A máfia da blogosfera
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Jul 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 18:43link do post | comentar
Há uns tempos vi um Prós e Contras em que se falou do TGV, do aeroporto e dessa febre do betão instalada pelo país. Nesse programa, lembro-me de um senhor, não me lembro que senhor, dizer que precisamos de políticas de transporte sólidas, à semelhança de Espanha, onde existem planos para a mobilidade e acessibilidade com períodos de 15 anos e para os quais o Estado canaliza alguns milhares de milhão de euros. Eu concordo com o senhor, considero realmente que precisamos de políticas estruturadas e não só nos transportes, infelizmente começo a achar que tal realidade assume um carácter utópico em Portugal.
É impressionante a quantidade de volte-faces que as decisões dos governos tomam. Em escassos meses, um aeroporto decidido pelo Salazar muda de localização. Em escassos meses um investimento considerado pelo FMI como vantajoso para Portugal é posto em causa (falo do TGV), então dou por mim a perguntar: o que raio se passa aqui?
Todos os partidos na oposição se queixam do betão. Quando chegam ao governo é no betão que se focam. O mais extraordinário é que muitas vezes o betão não é, de todo, necessário. Não são escutadas com atenção as vozes de quem sabe. A questão do aeroporto, desde início, não foi a construção ou não construção, a discussão já tinha a construção como garantida, apenas faltava decidir o "onde". Li artigos a comparar o nosso aeroporto a outros como o de Málaga em que se dizia explicitamente que seria perfeitamente rentável potencializar mais a Portela em vez de construir um novo aeroporto de raiz em Alcochete ou na Ota. Porque é que não oiço nenhum político colocar a possibilidade de um aeroporto novo não ser necessário? O nosso aeroporto comparado com aeroportos que ninguém põe sequer em causa fechar como os de Londres está às moscas, completamente às moscas.
O novo-riquismo português não é só característico das famílias cuja vida é financiada pelo crédito, este novo-riquismo alastra-se para S. Bento, onde se pensa poder fazer tudo o que se quer com fundos maravilha vindos da UE. Eu só gostava de lembrar uma coisa: os investimentos que se fizerem agora, só começarão a ser pagos a partir de 2014. Em 2013 termina o actual QREN e, com ele, a situação previligiada de Portugal na distribuição dos fundos comunitários. Eu nem quero imaginar os défices orçamentais e as dívidas públicas nos anos a seguir a 2014. Preparem-se para uns impostos extra.

Parabéns pelo blogue, que está cada dia melhor.
Pedro Correia a 19 de Julho de 2008 às 19:53

Obrigado Pedro.
Tiago Moreira Ramalho a 19 de Julho de 2008 às 19:58

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