A máfia da blogosfera
19
Jan 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 11:57link do post | comentar

O Ricardo Gomes respondeu ao meu post. Sinto-me portanto obrigado a responder-lhe.

Também eu vou por partes.

Em primeiro lugar, quanto à questão da iliteracia. O Ricardo Gomes comete dois erros fundamentais. Primeiro coloca no mesmo patamar a Monarquia de meados do século XIX com a I República. É óbvio que isto não pode acontecer, simplesmente porque a Monarquia de meados do século XIX era, para o melhor e para o pior, um regime politicamente estável: não havia propriamente grandes tumultos no país, a população andava "calminha". Ao contrário da I República, que como é natural no seguimento de uma revolução tão drástica, foi extremamente instável, tendo havido governos atrás de governos que nem tempo tinham para analisar a situação, quanto mais fazer política. Em segundo lugar, o Ricardo parece justificar o facto de haver taxas de analfabetismo anormalmente elevadas no tempo da Monarquia com o facto de isso não ter melhorado (não melhorou?) no tempo da República. Acho que a falha do raciocínio é óbvia.

Quanto à emigração, o Ricardo escreve:

 

A distribuição do rendimento era de facto desigual e decorria das incapacidades técnicas da população que emigrava (maioritarmente do interior e sem qualquer qualificação), a população do interior por e simplesmente não estava capacitada para o novo modelo de desenvolvimento.
 

Como é que o Ricardo pode dizer que a emigração era causada pelo facto de haver pessoas que não tinham qualificação para o novo modelo de desenvolvimento? Se já assumimos que a indústria era atrasada e que a esmagadora maioria da população era iliterada, como é que retira essa conclusão? A emigração era causada, e o Ricardo sabe-o, pelo facto de Portugal não ter as oportunidades que outras nações emergentes tinham, como os EUA ou o Brasil. E atrevo-me a dizer que provavelmente a emigração não era superior pelo simples facto de os "Brasileiros" serem mal vistos na sociedade de então. Depois o Ricardo volta a compara a emigração do tempo da Monarquia com a da I República, esquecendo-se (?) que o pico de emigração de 1910 e as elevadas taxas que houve durante todo o período são muito provavelmente justificadas com os exílios e fugas dos monárquicos para o exterior.

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