A máfia da blogosfera
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Out 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 17:17link do post | comentar
Sempre achei que os estudantes, principalmente aqueles que estão no básico e no secundário, são cidadãos sem voz. Por falta de vontade e de capacidade, não lutam muitas vezes pelos seus direitos e como a maioria dos pais estam alheados daquilo que são as coisas "internas" das escolas, estes jovens acabam por "comer o que lhes dão". Existe uma federação nacional de alunos que nem se ouviu na questão do Estatuto do Aluno e a maior defesa dos alunos nesta questão foi feita pelos próprios professores que em tudo isto só teriam a complicação de fazer um teste, no meio das dezenas de testes que têm de fazer durante o ano. Não pode ser.
O novo estatuto do aluno é simplesmente inaceitável na questão das faltas. Um aluno que esteja em casa doente tem faltas iguais às de um aluno que esteja na rua a roubar. Não existe pura e simplesmente qualquer tipo de distinção. Um aluno que tenha sido operado a uma qualquer coisa e tenha de ficar um mês a recuperar fica em excesso grave de faltas e em risco de chumbar o ano. Absurdo. Nem os trabalhadores têm situação igual, dado que em determinadas situações como doença ou nojo têm as faltas justificadas e os dias de trabalho pagos. A situação piora pelo facto de estarmos a falar de crianças e jovens. Qual é a ideia com que um jovem vai ficar se simplesmente o chumbarem por ter sido atropelado? Injustiça é eufemismo. Um jovem que supostamente se quer protegido pelo estado e pela família vai sentir que se estão nas tintas para ele, o que irá, muito provavelmente, alimentar sentimentos de revolta em relação ao establishment. Apesar de achar que a ideia faz algum sentido na base, isto é, um aluno passa se souber, nem tudo é linear e às vezes boas intenções dão merda.

Sendo pai duma aluna do ensino secundário público,olho para este Estatuto do Aluno com alguma desconfiança.Só que nos casos que aponta,penso que qualquer escola de gente normal não vai avaliar/graduar as faltas de quem está doente ou sofreu acidente e ficou internado,tendo apresentado o devido justificativo,com as faltas do rei da baldaria lá do sítio.Dir-me-á que o baldocha as apresenta justificadinhas com atestado médico,bem sabemos que alguns se prestam a isso,bom aí e como diz o ditado,sem preconceitos,há que ter um olho no burro e outro no cigano...
Fernando Antolin a 15 de Outubro de 2008 às 14:38

Caro Fernando,

A questão é exactamente esta: é que não se trata de uma avaliação da escola. Quando o aluno falta seja por que motivo for, a falta é marcada. Até agora, um aluno que tivesse um acidente e fosse internado um mês, teria um mês de faltas justificadas: perderia a matéria, mas não tinha de fazer nenhum exame extraordinário, tinha apenas de recuperar e fazer as avaliações de todos os outros. Hoje, um aluno que esteja internado um mês têm o mesmo tratamento que um aluno que seja suspenso 10 dias: exame extraordinário: se chumbar no exame, chumba o ano. É inaceitável.
Tiago Moreira Ramalho a 15 de Outubro de 2008 às 19:20

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