A máfia da blogosfera
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Jun 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 20:24link do post | comentar

Henrique Monteiro diz dele que é «o mais surpreendente colunista do Expresso». Qualquer pessoa que leia A Capirinha de Aron irá certamente concordar. Henrique Raposo, vindo directamente da geração atlântico e actualmente colunista no Expresso e co-autor em Clube das Repúblicas Mortas, é um sério caso de inteligência. As suas crónicas, que têm a maravilhosa particularidade de ser sobre política sem que haja politiquice, guerrinha partidária e todas essas coisas a que nos habituámos nos cronistas «tradicionais», demonstram o quão conhecedor do seu país é o autor. Divide-se em três partes, o livro, uma primeira sobre a relação difícil entre os portugueses e as regras da liberdade, uma segunda sobre o porreirismo e o estado social-porreiro e, por fim, uma terceira sobre a decadência intelectual dos europeus. Nos dois primeiros, um pouco indistinguíveis quanto a mim, o autor denuncia de forma certeira os principais problemas institucionais em Portugal, que basicamente se resumem ao desrespeito pelas instituições públicas e órgãos de soberania; e, também os principais problemas do porreirismo estatal em que vivemos, nomeadamente para os jovens que têm agora de pegar nas foices e nos martelos para poderem entrar no mercado de trabalho, porque com competência só não se supera os «direitos adquiridos». No último capítulo, esse sim já bastante diferente dos anteriores, podemos ler um retrato pintado a letras pelo autor sobre o mundo em que vive. Aponta aquilo que, para si, são as principais fragilidades da União Europeia e da sua burocracia e, pontualmente, escreve sobre o resto do mundo, essa abstracção onde podemos situar o Irão, os Estados Unidos, a China, o Afeganistão e tantos outros espaços. Tudo isto é temperado com um estilo na forma e na escrita como não há igual.

Mais do que por quem tem o liberalismo em «boa conta», este livro deveria ser lido por quem não tem. É um verdadeiro manual de fácil leitura para que se perceba as preocupações maiores em relação à liberdade e à justiça no nosso país e não só. [Henrique Raposo, A Caipirinha de Aron, Bertrand, 175 páginas]

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