A máfia da blogosfera
04
Jul 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 18:27link do post | comentar

Há muita gente que fala da mundividência de Manuela Ferreira Leite por esta ter dito que o TGV baixa o desemprego de Cabo-Verde e da Ucrânia. Pois, pessoalmente, acho que essas pessoas estão a fazer algo de extraordinário: estão a discutir etiqueta. Sim, porque o conteúdo das afirmações é, em grande parte, verdade - afinal, há assim tantos portugueses a trabalhar na construção civil? - o que muda é a forma de dizer. Uns dizem de forma educada, polida, chic até que o comboio não é construído cá e a maior parte das pessoas que trabalham na construção são pessoas que imigraram com esse único propósito, Manuela Ferreira Leite, sem jeito para a política, disse o que qualquer português percebe. Deixou de lado o politiquês. Se calhar não foi feliz, mas a questão é que todos contestaram a forma, enquanto em relação ao conteúdo nada conseguiram dizer.


Sempre achei curiosa a nossa relação com a verdade
Daniela Major a 4 de Julho de 2009 às 18:50

Tiago,

Essa podia ter tido destinatário identificado: não era muito difícil chegar lá. Suponho que terás presente que imigração legal paga impostos, contribuições para a segurança social etc. Se está legalizada, neste momento entra nas estatísticas do emprego ou do desemprego. Donde, se empregares imigrantes legais, estás a diminuir o desemprego em Portugal.
Dir-me-ás: mas as obras atrairão novas hordas de imigrantes. E? Portugal é dos países com menos moral para fechar portas. Vivemos muito tempo das remessas de emigrantes. Agora, eu duvido que essas hordas se produzam se houver uma afectação do trabalho aos imigrantes legalizados e aos cidadãos nascidos em Portugal que se disponibilizem para isso.
São poucos? Aí deixa de haver milagres. Estamos a tentar criar emprego. Se as pessoas não o aceitam, ele deixa de ser desemprego oficialmente.
Carlos Santos a 4 de Julho de 2009 às 21:03

Carlos,

Inspirei-me para o post no teu blogue, mas como isto já uma coisa tão dispersa, e já foi falado por tanta gente, achei que não fazia sentido nomear.

A questão é simples, Carlos. Eu não sou nada contra a vinda de imigrantes (muito pelo contrário, até), mas a questão é que estão a vender-nos o investimento público como fonte de emprego quando sabemos perfeitamente que este emprego criado é exercido muito mais por população imigrante que muitas vezes imigra precisamente por causa do investimento. E não é uma questão de não se querer fazer, Carlos, é uma questão de uns serem mais baratos e qualificados para que outros.

O investimento público até poderá ter virtudes, mas, por favor, não atirem areia para os olhos das pessoas e saibam dizer a verdade toda.

"...a questão é que estão a vender-nos o investimento público como fonte de emprego quando sabemos perfeitamente que este emprego criado é exercido muito mais por população imigrante..."

1. A tua segunda parte da frase não contrarie a primeira.

2. Aliás toda esta tese está montada no pressuposto de que o emprego é benefico consoante a nacionalidade do empregado, o que é uma afirmação xenofoba e só tenho pena que ninguém tenha tido a coragem de o dizer publicamente.

3. Como facilmente deves entender mesmo que o emprego directo seja maioritariamente para pessoas estrangeiras (o que não é negativo) ele cria indirectamente postos de trabalho maioritariamente para nacionais. E na maioria das vezes os postos indirectos são muito superiores aos directos.

"O investimento público até poderá ter virtudes, mas, por favor, não atirem areia para os olhos das pessoas e saibam dizer a verdade toda."

Se queres dizer a verdade toda então terás que dizer que a Manuela Ferreira Leite é uma péssima economista, mas isso não vejo ninguém dizer. A afirmação que ela teve levaria a um chumbo em qualquer curso de economia!
Stran a 5 de Julho de 2009 às 15:34

Stran,

Eu não digo que o emprego é melhor distribuído consoante a nacionalidade. Eu apenas digo que se criamos emprego que vai ser dado a pessoas que vêm de propósito para o ter (de certeza que se avançarmos com o pacote de obras públicas vamos ter um fluxo imigratório), isso não vai beneficiar as pessoas que já cá estão (sejam de que nacionalidade for). Quanto aos benefícios indirectos, não me pronuncio porque não tenho grande conhecimento sobre a matéria.

Em relação às qualidades académicas de MFL, também não digo nada. Deixo a tarefa para os seus pares...

"Eu apenas digo que se criamos emprego que vai ser dado a pessoas que vêm de propósito para o ter (de certeza que se avançarmos com o pacote de obras públicas vamos ter um fluxo imigratório), isso não vai beneficiar as pessoas que já cá estão (sejam de que nacionalidade for)."

Dado o contexto actual é muito pouco provável que isso aconteça. Com o decréscimo de emprego nesta area, esta será ocupada pelos que já cá estão. Mas mesmo que fosse como no passado a verdade é que iria beneficiar também os que já cá estão e muito. Esse dinheiro é quase totalmente gasto em consumo, sendo apenas uma pequena parte que vai para poupança, e a parte que é gasta beneficia quem está cá. Ela que é economista deveria saber isto, afinal consumo e poupança são um dos backbones da economia.

"Em relação às qualidades académicas de MFL, também não digo nada"

Como disse anteriormente ou MFL é uma péssima economista ou acabou por proferir uma frase xenofoba por motivos puramente eleitoralistas.

"Quanto aos benefícios indirectos, não me pronuncio porque não tenho grande conhecimento sobre a matéria."

Mas não precisas de conhecimentos para pensar sobre o assunto, julgo mesmo que muito do que falas nos teus artigos vêem do teu pensamento mais do que do teu conhecimento...
Stran a 5 de Julho de 2009 às 23:21

Concordo, dizer a verdade toda.
Daniel João Santos a 4 de Julho de 2009 às 22:58

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