Passa-se sempre o mesmo. Em situações de desaceleração ou contracção das economias, os governos, pressionados pelos trabalhadores e sindicatos, fecham portas aos imigrantes. Para quê? Para que os nacionais não sejam picados no seu emprego. Isto é um completo disparate, tanto economica como eticamente.
Economicamente é um disparate pelo facto de que uma economia fechada, seja a empresas seja a pessoas ou produtos, é sempre uma economia atrasada: não há competitividade de agentes estrangeiros e os nacionais permanecem com as mesmas características ad aeternum.
Eticamente é condenável porque, se é certo que estamos a passar maus bocados, é também certo que noutros países os bocados serão piores, bem piores. E é extremamente interessante ver essa comunidade internacional cheia de boas vontades a querer enviar 'ajudas', 'apoios' e 'incentivos' para África e Ásia em tempos de vacas gordas, quando mandar uns milhões não custa nada, e ver essa mesma comunidade internacional esquecer tudo isso e não permitir aos africanos e asiáticos aquilo que há de mais básico: procurar uma vida melhor num país diferente. Não estão a pedir subsídios, apoios, ajudas: não estão a pedir peixe, estão a pedir que os deixem pescar e nós dizemos, simplesmente, não, que não há peixe para todos. É absurdo e triste.