A máfia da blogosfera
05
Jul 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 18:22link do post | comentar

Se há uns tempos concordei com este tipo de análise, agora, após uma maior reflexão, percebi que é completamente errada.

Claro que quando um mesmo indivíduo se candidata a dois actos, principalmente quando tão próximos, mas mesmo que não estivessem, está a desrespeitar o povo que o elege: afinal, ele está em listas em cargos «elegíveis» e acaba por sacar o tacho à conta das outras figuras que pertencem à mesma lista. E, mais que isso, graças ao simbolozinho da lista.

Outra coisa completamente distinta, caro Tomás, e, já agora, Ana Gomes, é um indivíduo candidatar-se a um acto eleitoral e depois ser convidado a integrar um governo. Os deputados à Assembleia da República são muitas vezes convidados. O próprio Primeiro-Ministro vem da Assembleia da República, não cumprindo o seu mandato para deputado.

Lamento, apenas, que duas oportunistas, que o são e não temo a palavra, tentem criar em todos os casos um caso para tentar limpar a sua imagem. Tentem cobrir os outros com mantos de culpa para que a sua culpa seja menor. Pois que parem com a lamúria, que os dois casos não são nem parecidos.


Bem, sendo assim, existe esperança para ti! Se consegues perceber que andas enganado.
manuel gouveia a 5 de Julho de 2009 às 18:39

Também para ti...

Tiago,

Só um detalhe: em Portugal o PR convida o líder do partido mais votado a formar governo. Não há nenhum imperativo constitucional que obrigue esse líder a ter sido eleito deputado.
Em tempos idos (aí há 10/12 anos) Santana Lopes defendia que era o melhor líder para o PSD mas que o seu candidato a Primeiro Ministro seria Álvaro Barreto. Não é portanto necessário sequer que o líder do partido mais votado se indique a si mesmo.
No limite absurdo, se o PSD vencer as eleições e PPCoelho não for candidato a deputado nada impedia (...??) MFL de o indicar para PM.
O sistema inglês adapta-se muito melhor ao que dizes, pois todos os membros do governo têm que ser Membros eleitos do Parlamento.
Carlos
Carlos Santos a 5 de Julho de 2009 às 19:29

Eu sei que a Constituição não o obriga, mas em Portugal é o que se verifica sempre. Ou houve alguma situação diferente?

Além do caso recente de Santana Lopes que não é bem um exemplo canónico, penso que só em 78/80 nos "governos de inciativa presidencial" quando Ramalho Eanes estava no poder.
Em Portugal eu suponho que não há na III República outros exemplos. Embora, como digo, há 12 anos ou mais, SLopes fosse favorável a uma solução dessas.
Pessoalmente acho impraticável. A democracia tem 35 anos mas ainda é nova se compararmos com os EUA ou o RU. Assim, eu acho que há "uma necessidade de legitimar" o PM como líder do partido que vence. É uma tese minha, contudo. Nunca li nenhuma teorização sobre porque nunca se adoptou outra solução.
Tens alguma ideia?
Carlos
Carlos Santos a 5 de Julho de 2009 às 23:42

Carlos,

Santana Lopes substituiu Durão Barroso precisamente porque se tornou líder do maior partido com a saída dele.
Só depois de escrever o post me lembrei dos casos do Ramalho Eanes, mas é um belo exemplo.
Não pensei muito nisso. Talvez seja precisamente por causa da imagem: o líder do partido é o mais escutado e como se vota em caras ou clubes e não em ideias (até porque elas estão sempre a mudar dentro de cada partido), as pessoas não estariam à vontade para votar se nao soubessem quem iria ser o governante.

(Para soluccionar, eu até acho que deveria haver eleições para a AR e, depois, para o governo. Mas, novamente, digo que não pensei muito nisto)

arquivo do blogue
2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


pesquisar