A máfia da blogosfera
07
Nov 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 08:25link do post | comentar
Assisto frequentemente ao programa da RTP "Corredor do Poder". Curiosa e paradoxalmente, considero-o francamente mau, se calhar até é por isso que o vejo tantas vezes. Os intervenientes são aquilo que não deveriam ser num debate político feito naqueles moldes: deputados e dirigentes dos partidos com assento parlamentar. Todo o debate é feito de uma forma desorganizada, com uma intervenção crítica crescente da moderadora (Sandra Sousa) que mostra várias vezes as suas próprias "tendências". Os comentadores, pasmem-se, são Nuno Melo do CDS, Marcos Perestrello do PS, Marco António Costa do PSD, Margarida Botelho do PCP e José Soeiro do BE - antes tínhamos a fantástica Ana Drago que saiu. Todo o discurso é de campanha, um autêntico mini-parlamento em que Marcos Perestrello finge ser José Sócrates e os restantes tratam de atacar, quais feras, todas as políticas do governo, que Marcos Perestrello defende com unhas e dentes. Pessoalmente, aponto como pior característica do programa a falta de liberdade de pensamento. Acredito que os comentadores, por estarem filiados nos respectivos partidos, possam concordar com algumas ideias das suas direcções, mas ver o Marcos Perestrello a defender como suas as ideias do governo, a invadir campos que não são os seus, como o da economia, dizendo as maiores barbaridades que se podem ouvir, de tão aberrante, chega a ser divertido. Independentemente daquilo que são as minhas inclinações políticas, tenho de afirmar que os melhores comentadores são o Nuno Melo, o Marco António Costa e era, agora já não está no programa, a Ana Drago. Eram três comentadores que, apesar de ligados aos partidos, defendiam ideias suas. Quando oiço um destes três não me lembro nem de Paulo Portas, nem de Manuela Ferreira Leite nem de Francisco Louçã. O mesmo já não acontece com Margarida Botelho cujo discurso é igual ao de Jerónimo de Sousa e de todos os comunistas que por um qualquer fenómeno da natureza nasceram com cérebros geneticamente iguais que lhes permitem pensar exactamente o mesmo em todas as questões (gostei particularmente da "opinião" de Margarida Botelho sobre a nacionalização do BPN - com todos os intervenientes do debate a aplaudir a medida, ela foi a única a considerá-la errada, quando lhe pediram uma alternativa, disse que "não era essa a questão", quando lhe perguntaram sobre os postos de trabalho e sobre as pequenas poupanças, disse que "não era essa a questão" e começou a dissertar longamente sobre nada). Temos ainda o pobre José Soeiro que é francamente desrespeitado, nomeadamente pelos senhores da direita (devem ter lido o texto do Pedro Arroja no Portugal Contemporâneo) e que ontem teve uma prestação fraca, avançando para a demagogia já característica do BE e avançando para acusações graves em relação às ligações do BPN ao PSD, dizendo a já frase feita de que o "BPN era o banco sombra do PSD". Ponto positivo para Marco António Costa que soube responder à altura.

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