A máfia da blogosfera
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Mai 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 15:57link do post | comentar

Capa preta, dura como deve ser, folhas brancas, lisas, e um bolsinho no fim, que nunca utilizo, coitado, onde veio e lá ficou um folheto a contar a história da coisa. Ai o Picasso, ai o Hemingway, que usavam, e suponho que bem, caderninho semelhante para os apontamento vários a que as mentes pensadoras certamente obrigavam. Bom para eles, na verdade pouco me interessa quem o usou. Era o mesmo que dizer que vou comer maizena porque o não sei quem também comeu. É tonto, tontinho. Começo agora a achar até inútil todo este intróito, mas não apago, que dá trabalho e disso não gosto nem quero. Continuando, que o delírio há-de ter um propósito, descobri este camarada quando dei por mim cheio de papéis, papelinhos, rascunhos de mensagens de telemóvel, mãos com cruzinhas desenhadas e mais uma série de lembretes e registos daquilo que pela cabeça me ia passando. E que incomodativo era quando não tinha nem papel, nem caneta nem bateria e as ideias acabavam por voar, que, vendo bem, é mesmo assim. Agora tudo é melhor. Tenho-o sempre comigo e escrevo-o sempre com a mesma caneta, nem sei o que faço quando a tinta acabar, calhando sou gajo para comprar outra. E é assim que um tipo louco com coisas por fazer e falta de vontade para elas faz um panegírico a um caderno, que estupidez, para que todos leiam como é estranhamente perturbadora a relação do homem e do objecto.


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