A máfia da blogosfera
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Ago 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 21:49link do post | comentar

Ao contrário de muitos, em Setembro não me faço de esquisito e vou ao Avante. Não sou comunista, nem tão-pouco social-democrata. Não interessa. Não me pedem que exponha a ideologia que perfilho.

Entro naquelas portagenzinhas do tempo da outra senhora, vagueio pelas bancas inúteis que, nas suas «montras» expõem horrorosos lenços, pulseiras manhosas, brincos que Deus me livre, calças de palhaço e camisolas que nem adjectivo. Ando mais um pouco naquele relvado desfeito e avisto o palco principal, para o qual confluem todas as ruelas daquele oásis socialista que anualmente se cria, para inglês ver. Nas ruelas que confluem, que ver bonito: confluir, encontramos as banquinhas de sempre, vendendo o hambúrguer e a bifana do Porto, de Setúbal, de Vila Real, da Guarda, de Santarém e do resto dos distritos representados – em todos se faz o hambúrguer e a bifana de forma diferente. Se não nos decidirmos entre a especialidade portuguesa, sempre podemos ceder ao imperialismo americano e dar um saltinho ao KFC, para comer uns franguinhos fritos.
Cansados de andar ao sol e a comer que nem alarves, vamos à maravilhosa feira do livro. Temos tudo (aposto que este ano os livros da Isabel Alçada que a Caminho edita vão estar escondidinhos), começando pelas edições Avante – que são geralmente mais baratas na Fnac (é o imperialismo francês) – e continuando por todo um conjunto de editoras que querem estar ali.
Livros comprados, sem factura, que o IVA anda pela hora da morte, saímos para o sol abrasador de novo. Percorremos a confluente rua até ao mais importante dos palcos e vemos uma banda daquelas que gritam muito. Com sorte – como este ano, é por isso que vou – ouvimos gente como a Maria João e o Mário Laginha, a Teresa Salgueiro ou os Clã, os Blind Zero ou o David Fonseca. E, senhores, dá-se a maravilha do evento: do nada começa o retumbar das colunas (que instrumentos é coisa do passado) e ouve-se a Carvalhesa. Como cães aflitos para mijar, os comunas – e aqui, só aqui, se vê quem é comunista e quem é visitante de ocasião – correm desalmados para saltar em conjunto, colectivamente. Arrepia.
Fatigados de tanta andança, saímos do palco principal e vamos até à lagoazinha cuja margem já parece um oásis dos ricassos. A zona verde da Atalaia. Encontramos os cafezinhos, as esplanadas, finda-se o camaradismo e até podemos usar uma casa de banho. Sentados, esperando o nada, vemos o sol pôr-se e, no fim, saímos. Tudo isto na sexta-feira. Sábado e domingo há mais e igual.

força camarada.
Daniel João Santos a 11 de Agosto de 2009 às 17:54

"Entro naquelas portagenzinhas do tempo da outra senhora, vagueio pelas bancas de inúteis que, nas suas «montras» expõem horrorosos lenços, pulseiras manhosas, brincos que Deus me livre, calças de palhaço e camisolas que nem adjectivo."

Meu caro amigo só quero dizer isto, " Que nunca tu e os teus tenham o poder nas vossas mãos"... Não sei explicar o quanto desprezo quase todas as tuas opiniões e lamento que se tenha criado um jovem como tu, tão fraco em valores neste nosso Portugal.
Diogo Teles a 14 de Agosto de 2009 às 03:26

Tu és um tipo perturbado, ó Teles. É que conseguiste mesmo despontar a minha pena (feito extraordinário, quando se trata de um jovem sem valores). Boa sorte com a vida, pá!
TMR a 14 de Agosto de 2009 às 09:34

Era exactamente essa a resposta que estava a espera. Muito obrigado, agora vou comprar uma calças de palhaço e uma camisa que não lembra ao Diabo, e substituir pela minha camisa aberta até ao terceiro botão e as calças justas de fazenda. Caro rapaz, tu tens uma capacidade intelectual notável, não a estragues a escrever sobre preconceitos que só existem na tua cabeça.

E teres pena de mim, porque rejeito a tua forma de abordar o assunto, só demonstra uma grande falha na forma como abordas a vida e os outros.

Com todo o respeito, sem ironia:
Diogo Teles
Diogo Teles a 14 de Agosto de 2009 às 12:11

Sem respeito algum, Diogo, deixe-me dizer-lhe que quem padece do diabólico preconceito é você. Eu escrevi um texto para ter graça, porque se andava a falar de avante a torto e a direito sabe a malta lá de cima porquê. Dizer que eu tenho preconceitos porque não gosto da roupa que se vende no avante e dizer que sou uma péssima pessoa, um triste produto deste nosso Portugal, apenas porque o próprio Diogo não consegue expressar o desprezo que sente pelo que eu penso é do domínio da demência.

Não costumo - não gosto - dar seguimento a discussões ocas como estas. Não suporto as pessoas que chegam aos blogues - e são tantos como você ó Diogo - e deixam apenas a sua caganita desagradável, o seu insulto fácil. De qualquer modo, deve ser deste abrasador Estio, apeteceu-me responder-lhe desta vez, porque me pareceu que apenas precisava de um pequenino diálogo (lá está a minha peninha a brotar de novo).

Agora, de vez, boa sorte p'rá vida, que nem aos malucos desejo mal (tão mauzão que sou, filho do Diabo, na certa).
TMR a 14 de Agosto de 2009 às 12:41

Desculpe se foi um insulto, simplesmente foi uma opinião, e é sim a palavra Inúteis " que me deixa desiludido. E sabe porque? Porque mesmo não tendo o mesmo ideal politico, é talvez um, dos poucos, jovens que vejo com maior capacidade de questionar e interrogar sobre a vida politica, social e económica deste nosso Portugal. Enfim talvez o tenha abordado de forma violenta e sem sentido ( a tal caganita como diz). Mas de facto depois de acompanhar as sessões bloguisticas com alguns dos lideres políticos da actualidade, achei que era uma pessoa mais ponderada nas suas palavras, e chamar de inúteis, os que lhe parecem menos "úteis" é não ter respeito pelos outros.

"Porque me pareceu que apenas precisava de um pequenino diálogo", não tenha pena de quem não conhece, tenho pena de si por se achar superior pois de facto a pessoas como você , capazes a todos os níveis , o que lhes falta muitas vezes é um pouco de humildade. "Insulto", não me insulte você com jogos de palavras dignas de um romance de Dostoevsky.

Enfim não o aborreço mais, com toda a admiração, sem ironia novamente:

Diogo Teles
Diogo Teles a 14 de Agosto de 2009 às 16:19

Serenados os ânimos, posso responder-lhe como respondo «normalmente».

Agora que me chamou a atenção para essa parte do texto, fui reler e sinceramente não me apercebi que tinha escrito «bancas de inúteis». A ideia era «bancas inúteis» e sim, da forma como escrevi (de que só agora me apercebo) fui ofensivo e não era esse o objectivo - a ideia era brincar com a festa, nada mais. Vou corrigir assim que a minha lentíssima Internet mo permitir.
E não tento fazer-me superior a ninguém. Aliás, até acho que o acaso tem sido um bom companheiro, se é que me entende. Destratei-o porque me destratou, apenas isso. Tenho (pode verificar por si) muitas vezes longos debates nas caixas de comentários aqui do blogue e quase sempre (senão mesmo sempre) com pessoas que discordam radicalmente de mim, mas que respeito e com quem até se criaram laços interessantes.
Agradecendo os exagerados elogios, peço apenas que das próximas vezes que comentar aqui O Afilhado não entre «a matar» (é que já criei uns anticorpos manhosos, que há demasiadas pessoas a vaguear na blogosfera apenas e só para insultar os autores).

Cumprimentos apaziguadores,

TMR
TMR a 14 de Agosto de 2009 às 16:45

Tiago, pois de facto "entrei a matar" e por isso peço desculpa. Tal como você criou anticorpos a essas pessoas, neste "Verão Quente" eu criei uma especial de reacção manhosa a críticos políticos de meia tigela que agora saem da toca com um e só um objectivo, dar nas vistas. E não é que eles escrevem com cada disparate que chega a roçar o absurdo. Você sabe isso melhor que eu com certeza . E ao ler um dos primeiros posts e deparar-me com um "bancas de inúteis ", pensei para mim as 3 e tal da matina, " Mas este rapaz pareceu-me tão certo e agora saísse com uma destas" , decidi comentar e acreditando ou não, e este é o facto pelo o qual deve ter pena, estou enviado em casa á dois dias a ler "A montanha mágica " de Thomas Mann o que me levou a escrever de forma tão irracional e infantil, pois é assim que na verdade me sinto.

Agora que li mais alguns dos seus posts , não tendo sempre a mesma opinião como é obvio, cá vão os meus parabéns.

Diogo Teles
Diogo Teles a 14 de Agosto de 2009 às 17:06

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