai 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 12:19link do post | comentar | ver comentários (2)

O J.M. Coutinho Ribeiro, com quem concordaria caso o texto fosse escrito noutro contexto, parece esquecer-se que a revisão à lei do financiamento dos partidos foi proposta pelo PSD e pelo PS e que todas as alterações que vieram foram feitas a partir de discussão na Assembleia da República. É por isso impossível que os deputados social-democratas, bem como os socialistas, não conhecessem o diploma. Refira-se ainda que a alteração proposta era muito coerente e muito bem feita e que as alterações à proposta foram feitas essencialmente à custa da Festa do Avante. Sim, é verdade, o Parlamento nacional faz leis gerais a pensar em casos específicos. Lamentável.


18
Mar 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 17:40link do post | comentar | ver comentários (3)

Se há coisa que a "popularização" dos debates parlamentares veio trazer, através das transmissões na televisão, foi a criação de um clima de campanha permanente dentro do Parlamento. Não se compreende, ou não se quer compreender, a lógica do funcionamento da instituição. O Parlamento, constituído pelos representantes eleitos dos cidadãos tem como utilidade a fiscalização do governo, que lhe presta contas sobre a actividade executiva. Trocado por miúdos, o governo é o tipo contratado que vai ao Parlamento prestar contas ao chefe. É por ainda ver o Parlamento desta forma que fico boquiaberto com o tom como os Primeiros Ministros (não só José Sócrates) se comportam naquele espaço, atacando os deputados eleitos pelo povo, destratando-os e acusando-os de coisas menos próprias.

Aquilo não é um congresso, aquilo é a casa onde se traçam os destinos da nação, o que me leva a crer que não fazia mal nenhum um retratamento por parte de alguns dos intervenientes.


28
Jan 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 17:38link do post | comentar | ver comentários (2)

O debate parlamentar está a deteriorar-se a olhos vistos. A suposta argumentação é apenas uma extensão da propaganda política e da luta partidária por mais votos, menos votos. Veja-se o debate de hoje: sem uma linha de orientação decente, sem a discussão de um assunto verdadeiramente sério e importante para a realidade nacional, apenas com um lavar de roupa suja e um diz-que-disse, no mínimo, desnecessário. O pedido de esclarecimento sobre o "alegado" - como diz o Carlos Nunes Lopes - estudo da OCDE foi extremamente pertinente, mas de repente, como é hábito, a discussão descambou: não se ouviu a assunção da mentira por parte do Primeiro Ministro que passou o tempo a ler o panegírico prefácio. Depois veio o PS falar, coisa que acho inútil, porque José Sócrates já fala pelos cotovelos para dizer o mesmo. Deve ter sido Providência Divina, caso exista, a roubar a voz à deputada que estava há quase 20 minutos a lamber-botas, que as listas estão aí estão a ser feitas. Francisco Louçã levantou, e bem, a questão das ilegalidades associadas às off-shores, lamentável foi a resposta de José Sócrates, que dizia que não podíamos tratar das nossas enquanto os outros não tratassem das deles: a cauda da Europa. Uma espécie de deputado dos Verdes falou dos 150 mil postos de trabalho, questão que até eu acho absurda. Por muito paradoxal que possa parecer, tirando a questão do "alegado" estudo da OCDE, nada foi debatido no "debate quinzenal" (com aspas mesmo).


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