Assino por baixo o texto Solidariedade do Jorge Assunção.
Depois surge também aquela conversa de café do crise, qual crise?. Já estamos habituados. Se vemos gente na ponte para ir para a Caparica no dia do Corpo de Deus, franzimos o sobrolho e com aquele tom irónico lançamos para o ar, a ver se pega, aquele Ainda dizem que estamos em crise. Se vemos gente a beber uma bica a seguir ao almoço, idem. Claro que se com tão singelas coisas fazemos estas figuras, quanto mais se vemos um clube a comprar com o seu dinheiro um jogador. Cai-nos o carmo, a trindade e mais umas coisas. É como se todos tivéssemos de viver em crise quando alguns a vivem. Malditos aqueles que não sofrem e que apanham sol nos dias feriado. Queime-se na fogueira esse Cristiano e acabe-se com esse Real Madrid, que não consigo ter tanto como eles.
Se é certo que saudade não se consegue traduzir para mais nenhuma língua, é certo também que a inveja, a nossa, dificilmente se transpõe para outros povos. Isto a propósito de o Real Madrid ter comprado o Cristiano Ronaldo por 93 Milhões de euros. É uma fortuna, não há dúvidas. Mas a verdade é que o facto de o ser em nada nos afecta. O Real, ao que se sabe, não roubou a ninguém para poder fazer esta compra. Fê-la com dinheiro seu. Vejo por aí escrito que se trata de uma imoralidade, que o Real não tinha o direito de fazer o que fez, que ninguém vale tanto dinheiro e até é perguntado à malta se é aceitável que a transferência tenha sido feita nestes termos. Tudo isto é ridículo e apenas poderiam ser colocadas estas questões por um povo cuja principal característica é a inveja e cujo principal propósito é satisfazer essa inveja. Dê por onde der.