A máfia da blogosfera
07
Fev 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 13:08link do post | comentar

Sempre me habituei a ouvir as parvoíces de Francisco Louçã. Admirei-me quando uma vez em conversa me disseram que era economista e neste momento acho que diz o que diz apenas para ter votos, não porque o defenda.

Apesar de sempre o ter conhecido por dizer disparates, julgo que nunca chegou ao absurdo de propor o que agora propõe. No seu discurso na sexta Convenção do Bloco, Francisco Louçã defendeu que as empresas com lucros deveriam ser proibidas de despedir empregados. Ao ouvir tamanho disparate, cujo objectivo é apenas manipular quem está em situações difíceis sinto verdadeiro nojo daquilo que o BE representa. Perdoem-me os leitores que simpatizam com Francisco Louçã, mas, para mim, perdeu toda e qualquer credibilidade que eventualmente pudesse ter. Se há 10% do país que gostaria de o ver como Primeiro-Ministro, é com eles. O meu voto nunca levaria.


Tiago, repara que não se trata de obrigar a contratar. Trata-se de não deixar despedir "preventivamente". Uma manifestação objectiva de "responsabilidade social", que é aquilo que os empresários gostam de falar e é a primeira coisa que esquecem em nome da "competitividade". É que as empresas não devem poder ter como único objectivo majorar os seus lucros custe o que custar. Eu sei que isto pode parecer uma novidade mas de vez em quando, há que mudar de paradigma...

PS- Já agora, se ficaste admirado com o facto de o Louçã ser economista, sugiro que lhe leias o currículo académico. Talvez fiques ainda mais admirado...
al kantara a 7 de Fevereiro de 2009 às 14:52

Al, o objectivo de uma empresa é fazer lucro. Visões românticas do que é uma empresa não pegam, porque o objectivo de uma empresa é precisamente a produção de bens/serviços [trabalho, vá] cujo propósito é gerar lucro.

Desculpa lá, mas pensa comigo. Se tu tivesses uma pequena empresa, tipo uma loja. Tinhas 3 empregados e um lucro mensal de 2000€. Se tu visses que o teu lucro estava a baixar ou que podia vir a baixar ias abdicar do teu ganho pela "responsabilidade social" que não tens? Quando um empregado assina um contrato de trabalho assume os riscos de o fazer, assume os riscos de estar a trabalhar para um mau gestor e assume o risco de poder ver a sua empresa ir à falência. O problema é que, como de costume, quere-se dar todos os direitos e não obrigar a nenhuma das contrapartidas. É a mesma história que os depósitos. Se eu deposito 1000€ no banco e deixo o banco a geri-lo para ganhar dinheiro, tenho de assumir o risco de o banco o gerir mal...

O pessoal quer tudo muito fácil...

O objectivo tem de ser gerar lucro. Não tem de ser maximizar lucro à custa de um autismo social e oportunismo como o que se tem assistido impunemente. (Ou também achas que o Amorim deve poder despedir preventivamente 195 trabalhadores porque lhe dá jeito ?...)
al kantara a 7 de Fevereiro de 2009 às 16:44

Claro que acho. A empresa é dele e trabalha para ele quem ele quer. Se lhe apetecesse fechar a empresa, tinha todo o direito. É dele. Quem não gosta (como eu) de estar sujeito aos devaneios de um "gestor", que trabalhe por conta própria. É a outra opção que tantas vezes é esquecida...

Pois tens toda a liberdade de achar. Não sabes é o que significa responsabilidade social. Os donos das empresas e os gestores têm de obedecer a determinadas normas que a sociedade lhes impôe como norma de conduta civilizada. Lá porque as empresas são suas (deles) isso não significa que possam fazer com elas aquilo que lhes dá na real gana. É um bocadinho como quando compras um Ferrari : se te lembras de andar a 300 à hora, a malta não gosta e proíbe-te de o fazer. Lá porque o carro é teu, não existe o direito absoluto do seu usfruto, doa a quem doer. Com as empresas passa-se exactamente a mesma coisa : têm de ser veículos de progresso social e não apenas de enriquecimento dos accionistas. Por isso, os trabalhadores não podem ser utilizados como mercadoria descartável ao bel-prazer do dono da empresa. Para isso, existem leis laborais. Já ouviste falar ?...
al kantara a 7 de Fevereiro de 2009 às 18:30

tenho um amigo meu que tem uma belíssima perspectiva.

Se estes senhores ou o PCP subissem, evidentemente que não para governo, podia ser que os poderes instalados se mexessem e deixassem de estar como estão.
Daniel Santos a 7 de Fevereiro de 2009 às 15:26

Lamento não concordar, ou senão leia por favor

http://atributos-1.blogspot.com/2009/02/ser-de-esquerda.html

Melhores cumprimentos

JM
JOSÉ MAGALHÃES a 7 de Fevereiro de 2009 às 18:33

Ah, aproveitei para, para além de ter o seu antigo blogue nos meus favoritos, colocar este também.


Cumprimentos

JM
JOSÉ MAGALHÃES a 7 de Fevereiro de 2009 às 18:35

Mais uma vez, Louçã prova que o BE é um partido de contra-poder que dificilmente sobreviveria no governo. Então uma empresa, com determinado número de trabalhadores, decidir reformular o sector de actividade, especializar-se apenas numa das suas áreas de produção, etc, teria de esperar pelo prejuízo para o poder fazer? Uma empresa que decide antecipar-se a uma mudança na procura, evitando a falência ou passar por um mau bocado, teria que esperar que as dificuldades aparecessem?
JDC a 7 de Fevereiro de 2009 às 20:07

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