A máfia da blogosfera
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Jul 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 17:07link do post | comentar

Com a cimeira do G8, que se alargou aos wannabes, têm surgido os costumeiros movimentos anti-globalização. Que essas pessoas sejam contra a globalização, eu até posso tentar compreender (apesar de não perceber o que é que vêem de mal no fenómeno). No entanto, parece-me absurdo que um conjunto de pessoas seja contra o que os outros países fazem. Os italianos podem defender o proteccionismo e o fechamento do seu país. Não podem, no entanto, vir dizer aos alemães, aos etíopes ou aos uruguaios o que fazer nas suas comunidades. Acredito que, no fundo, no fundo, aqueles movimentos até tenham algum argumento - é que ainda não ouvi nenhum -, mas não queiram decidir sobre o que o mundo faz. Tiranetes.


Julgo que num mundo globalizado faz todo o sentido a posição deles ;-)
Stran a 10 de Julho de 2009 às 17:20

Parece-me demasiado simplificado reduzir a anti-globalização ao proteccionismo.

Quanto aos argumentos, eu já li alguns e não me parece que queiram mandar no mundo. Querem tanto e tem o mesmo direito daqueles que querem mandar no mundo abrindo-o à globalização.
Daniel João Santos a 10 de Julho de 2009 às 20:07

Então diz-me lá o que é a anti-globalização... É que se não é a defesa do proteccionismo dos Estados, não sei o que é...

Desculpa o copy/paste, ok?

"Os opositores à globalização argumentam que esta gere a exploração da mão-de-obra e dos recursos naturais dos países do Terceiro Mundo e em desenvolvimento. As multinacionais apostam na deslocalização das empresas para os países que oferecem melhores condições de investimento, preço mais baixo da mão-de-obra e menor incidência fiscal sobre a economia e o movimento dos capitais. Essas multinacionais "sem rosto" secam os recursos naturais dos países do Terceiro Mundo e em vias de desenvolvimento e quando os abandonam levam a riqueza, degradam o ambiente e a economia social, denunciam as organizações não governamentais. Os Estados que se queiram impor contra a saída desses conglomerados correm o risco de sofrer sanções económicas por parte das grandes potências ou por parte de organismos internacionais. No topo desses organismos encontram-se o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio, segundo as mesmas organizações não governamentais.
Os subsídios atribuídos à agricultura europeia limita e inviabiliza a exportação dos produtos dos países menos desenvolvidos."

um abraço.

Daniel,

Há coisas aí que estão certas, outras que não.

Em primeiro lugar, as empresas transnacionais, que podem ter muitos defeitos, são responsáveis por milhões de pessoas terem saído da mais abjecta das pobrezas. De qualquer modo, os países podem sempre impedi-las de entrar. Porque não?

Quanto aos subsídios à agricultura na UE, esse texto está coberto de razão. Mas suponho que tu não queres o fim da PAC...

Podem impedir que elas entrem, mas ai esses países sofrem "sanções" por parte de outro poderosos. Já sabes o que acontece aos países que não alinham na ordem mundial. Estes países que impedirem a entrada destes parasitas industrias, atenção que nem todos as empresas são assim, estão a executar uma politica contrária aos que defendem a globalização.

Acredito numa politica agrícola comum, mas nã acredito numa politica que pague aos agricultores para não produzir e multe quem produza acima das cotas.

Se procurares, vais saber também que mesmo este opositores à globalização reconhecem alguns aspectos positivos numa globalização séria, construtiva e com regras, não numa globalização selvagem

Desculpa lá outra vez o copy/past, certo?

"Os opositores à globalização reconhecem que há fortes investimentos que beneficiam o meio ambiente, designadamente na melhoria da tecnologia utilizada por indústrias poluentes. São exemplos da emissão de gazes das indústrias, em geral, e dos automóveis, em particular, para a atmosfera. A indústria automóvel tem evoluído ao nível das várias componentes dos automóveis, utilizando materiais sintéticos e equipamentos mais evoluídos ao nível dos motores, minimizando os efeitos sobre o ar que respiramos. A evolução tecnológica estende-se aos refrigeradores e aparelhos de ar condicionado - reconhecem as organizações não governamentais -, admitindo que se está a criar um mercado ligado à protecção e recuperação ambiental. A lista inclui equipamentos de controlo da poluição, sistemas de coleta, tratamento e reciclagem de resíduos sólidos e líquidos e novas técnicas de produção."

Penso que a anti-globalização vai muito mais longe que um simples proteccionismo, envolve questões fundamentais, como a sociedade, o ambiente, os equilíbrios entre povos, a fome, etc.

Um abraço.

Não, não há sanções para quem recusa a entrada de empresas. Era, aliás, o que faltava. Na China, por exemplo, só se entra com autorização do partido comunista chinês.

O que disseste sobre a PAC é precisamente o que os defensores dizem para que ela não acabe: quero, mas não quero esta. A PAC é errada por princípio e se há países muito, muito pobres em África e América Central, é em grande parte culpa da PAC.

O proteccionismo, opondo-se à abertura, pode observar-se em todos esses domínios. O que digo é que quem é contra a globalização, o máximo que tem a fazer, é proteger-se dela, exigindo ao Estado que se feche. Votando em forças da extrema esquerda e da extrema direita, por exemplo.

Troco ideias contigo, acho muito interessante, mas discuto a globalização e não extremas "qualquer coisa".

Regulo-me pelo que acredito e não por definições.

Estás a falar da China, mau exemplo pela dimensão e potencial.

Falo de sanções de forma mais larga e não de multas por exemplo.

O que aconteceria se Portugal recusasse certas empresas "amigas da globalização" e um dia precisa-se de um empréstimo lá fora?

Receberia o que fazem aos outro, recebe o empréstimo se abrir ao exterior. Existem exemplos no mundo, a todos os níveis.

Para estarem em certas organizações e receberem certos apoios, os países tem de alinhar pela cartilha de outros, que lhes definem valores, ideias e até conceitos de democracia.

Presumo que lestes os textos que eu aqui coloquei, o ultimo mostra que pode existir um globalização racional. Acredito que não sejas defensor de um "vale tudo".

Ao defenderes a extinção da PAC estás a dar razão a esses que tu nem sabes o que eles defendem, como afirmaste no texto.

A minha posição não é de extremos, é uma posição de equilíbrios, que pode e deve existir.

Daniel,

Geralmente, quem é contra a globalização por princípio pertence a um dos extremos, pelo facto de serem nacionalistas. Mas podemos deixar os termos de parte.

Mau exemplo? Daniel, nos anos 50, quando a China se fechou, aquela terra não era nada! A China perdia guerras atrás de guerras. O potencial e dimensão chineses são coisa de 20 anos, mas o comunismo já tem 60.

Não sei como funcionam os sistemas de crédito para os Estados, portanto não te sei responder a isso.

Eu sou defensor da abertura das sociedades e das economias. Tudo dentro da lei e dos padrões éticos vigentes. E penso que a globalização actual, por si só, não viola nada. Claro que há sempre quem viole, mas isso é como tudo...

Se calhar o grande problema está na própria expressão "anti-globalização". Ao que me parece, algumas das reivindicações desses grupos são mais "ultra-globalização" (nomeadamente no que diz respeito a questões ambientais, laborais e fiscais) do que "anti-globalização".
Miguel Madeira a 11 de Julho de 2009 às 16:33

Muito bem visto. Por acaso nunca tinha visto a coisa por esse prisma, mas a verdade é que muitos dos movimentos quase querem um governo mundial que mande em tudo...

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