A máfia da blogosfera
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Jul 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 11:15link do post | comentar

Como é do conhecimento geral, foi ontem o debate do Estado da Nação no Parlamento. Pautado por constantes intervenções de resposta curta e vazia, como se os nossos deputados fossem adolescentes a "mandar bocas" ("Eu pedia ao senhor presidente que fizesse chegar ao senhor deputado o documento não sei quê"). Sobre o Estado da Nação fiquei a saber pouco, sobre o Estado da Política e dos Políticos, muito. Em todo o debate, os vários partidos políticos deram-nos a conhecer um pouco mais de si.
Da esquerda para a direita:

1. O BE que com tão talentosos oradores (há poucos oradores como Ana Drago, tenha ou não razão no que diz, di-lo muito bem) poderia perfeitamente fazer um discurso interessante do ponto de vista político, trata simplesmente de se enterrar no meio das areias movediças do insulto e de gráficos mal feitos propositadamente. Bem sei que o que Louçã estava a tentar fazer era pegar na analogia com a história para mostrar as falhas da medida, mas foi longe demais, há que dizê-lo. Concordo, apesar de tudo, que provavelmente 25% (apesar de ser a maior Taxa Robin dos Bosques dos países que a praticam, sabe a pouco).

2. O PCP deu-nos mais um cheirinho da demagogia e da política fácil, tão intrínsecas nos seus discursos. Falam constantemente daquilo que todos sabem: o desemprego!, os salários!, as pensões! sem nunca tentarem perceber que milagres, só nos livros do Marx. Houve uma coisa em que concordei com eles, apenas uma, a questão do aumento intercalar das pensões, por uma questão quase de "ética da política". Enquanto que os aumentos dos salários devem ser indexados à produtividade porque é isso que faz o trabalho aumentar o seu valor, os aumentos das pensões devem ser indexados à inflação pois os reformados não produzem absolutamente nada, já produziram, e por não produzirem mais por força das circunstâncias não devem perder qualidade de vida.

3. Os verdes. Que é que estão ali a fazer?

4. A bancada do PS podia ir para casa. Neste momento não há um único deputado socialista que consiga defender tão bem o partido como o próprio PM. No final o líder parlamentar fez um discurso irónico, quase a espicaçar Paulo Rangel, que nesta altura estava com uma cara de poucos amigos. Temos um Parlamento em que o partido da maioria nos seus discursos apenas trata de "gozar" com os adversários, em vez de fazer verdadeira política.

5. Na bancada do PSD houve uma estreia que podia ter sido em grande, infelizmente, não foi. A "folha A4" deverá ficar para a posteridade. O discurso de Paulo Rangel foi bom, tocou os vários sectores sem extremismos ou demagogias. Mas Paulo Rangel cometeu duas ou três falhas que permitiram ao genial orador Sócrates cilindrá-lo como se ele fosse um amador no Parlamento. Não convém que estas falhas aconteçam porque se há coisa que José Sócrates sabe fazer é reduzir ao ridículo qualquer bom discurso. Uma coisa que não lhe ficou bem foi a falta de fair-play político quando rejeitou das mãos da funcionária os documentos que Sócrates lhe enviara e a "cara de mau" durante todo o debate depois de Sócrates ter ridicularizado o seu discurso.

6. O CDS deu-nos mais do mesmo. Mostrou-nos umas facturas absurdas com um discurso que nunca imaginei possível. Ao início parecia uma situação semelhante à apresentada anteriormente sobre o gás butano, afinal, era simplesmente uma factura de Janeiro comparada à factura de Julho, para se chegar à brilhante conclusão que o preço, apesar da baixa do imposto, tinha aumentado. Aposto que ao PM só deu vontade de mandar calar tanta barbaridade.

7. O PM continua a ser a excelência na oratória em pessoa. Com falhas que podiam perfeitamente ser aproveitadas por uma oposição com o mínimo de capacidade, brinca naquele Parlamento como se fosse um educador numa creche. Sócrates de parvo não tem nada. Não é por acaso que vai tantas vezes à casa da democracia. Não tem ninguém à sua altura no debate político e é por isto que, apesar de tudo, tem toda a legitimidade em estar onde está. Sócrates ganhou o que ganhou e chegou onde chegou através do debate político puro e duro. Concordo plenamente com quem diz que Sócrates foi o melhor PM dos últimos quinze anos (aqui e aqui)

Não vi o debate mas depois de ler este post, ainda bem que não o vi...
Al Kantara a 11 de Julho de 2008 às 11:45

Boa descrição do "cara de mau" por causa da folha A4... lol. Mais do que ridicularizado, Rangel foi ridículo.
Anónimo a 12 de Julho de 2008 às 04:54

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