A máfia da blogosfera
18
Out 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 17:22link do post | comentar
O Público abre uma notícia com a manchete: "Sócrates diz que Orçamento de Estado de 2009 é para ajudar empresas e famílias" e eu penso que lá falta "...e o PS também!". Esta ideia absurda que distribuir dinheiro pelo povo indiscriminadamente "ajuda" as pessoas e a economia deixa-me a cabeça às voltas. Como é que ninguém entende que a melhor maneira de ajudar as pessoas é tratar da crise, baixar o IRC para aumentar o investimento directo estrangeiro e manter os ordenados não muito elevados para que o desemprego não suba em flecha como prevê o nosso Presidente. O que vale é que as pessoas já vão percebendo que estas coisas são fachada e manobras propagandísticas, valha-nos isso!

"Por todo o mundo se andam a fazer dissertações de café sobre a crise que vivemos. Pessoalmente, eu que nada sei, acho que a única forma de a coisa se resolver for good era simplesmente deixar falir, deixar que os bancos que fizeram porcaria fossem abaixo, mesmo que isso levasse a que todo o sistema fosse abaixo. Mas há quem não pense assim, há que ache que o melhor que temos a fazer é remediar a coisa agora, deixar tudo muito na base do "mais ou menos" e depois logo se vê."

O meu caro Tiago não considera que vai advogando coisas diferentes de post para post?
André Couto a 18 de Outubro de 2008 às 18:43

André Couto,

Repare que eu não me contradisse de forma nenhuma. Eu acho mesmo que a única maneira de resolver a crise era deixar tudo falir, desse modo iriamos estar descansados por muitos e bons anos. Mas este post que comentou não é sobre a crise internacional, é sobre o OE'09 e neste OE eu penso que as medidas que deveriam ser aprovadas seriam uma descida dos impostos às empresas para estimular o investimento e não a distribuição de dinheiro pela população assim como está a ser feita. Não sei se me compreendeu agora, de qualquer modo, peço desculpa se não fui claro...

abraço,

TMR
Tiago Moreira Ramalho a 18 de Outubro de 2008 às 18:48

Caro Tiago,
Acredito que não tenha parecido, mas percebi-o à primeira.
Parece-me paradoxal defender que internacionalmente se deve deixar falir tudo e internamente tratar da crise com mezinhas. Passo a explicar:
A falência dos que brincaram e continuarão a brincar com o sistema financeiro é um conceito que me atrai muito e já o defendi em vários blogues.
No entanto penso que estamos a olvidar que a falência e caos generalizados do mundo da finança irá ter sérias repercussões no nosso país. É pois aqui, na minha modesta opinião, que reside o tal paradoxo: Advogar algo que irá criar maleitas graves a Portugal e, ao mesmo tempo, defender medidas que, em tal caso, acabariam, por muito boas que fossem, por não ter efeitos práticos.
Além disto cabe-me apenas referir que no Orçamento de Estado 09 está prevista a descida de IRC para as empresas com valor tributável inferior a € 250000, isto é, as pequenas e médias empresas que, como sabe, são a maioria do tecido empresarial português e onde se concentra a maior parte dos empregos.

Abraço.

André Couto
André Couto a 18 de Outubro de 2008 às 19:08

André Couto,

Então, lá por eu defender que o sistema financeiro deveria ruir, acha que tenho de defender que deixe de haver política em Portugal? Sim, porque você escreve que eu defendo mezinhas que não fazem nada, tem alguma melhor?! Acha que é no caminho que estamos que a coisa se resolve?! Acha que aumentar a função pública em 2.9% traz melhores efeitos para a economia que a redução do ISP, do IVA ou do IRC que iria levar de imediato a uma maior atracção de investimento?

Desconhecia essa descida prevista, mas já agora, pode-me dizer de quanto é? É que a única coisa que eu sabia era que as empresas iriam ver o seu IRC reduzido para metade nos primeiros 12500€ de valor tributável...

abraço,

TMR
Tiago Moreira Ramalho a 18 de Outubro de 2008 às 19:54

"Então, lá por eu defender que o sistema financeiro deveria ruir, acha que tenho de defender que deixe de haver política em Portugal? Sim, porque você escreve que eu defendo mezinhas que não fazem nada, tem alguma melhor?!"

Caro Tiago,
não se exalte... o meu amigo defende o seu ponto de vista e eu não o estou a atacar. Tento apenas discutir ideias consigo consonantemente com o que no seu editorial se pode ler: "O Afilhado é um blogue de livre discussão, sobre os mais variados assuntos."

O meu caro acha que se o sistema financeiro ruir a política não terá, necessariamente que mudar? É para mim tão evidente como para si que assim as coisas não poderão permanecer!
Isso sim é que eu defendo e dessa urgente mudança necessitamos nós como de pão para a boca, porque com políticos destes em breve não teremos pão para saciar a fome.

Relativamente à questão do IRC admito que, mais que provavelmente devo ter feito confusão com a medida que refere no seu último comentário. As minhas desculpas pela não intencionada falácia.

"Estou aberto a qualquer contributo ou crítica", diz o Tiago.
Ainda bem que assim é, digo-o eu.

Cumprimentos cordiais.

André Couto
André Couto a 18 de Outubro de 2008 às 20:53

Caro André,

Desculpe a exaltação, fez bem em lembrar-me o meu editorial, já tem tanto tempo que às vezes parece que me esqueço dele!
Eu defendo sim que a política deve mudar, mudar para um sistema de regulação que, apesar de o ser, é muito diferente daquilo que muitos defendem. Eu não defendo a maior intromissão dos estados nos assuntos internos das empresas, mas sim uma maior tentativa por parte do estado para evitar empresas da dimensão das que provocaram esta crise (a chamada falta de mercado) e defendo que ao salvar empresas como está a fazer, os estados estão a abrir um precedente do qual nunca poderão sair boas consequências. Com as "costas quentes" o que as empresas, nomeadamente os bancos, irão fazer é arriscar mais e mais até que daqui por muito poucos anos tudo isto voltará ao mesmo. Mas isto é um pouco em paralelo com o que defendo para o sistema fiscal para Portugal, aliás, vou procurar um post que escrevi sobre isso há um tempo e deixar-lhe-ei aqui num comentário para o caso de querer visitar. Mais uma vez peço desculpa se fui rude.

abraço,

TMR
Tiago Moreira Ramalho a 18 de Outubro de 2008 às 20:59

O tal texto é este:

http://oafilhado.blogspot.com/2008/10/mais-ou-menos.html

tem lá uma parte em que defendo um sistema semelhante ao de Espanha, na qual se paga no total a mesma quantidade de impostos ao estado, sendo que, no entanto, os impostos sobre os rendimentos singulares têm uma proporção muito maior que os sobre o consumo e sobre as pessoas colectivas o que explica, entre outras coisas, a existência de grandes empresas tanto nacionais como estrangeiras em Espanha e o facto de o preço da gasolina ser 30 cent mais baixo...
Tiago Moreira Ramalho a 18 de Outubro de 2008 às 21:04

Percebem mesmo? (o povo)
Pois eu tenho muitas dúvidas!
Nem vocês dois se percebem... e dizem as mesmas coisas!
Lara a 21 de Outubro de 2008 às 15:05

arquivo do blogue
2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


pesquisar