A máfia da blogosfera
08
Jan 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 21:39link do post | comentar
Ao anunciar esta notícia, o Gabriel Silva do Blasfémias utilizou o título "O Caminho da Servidão". Deixei um comentário no post, mas como a matéria é interessante, decidi eu próprio escrever sobre o assunto.
Para ser franco, e apesar de partilhar dos ideais liberais, não vejo a vinda de grande mal ao mundo com a constituição de um tal conselho. Isto se, e só se, o conselho que se pensa fazer fosse apenas consultivo. Isto é, “recomendasse” linhas de actuação e não as impusesse. Porque é que acho que poderia ser interessante algo do género? Para facilitar. Sim, porque a verdade é que numa economia de mercado os investidores têm de decidir em que investir e muitas vezes isso é extremamente complicado, nomeadamente para quem começa uma nova empresa ou para quem não tem grandes conhecimentos de Economia. Um Conselho como esse poderia “sugerir” quais as ramos de actividade rentáveis e não rentáveis, alertar para bolhas e para os seus “rebentamentos”. Nunca, obviamente, com planos à Estaline, obrigatórios, mas sim com recomendações meramente indicativas. Iria trazer muita estabilidade a algumas economias provavelmente.
O problema é se o Conselho tornasse as suas orientações regras e as economias mundiais ficassem dependentes das resoluções da entidade, tal como a diplomacia actualmente está em grande parte dependente do Conselho de Segurança da ONU. Se tal acontecesse, teríamos dois problemas fundamentais. Em primeiro lugar, o tal Conselho iria, como facilmente se prevê, beneficiar uma parte em detrimento da outra, ou seja, as resoluções do Conselho não iriam afectar a todos de igual maneira. Em segundo lugar, teríamos como regra instituída toda uma linha de pensamento muito associada ao modelo social europeu, muito próxima da social-democracia e do Estado-Providência, a qual é considerada por muitos como uma linha de pensamento errada, incluíndo-me eu no grupo.
Depende muito do que se pretende. A pretender-se a segunda opção, espero que ninguém dê ouvidos à Chanceler alemã.

-Conselho económico mundial? Talvez a seguir uma nova ordem mundial? Hitler sonhou com uma, Estaline com outra, prefiro acreditar no homem livre!
António de Almeida a 8 de Janeiro de 2009 às 22:52

Não interprete mal as minhas palavras, caro António. Eu não quero uma nova ordem mundial, nem a sonhada pelo Hitler nem a sonhada pelo Estaline. O que eu acho é que a existência de um órgão consultivo não é propriamente negativa. Claro que a imposição de ideologias o é. Mas aconselhar ainda não é crime, e muito menos pecado. Olhe o FMI, por exemplo, não faz recomendações aos países de como melhor conduzir as suas economias?

Cumprimentos,

TMR
Tiago Moreira Ramalho a 8 de Janeiro de 2009 às 22:55

O FMI faz recomendações quando não mete lá o dinheirinho. Quando isso acontece deixa de recomendar e pasa a impor políticas económicas socialmente insensíveis e disparatadas, de que toda a América Latina se pode bem queixar...
Al Kantara a 9 de Janeiro de 2009 às 10:50

Isso é óbvio Al Kantara. Então um Fundo Monetário Internacional dá dinheiro a um país para que se desenvolva. Isto já de si é duvidoso. Mas o descalabro seria o FMI permitir que o país fizesse "o que quisesse" com o dinheiro. Se o querem, têm de respeitar certas coisas, caso contrário, que o arranjem noutro lado.

Abraço
Tiago Moreira Ramalho a 9 de Janeiro de 2009 às 18:40

-Caro Tiago
-Mas para recomendar não basta o FMI? Impôr o que quer que seja, sou contra, para recomendar já existe quem, claro que até podem criar mais 30 organismos consultivos, sem serem deliberativos são inúteis. Obviamente que dramatizei no exemplo, não o tenho em conta de extremista, foi ironia.
António de Almeida a 9 de Janeiro de 2009 às 22:23

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