A máfia da blogosfera
14
Jan 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 19:48link do post | comentar

Mário Soares, dia 31 de Dezembro de 2009

 

“Acho que o ano de 2009 vai ser um ano muito difícil, muito mais. Eu sei que o Primeiro-ministro deu a entender que as coisas vão melhorar em 2009. Sobre certo aspecto ele tem razão, mas o grande problema é o desemprego e a falência das grandes empresas e das pequenas empresas, pequenas e médias empresas. Isso parece-me a mim gravíssimo

(...)

“Isso vai ser grave e com muito desemprego é evidente que poderá haver uma situação complicada. Sendo um ano de eleições pode haver muita espécie de revoltas, que poderão surgir a propósito de tudo e de nada. (...) O país poderá ficar ingovernável a partir de determinado momento” (ver vídeo)

 

Mário Soares, dia 13 de Janeiro de 2009

 

Já no final da conferência, questionado pelos jornalistas sobre se uma maioria absoluta do PS poderia contribuir para evitar um cenário de instabilidade governativa, o fundador do PS respondeu: «admito isso».
 

Todos os relatórios internacionais dos quais tive notícia dão conta a quem se interessar que os problemas do nosso país são, fundamentalmente, internos. Seria absurdo dizer que a crise internacional não nos afectou, mas é igualmente absurdo dizer que todos os nossos problemas advêm dessa crise. Houve algum banco português que tivesse falido ou estado em risco de falência por causa da crise internacional? Não. É verdade que o desemprego tem estado a subir, mas aqui ao lado, em Espanha, supera os 13%. Os nossos problemas fundamentais são internos e a verdade é que, tendo noção que o tempo foi pouco, este governo não contribuiu grandemente para os resolver. Vejamos por exemplo o endividamento externo que aumentou exponencialmente. Apesar do aumento das exportações em alguns ramos de actividade, continuamos a ter uma balança comercial a afundar-se, passando já os limites impostos por Bruxelas para que tenhamos a moeda única. Mas isto são os problemas económicos apenas, que até podem, admito, ser muito devidos à conjuntura internacional. No entanto, temos também os problemas sociais, e aqui não falo de pobreza ou de desigualdades, que novamente poderiam ser justificados com a conjuntura, falo do clima que se vive na sociedade portuguesa. Com medo de roubar discurso a Jerónimo de Sousa, a verdade é que a democracia em Portugal sofreu fortes abalos, por exemplo, com o Ministério da Educação a fazer braços-de-ferro com os sindicatos e a menosprezar de forma constante quem se lhe opõe. Uma máquina propagandística que faria corar Goebbles, envolvendo grandes (e repetidos) anúncios de medidas sociais e económicas fantasmas, apenas para que a boa imagem fique gravada nas mentes dos portugueses. A existência de uma maioria absoluta de um partido na Assembleia da República que aceita cegamente tudo o que o governo lhe propõe, havendo apenas a discordância declarada de uma parcela mínima. O que tornará, caso isso aconteça, o nosso país ingovernável não é a crise, porque crises há muitas e o desemprego já subiu muitas vezes. O que tornará o nosso país ingovernável é a permanência da ditadura da maioria que vivemos e o culto do Eu de um pretenso social-democrata que nem sabe realmente o que é, apenas sabe o que quer que pensem dele.

post-post-scriptum: troca-tintas e coisas que tais

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