A máfia da blogosfera
08
Fev 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 16:14link do post | comentar

Eu parto do pressuposto que quando um líder político, principalmente um indivíduo sobre o qual recaem as esperanças de mais de 10% do eleitorado português, apresenta uma proposta numa Convenção do seu partido, essa proposta é séria e não um recursos estilístico. Joaquim, até pode concordar com as propostas ou admirar a pessoa, mas por favor não diga que o que Francisco Louçã fez ao propor a proibição do despedimento de empregado às empresas com resultados (julgo que ele queria dizer "com resultados positivos", mas dá-se um desconto, afinal, ele é economista...) foi um "exercício hiperbólico".


Anima-me a ideia de pluralismo, de negociação permanente interpartidária e interssocial. E anima-me a Política enquanto serviço transparente e absoluto às pessoas com as pessoas. O estilo brutamontes de este Governo traíu com o chavão inconsequente 'choque tecnológico' a ideia laboriosa e fecunda de um permanente impregnamento transversal de boas ideias numa circulação contínua das bases para o topo e do topo para as bases: DISCUTIR TUDO COM O MÁXIMO DE INTERVENIENTES POSSÍVEL. Isto. sim, seria GOVERNAR a sério.

A bloga já faz isso e já partilha isso, mas o Poder Político, convencido da estupidez geral, permanece estanque a boas ideias porque é somente uma agência refinada de interesses ocultados da Opinião Pública e agência também de uma crassa e nefanda falta de transparência a favor das suas clientelas que há que sossegar e controlar em géneros.

Pegando porém no que escreveste, Tiago: se na verdade Louçã acredita mesmo na exequibilidade do que disse 'proibir despedimentos', certamente que uma medida dessas seria um 'absurdo pioneiro', excluindo o verbo proibir porque o verbo proibir normalmente não faz caminho do lado do poder e da iniciativa provenientes do Dinheiro, lado que, nestas coisas, também tem sido o da Governação: ambos afinal põem e dispõem fragilizando a dimensão do trabalho, pelo que também por aí o absurdo hiperbólico se mantém: nada aconteceria. Claro que a expressão 'despedimento preventivo' à luz da Crise também é chocante e nada parece ter de hiperbólico: é ficar na rua, segundo Américo Amorim. Ponto.

Quando esses 10 ou mais % se virem representados por Louçã num governo que não seja de Loucos, Espécimens Paradoxais, entidades Antitéticas, talvez se deva medir um pouco mais as asserções estalinizantes mais ou menos estilísticas que não conduzem a sítio nenhum: proibir, esmagar, partir os dentes, e tantas outras, antes que efectivamente se pratiquem.

Entretanto, não conheço sistema económico que 'imponha' ou proponha uma ética nas relações laborais, nas relações empregador/colaborador que se deixe nortear suficientemente pela Doutrina Social da Igreja, segundo o pioneirismo da Rerum Novarum (1891) e da Laborem Exercens (1981), onde tudo são propostas de vanguarda e nenhuma proibição que não passe antes por negociação e cooperação de boa fé permanentes e que superem os ressentimentos. O sentido ético e comunitário do Trabalho está ali bem vivo e deveria ser retomado, dado o Beco em que caímos.

Sei que superabundou alguma confusão no meu excurso, mas basicamente o que penso é que em matéria de emprego associado a lucro evidentemente nem deveria ser necessário conjugar o verbo proibir ou despedir. A função social coesiva do Emprego/Trabalho, e não o Lucro, perversamente muito pouco socializado aliás, deveria ser sentida como garante do Bem Geral e protegida.

Vivemos porém tempos em que se desencadearam os Lobos da Desonestidade em todas as coisas, contra os quais só um Regresso a uma solidariedade Íntegra e fundamental que se transforme em cimento coesivo das sociedades. Pelo contrário, é a uma gravíssima bipolarização pobres/ricos, a novíssimas formas de escravidão, e a um endeusamento do Lucro pelo Lucro aquilo a que assistimos. Todo o esforço para sair de esse fosso será longo e penoso ou então será brusco e violento.

Abraço

joshua
PALAVROSSAVRVS REX
PALAVROSSAVRVS REX a 9 de Fevereiro de 2009 às 01:10

Empregador/Colaborador ?... Ou escolhe Empregador/Empregado ou escolhe Colaborador/Colaborado...
al kantara a 10 de Fevereiro de 2009 às 00:16

Verifica-se vezes de mais Explorador/Esmagado.

Por isso mesmo me parece "Colaborador" um eufemismo a evitar...
al kantara a 10 de Fevereiro de 2009 às 00:29

Faltou-me marcar a ironia que me parece merecer a expressão por falta de contexto.

Sim, Joshua, conta lá como foi ter patrão durante nove meses.

Alter do Chão Ego: foi horrível. Começas por estranhar a casa onde trabalhas. A pouco e pouco começas a amar o teu trabalho e o lugar e o com quem trabalhas. De repente, estás apaixonado e fundido com o teu trabalho e o local onde trabalhas: todos gostam de ti, és afável e feliz com muitos e muitas.

Passaram nove meses. Deste o teu melhor além de teres vestido a camisola e começado a amar o teu trabalho. E o que é que te acontece?

Acabas de ser caprichosamente despedido. Sofres horrivelmente durante semanas. Dói-te o peito, doem-te os cornos, dói-te tudo: o local onde estavas enchia-te de prazer e de vida, seminava-te de literatura, de vidas, de Beleza, de poesia... Nada se compara à tua dor. Mais uma, laboral, a juntar a todas as demais.

O patrão, claro, mereceu e merece todos os adjectivos Vodu de que te lembres. Pensas menos nisso, mas ainda abominas aquele que te contratou e que, dispensando-te, tanto te fez sofrer. Sofrer pela perda de um trabalho como se sofre a perda de uma longa mulher.
PALAVROSSAVRVS REX a 10 de Fevereiro de 2009 às 00:31

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