A máfia da blogosfera
04
Jul 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 09:43link do post | comentar
(...)A promessa do primeiro-ministro é de que irá reduzir estas taxas, mas a medida pode não ter grandes efeitos. Primeiro, porque a lei já isenta de IMI as famílias que preencham duas condições: que tenham um rendimento anual inferior a cerca de 10 mil euros e cuja casa não tenha um valor patrimonial superior a cerca de 50 mil euros. Ou seja, estes contribuintes não irão sentir qualquer diferença.

A lei permite ainda outra isenção. As casas cujo valor patrimonial seja inferior a 157.500 euros estão isentas por seis anos e as casas entre 157.500 e 236.250 euros estão isentas por três anos. Como por lógica os contribuintes de rendimentos mais baixos compram casas de valor mais reduzido, a grande maioria goza de isenção, logo, enquanto a mantiverem, não sentirão a redução de taxas.

Assim, apenas beneficiarão os contribuintes que já perderam a isenção e todos os que compraram casas de valor mais elevado. Refira-se que, segundo números publicados pelo Jornal de Negócios, 70 por cento das casas transaccionados entre 2004 e Janeiro de 2006 estavam isentas de IMI. (...)

É impressionante como se faz propaganda barata assim tão facilmente. Quando vimos o Eng. Sócrates na televisão a anunciar a baixa do IMI ficámos felizes por os efeitos do aumento das taxas de juro já não se reflectirem tanto nas nossas despesas com a habitação. Depois, sabemos que tudo é uma farsa. Pelo menos no que ao IMI diz respeito, nada, ou quase nada, vai mudar. A intenção de previligiar os mais carenciados, se alguma vez existiu, saiu furada.

Quanto ao IRS, penso que a demagogia não veio do PM, mas sim do Público. Ao que parece, com o aumento das deduções deste imposto, as pessoas do terceiro escalão, com rendimentos até aos 13.500€ anuais (cerca de 964€ mensais) apenas pouparão 14€ por mês. Esta ideia transmitida pelo jornal é, em primeiro lugar, pouco profissional (ainda sou do tempo do jornalismo isento), e, em segundo lugar, pouco verdadeira. Repare-se que 14€ por mês numa família com rendimentos de 964€ é um aumento de 1.5% do rendimento mensal. Isto é mais que os aumentos sentidos nalguns anos anteriores, não?

Sempre me intriguei porque é que existe esta coisa de, quando se aumenta 1% de um imposto, há centenas de milhar na rua a protestar. Quando se aumenta 1.5% do rendimento (que deve ser bom...) há centenas de milhar na rua insastisfeitos, porque querem mais. Quando é que alguém vai ficar satisfeito com alguma coisa na nossa pequena praia?

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