A máfia da blogosfera
04
Ago 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 22:49link do post | comentar

Concordo ali com o João Gonçalves. As listas dos partidos são uma completa questão lateral. O regime em que vivemos está alicerçado na eterna disciplina partidária que torna completamente inútil discutir quem vai, quem fica.

Não é por acaso que de fora das listas ficam as pessoas que numa democracia saudável exerceriam o poder: os competentes, os intelectuais, os sábios das várias áreas. Assim, temos gente que vai por trendinices, gente que vai por cunha, gente que vai para encher, gente que vai para que o favor seja retribuído. E não vale de nada dizermos, muito determinados, que isso tem de mudar sem que façamos alguma coisa para isso mudar.
A receita é simples: acabe-se com a lei do financiamento dos partidos e reveja-se a lei eleitoral para que, por um lado, movimentos independentes de cidadãos possam concorrer e, por outro, o voto preferencial seja uma realidade. Se isso não acontecer, não me venham falar de listas.

Oi Tiago,

Não podia discordar mais contigo. A lista dos deputados é essencial principalmente no sistema politico em que vivemos.

No sistema actual são os partidos que têm a palavra, por isso a nós só nos resta esperar que as listas sejam o mais democraticas possiveis.
Que os partidos respeitem ao máximo, pelo menos as suas bases.

Ontem não aconteceu isso, e não aconteceu num partido em que se gabava de que a sua maior força residia no seu pluralismo o que ainda agrava mais a situação.

Ontem venceu o conservadorismo e populismo, o centralismo e perdeu a liberdade de expressão.

A minha duvida é: dado os valores que tu defendes como é que ainda manténs o apoio a um partido que é tão contra o que tu defendes?
João Cardiga a 5 de Agosto de 2009 às 14:53

Caro João,

Eu até concordo consigo em teoria, o problema é que no Sacro-Império Social Democrata as bases não existem, o que existe é o "aparelho". Barões concelhios e Príncipes-Eleitores nas Distritais, com o Presidente do Partido transformado, muitas das vezes, no Sacro Imperador, com um estatuto mas com pouco poder efectivo.

A partir do momento que o líder do Partido é eleito, deve ter total poder para constituir as suas listas e a sua equipa como bem lhe apetecer. Deve CONSULTAR os orgãos do partido mas não passar disso, de uma consulta.

Ou como dizia um meu Bisavô, para despero da minha Bisavó e do meu Avô, após pedir a opinião deles sobre um qualquer assunto: "Gostei muito de ouvir a vossa opinião, mas agora vamos fazer como eu quero que seja feito."
Carlos Duarte a 5 de Agosto de 2009 às 15:20

Aos dois:

Idealmente, seria perfeito que os partidos tivessem óptimas listas. Seria perfeito que os membros dessas listas fossem cabeças bem pensantes e que dessem um contributo sério para a política em Portugal.

A questão essencial é que em Portugal isso não é assim. Os deputados são completos eunucos que apenas anuem à decisão do líder. É nojento, mas é assim.

Fiquei muito triste, honestamente, por ver o que o Conselho Nacional fez com as listas, penso que há gente que não deveria estar e penso que ficam a faltar demasiados; no entanto, se os que faltam fossem para lá iriam fazer precisamente o mesmo que estes. Teríamos um parlamento cheio de bibelôs bonitinhos e muito inteligentes a engolir sapos todos os dias.

Mude-se o sistema e, aí, acharei verdadeiramente relevantes as listas. Até lá, mais vale que fiquem os idiotas e que os inteligentes não se vão desperdiçar naquele antro de lambe-botismo.
Tiago Moreira Ramalho a 5 de Agosto de 2009 às 16:06

Caro Tiago,

É óbvio que as listas não interessam para nada porque... são listas! Vc. só resolve o problema com círculos uninominais e círculo nacional de correção (e mesmo assim, mal).

No entanto, considero mil vezes melhor o líder (ou a líder, neste caso) impôr as suas listas do que estas serem "impostas" pelas Distritais. As distritais (ou concelhias, ou o que quer que seja) devem ser orgãos consultivos ou, se quiser, delegações.

A analogia deve ser de uma empresa como várias delegações: quem nomeia os directores das delegações é o director-executivo! O mesmo se passa para as Câmaras Municipais, em que quem deveria escolher o candidato seria o Presidente do Partido, após consulta dos orgãos locais.

Apesar de eu abominar a frase, tem de existir confiança política! Alguém que se propõe a um projecto de âmbito nacional não pode por-se a jeito para levar facadas nas costas ou ter guerrilhas internas.

Se o líder for bom, irá apreciar ter vozes dissonantes mas leais à sua volta. O problema dos "yes man" coloca-se quando o líder é fraco e narcisista (acho que o exemplo nem precisa de ser dado...), não quando o líder é forte e tem carácter!

Malo benefacere tantumdem est periculum quantum bono malefacere.
Carlos Duarte a 5 de Agosto de 2009 às 16:59

Concordo até teres apresentado a receita.
Daniel João Santos a 5 de Agosto de 2009 às 19:13

Porquê?

Oi,

Peço desculpa por ainda não ter respondido (provavelmente terei mais tempo logo à noite).

No entanto escrevi um artigo sobre esta situação no Speakers corner que gostava de saber a vossa opinião. Aqui vai um link:

http://blog.liberal-social.org/ter-a-feira-negra

Um abraço,

João
João Cardiga a 6 de Agosto de 2009 às 12:52

Bem peço desculpa do atraso mas finalmente tenho um pouco de tempo para fazer uma resposta mais estruturada.

Antes demais eu gostava de dizer que tenho uma visão completamente diferente não só do parlamento, como do efeito da nossa acção (e da sua responsabilidade) e também do que é uma boa liderança.

Começando:

1 - Parlamento: ao contrário do que é afirmado, por ambos o parlamento tem dentro de si deputados que demonstraram um grande trabalho, deputados inclusive que votaram contra a disciplina de voto e outros que se votando, votaram em protesto (não me lembro da designação oficial). Mais, muitas vezes não existe disciplina de voto. Mas mais importante do que tudo é que o parlamento é o orgão máximo da nossa democracia e da representatividade. Uma actitude de indiferença quanto aos deputados é um actitude de indiferença perante a democracia, ou seja para vós é indiferente se existe ou não democracia, o que no caso Tiago, que conheço melhor, é bastante estranho dado os valores que ele defende. Mais um pequeno grande promenor, um deputado é soberano, se deixar de votar a favor do partido deixa simplesmente de pertencer ao partido mas não deixa de ser deputado!

2 - Acção: Esta é mais dedicada ao Tiago. Todos nós por mais infimo que seja temos poder, o poder de escolha, e a nossa escolha revela as nossas preferências. Assim podemos "refilar" à vontade, pensar em paraísos utopicos, mas se no fim de tudo se não se age em conformidade com os valores teoricamente defendidos então é porque os valores não são assim tão importantes. Mais tu não podes influenciar as listas, não podes influenciar a forma de gestão da líder, a unica coisa que realmente podes fazer é validar ou não validar essa acção. Isto é, tu vais a 27 de Setembro, dizer com a tua acção se concordas ou não com o que foi feito. E se concordares então tens de perder a esperança que seja alguma vez implementado qualquer das medidas que defendes, pois nessa altura estarás a dar um estimulo para que isso não aconteça...

3 - Gestão e Liderança: Esta é mais para o Carlos. Ao contrário do que tu dizes, nem nos privados isso é boa politica. Até na gestão nos privados existe estes conflitos e a forma de solucionar é encontrar soluções a meio termo (e neste caso estamos a falar de estruturas não democráticas). Qualquer medida feita desta forma dará um falhanço, ou mesmo colapso a curto e médio prazo. Pois também nos privados se sabe que tomar medidas completamente contra a estrutura base, mina a confiança e sem confiança não existe qualquer relação que perdure. Mais, este tipo de decisões são feitos por lideres fracos e com pouca capacidade, só eles é que necessitam de eliminar e silenciar a concorrência interna. Os grande lideres são agregadores e não exterminadores...

Uma ultima nota Tiago, em que medida é que o que tu defendes influenciaria o quer que seja no que se passou na Terça-feira?
João Cardiga a 6 de Agosto de 2009 às 20:44

arquivo do blogue
2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


pesquisar