A máfia da blogosfera
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Ago 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 10:27link do post | comentar

Há precisamente um ano e um dia atrás, Cavaco Silva fez uma comunicação ao país. Alertava os portugueses para o problema seríssimo do Estatuto dos Açores e da manifesta inconstitucionalidade da lei. No seu estilo, falou no tom elevado que lhe é característico: não cedeu à politiquice tonta, imprópria de uma instituição de tamanha importância. Um país inteiro fez ‘buh’ por o Presidente da República vir incomodar os portugueses em pleno verão com uma questão de extrema importância no equilíbrio de poderes. Os partidos óbvios vieram bramir contra a falta de oportunidade da intervenção. Jerónimo de Sousa insurgia-se contra o ultraje de incomodar o povo com os assuntos de Estado, enquanto a malta estava na Caparica.

A novela parlamentar foi o que foi. PSD ora a favor do Estatuto, ora contra o Estatuto, oscilando entre a avidez por votos açorianos e o respeito pela razão que Cavaco Silva tinha; os restantes partidos sempre a favor, sempre ávidos por votos e completamente indiferentes à razão do Presidente.
Um ano depois o Tribunal Constitucional deu razão a Cavaco Silva, que apenas agiu mal por não ter enviado todos os artigos de constitucionalidade duvidosa. À partida, quando um presidente veta uma lei alegando inconstitucionalidade, não é suposto que o Parlamento teime. Cavaco Silva enganou-se ao avaliar a responsabilidade e sentido de Estado dos deputados à Assembleia da República.
Um ano volvido e ninguém sai imaculado. Mas não há dúvida alguma que os partidos e os deputados, os representantes do povo, ficam infinitamente pior na fotografia que Aníbal Cavaco Silva. Mais uma prova que muita coisa tem de mudar no regime. A bem de todos.

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