A máfia da blogosfera
05
Jul 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 19:38link do post | comentar
Este post do blogue Ladrões de Bicicletas dá-nos a conhecer que na Nova Zelândia se tem assistido a uma nova "onda" de reforço do Sector Empresarial do Estado (SEE). O autor, João Rodrigues, parece concordar. Eu não.

Existe na nossa actual acepção do que são as funções do Estado uma que dá pelo nome de "Eficiência" (as outras são "Estabilidade" e "Equidade"). Muitas vezes, não é vantajosa para o Mercado a exploração de determinados negócios, há inúmeros exemplos disto. Por exemplo, não existe nenhuma empresa que se dedique a investigação, no abstracto. Mesmo que esta empresa vendesse patentes daquilo que descobre, nunca seria rentável e acabaria com enormes prejuízos. A função do Estado a que chamamos eficiência visa, exactamente, colmatar estas falhas de mercado criando-se empresas públicas que, pela possibilidade de realizarem investimentos a longo (ou extremamente longo) prazo, são opção. Olhem o caso das energias renováveis, a EDP já tem lá uma área para as renováveis, mas ao que sei, as centrais fotovoltaicas ainda foi o Estado que pagou. É aqui que o SEE deve entrar, na supressão das falhas de mercado, para que nada nos falte. Nas outras áreas em que o mercado se consegue mexer bem, o Estado deve apenas assumir a função de regulador, de "polícia", para que nos certifiquemos que as empresas não cometem crimes.

Uma nova onda de aumentar o peso do SEE anda a surgir por aí. Muitos até dão o exemplo do gigante EUA que está a pensar nacionalizar o sector petrolífero. Isto apenas se verifica quando existe algum factor que a isto obrigue, no caso das petrolíferas americanas, acho que não preciso de enunciar quais são esses factores... De resto, deve deixar-se o mercado "andar à vontade" mas com os "olhos" do Estado a controlar os seus movimentos para que não hajam chatisses. Os SEE são regra geral ineficientes, se fossem rentáveis, não tínhamos tido a necessidade de privatizar tanto nos anos 80, certo?

"Os SEE são regra geral ineficientes, se fossem rentáveis, não tínhamos tido a necessidade de privatizar tanto nos anos 80, certo?"

Errado. A função do SEE não é ser eficiente numa lógica meramente analítica, mas como disse e bem, colmatar as falhas do mercado e não só. Isto porque o proveito que se obtém do custo, quando quantificável, mede-se não pela receita mas pelo impacto que gera na economia. Por exemplo, como é que se mede a eficiência da escola pública?

A exploração dos caminhos de ferro ou do petróleo são exemplos onde a presença do Estado é vantajosa porque são monopólios naturais (http://www.auburn.edu/~johnspm/gloss/natural_monopoly) com grandes externalidades na restante actividade económica. O mercado não é optimizador porque a maximização do lucro num sector sem concorrência faz com que a empresa estique o preço bem para lá do nível óptimo (http://welkerswikinomics.com/blog/wp-content/uploads/2007/11/regulated-monopoly_1.jpeg), acabando por ter um impacto negativo nos que dela dependem (no caso das petrolíferas somos todos nós).
Miguel Lopes a 6 de Julho de 2008 às 01:52

"Nas outras áreas em que o mercado se consegue mexer bem, o Estado deve apenas assumir a função de regulador, de "polícia", para que nos certifiquemos que as empresas não cometem crimes."

Não entendo porque é que tem de ser assim? Consegue-me explicar quais as suas justificações?
Stran a 8 de Julho de 2008 às 11:54

É simples stran.

1. o controlo absoluto da economia implica uma restrição inconcebível das liberdades. muitas vezes este argumento não é compreendido, portanto passo a explicá-lo. a economia, ou a actividade económica baseia-se naquilo que cada um de nós (famílias, instituições financeiras ou empresas) fazemos com o nosso dinheiro. cada um dos agentes tem uma determinada função e dentro dessa função, têm total liberdade. um controlo excessivo pela parte do estado da actividade económica leva a restrições nas liberdades.

2. ou o 8 ou o 800. o que é que isto significa? se o estado tiver um sector empresarial que produza bens e serviços para o mercado (tal como uma empresa) trará enormes perturbações porque o estado tem sempre vantagens em relação aos investidores comuns (não é por acaso que a CGD é o bando número 1). isto significa que qualquer empresa que concorresse num mercado em que o estado estivesse presente iria sofrer imenso para subsistir, quanto mais para crescer.

3. como eu disse no post, administrações públicas muito pesadas são, regra geral ineficientes (está também é para o miguel). porquê? para as administrações públicas as pessoas não são contratadas, são eleitas e isto, muitas vezes, não é a forma mais justa de atribuir um cargo, obviamente pela falta de qualificação de advogados para gerirem empresas (isto soa estranho?).

as administrações públicas devem tratar de questões políticas. no que respeita à economia, devem dar empurrõezinhos mas quem tem de andar são os privados.
Tiago Moreira Ramalho a 8 de Julho de 2008 às 17:19

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