A máfia da blogosfera
04
Jul 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 14:52link do post | comentar
Desde a revolução industrial que se utilizam combustíveis fósseis. Mais de 200 anos depois de os usar, os impactos são óbvios! Para combater o aquecimento global e as alterações climáticas, recorremos a fontes de energia alternativas. Temos uma vasta panóplia à escolha: geotermia, hidroeléctrica, solar, eólica, biomassa, biogás, cinética, e provavelmente mais algumas. Nenhuma destas energias traz qualquer problema, nenhuma interfere com absolutamente nada. Se optarmos pela energia solar, o Sol não acaba. Se optarmos pela energia eólica, o vento não acaba. Se optarmos pela hidroeléctrica, a água não acaba. Como somos extremamente inteligentes (com "somos" refiro-me àqueles em quem votámos para nos reger) utilizamos uma que, sendo "limpa", acaba com as reservas alimentares do mundo e leva à morte à fome África inteira e uma boa parte dos outros continentes.

Eu até compreendo que seja mais fácil utilizar os biocombustíveis, aquela história toda dos motores e mais não sei o quê. Mas porque não utilizar biogás? Ninguém morre por se queimarem folhas! - que por acaso já estão mortas... Não podemos passar de cavalo para burro. É verdade que o petróleo era mau por causa do ambiente. Mas os bens alimentares são imprescindíveis e a sua produção não é infinita. Agora temos mais um quintal - Marte - mas ainda não podemos lá plantar beterrabas! É tempo de haver uma conversão dos mecanismos dos automóveis e dos demais veículos para que possam funcionar com base em, sei lá, baterias, por exemplo! De modo a que possam consumir energias que sejam económica, ambiental e humanitariamente (existe?) sustentáveis!

Oi.

A questão que colocas tem pertinência, mas talvez esteja colocada de forma simplista. Há uma série de problemas com a alteração dos motores dos automóveis para utilizarem baterias ou células de combustível. A primeira e mais óbvia é que, mesmo que todos os outros problemas fossem resolvidos, ia levar décadas para substituir todo o parque automóvel que funciona actualmente com motores de combustão. Mas existem outros problemas. Por exemplo, considerando a solução das baterias. Um carro eléctrico a funcionar a baterias não tem nada de extraordinário. Há 20 anos que tenho carros telecomandados e seguem todos esse princípio. O único problema é que de cada vez que uma bateria se esgota tenho de esperar várias horas para a carregar. Ok, há carregadores que carregam em meia-hora, mas não é possível carregar uma bateria com a capacidade necessária para mover um utilitário em meia-hora. E mesmo que fosse possível, quem e que estaria disposto a estar meia-hora numa estação de serviço à espera que a bateria recarregasse? A solução óbvia seria que as baterias fossem trocadas na bomba, tal como se faz com as bilhas de gás. Ninguém vai encher uma bilha de gás, limita-se a trocá-la e pronto. No entanto, para isto ser viável era necessário haver uma sistema de ligação e baías que seguissem uma norma internacional. Depois é preciso considerar que essas baterias têm alguns perigos associados e que têm os seus próprios custos ambientais. Nomeadamente em caso de acidente e no fim da sua vida quando é necessário reciclá-las. E há mais problemas.

E as células de combustível? Ou motores a hidrogénio. Aí também há uma série de problemas por resolver. Um dos quais é o da viabilidade económica dessas soluções. As células de combustível são caras, bem como o hidrogénio. O hidrogénio ainda tem problemas acrescidos. Por exemplo, para transportar a mesma quantidade de energia em hidrogénio que a transportada por um camião cisterna são precisos oito camiões de hidrogénio. Para além disso o hidrogénio é extremamente volátil e existem muitos problemas no seu armazenamento por causa de fugas. Não esqueçamos que o hidrogénio é extremamente explosivo.

Ou seja, existem muitas potenciais soluções mas nenhuma está completa. E as soluções que são tecnicamente concretizáveis ainda não são comercialmente viáveis.

Isto ainda vai levar um bocadinho de tempo.
Paulo Sargaço a 4 de Julho de 2008 às 15:39

Estou impressionado com o seu conhecimento acerca do assunto. Eu realmente sou um leigo na vertente científica do problema, admito-o, no entanto, muitos dos problemas que enunciou são de carácter económico e, com o tempo, podem ser resolvidos. A questão das baterias, por exemplo, parece-me bastante viável, sendo no entanto necessário haver a esquecida investigação para reduzir o impacto ambiental...

Quanto à questão da substituição do parque automóvel. É um mal menor. O peso dos transportes nas emissões é apenas uma parte, há ainda a industria e o consumo domestico. Em pouco mais que uma ou duas gerações poderiamos ter um mundo mais verde...
Tiago Moreira Ramalho a 4 de Julho de 2008 às 16:58

Olá gostei do vosso blog, reparei que falam algures em energias renováveis e combustível , Estamos a trabalhar nessa área: energia eólica. Inclusive estamos a tentar construir um aerogerador no âmbito da disciplina de área projecto, visitem o nosso blog e manifestem a vossa opinião.
Vento Como Fonte Energia a 14 de Janeiro de 2009 às 11:28

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