A máfia da blogosfera
12
Set 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 09:04link do post | comentar
O Portugal Contemporâneo é um blogue que me suscita muitos acenos de cabeça. Escrito por conservadores libertários vem, não raras vezes, de encontro ao que penso. No entanto, dois textos dos últimos dias fizeram-me discordar, ao ponto de escrever este post.
Dia 11, ontem, o Rui Albuquerque escreve que a laicização do ensino trouxe um vazio educacional ao nível dos valores que muitas vezes os pais não conseguem preencher devido às circunstâncias da vida: emprego, incompatibilidade de horários, etc. Por isto, propõe um ensino com formação religiosa para que as crianças saibam distinguir o bem do mal, o certo do errado, o justo do injusto. Discordo totalmente. Em primeiro lugar, os pais têm o direito de escolher se os filhos podem ou não ter formação religiosa. Por exemplo, porque é que uma família muçulmana a viver em Portugal tem de ver o seu filho educado para o catolicismo? Não faz sentido. Tem tudo que partir da vontade da família. E existe espaço para que se faça a vontade: inúmeras igrejas têm a chamada catequese que dá uma formação religiosa aos jovens rebentos, por outro lado, mesmo na escola, existe a possibilidade de ter aulas de Educação Moral (exactamente a expressão que o Rui escreveu). Percorremos um longo caminho para a realidade actual, em que o estado não nos impõe a nossa religião. Curiosamente este texto até vai contra um que o próprio Rui escreveu há uns tempos, "o caminho da servidão", em que condenava a constante intromissão do estado nos assuntos privados dos cidadãos. Há algo mais privado que a ética e a religião?
Hoje, o Joaquim, muito na linha do que o Rui escreveu ontem, disse concordar com Sarah Palin quando esta defende o ensino do criacionismo nas escolas públicas. Disse que tinha mudado de opinião, que anteriormente não defendia tal coisa. O errado no ensino do criacionismo nas escolas públicas está exactamente no facto de ser uma crença religiosa e não uma teoria científica. A teoria evolucionista e da criação do Universo é supra-religiosa, não se relaciona com fé, por isso pode ser aprendida por todas as pessoas. Já a teoria criacionista faz parte da fé cristã e ensiná-la iria contra a vontade de muitas famílias americanas certamente. Questões que o Joaquim enunciou, como: "porquê o mundo?" e "porquê não o nada?", são perguntas para se formular em aulas de Filosofia (acho que na América há disso) e às quais não se deve dar uma resposta como verdade absoluta.
Ensinar os jovens com base em fundamentos religiosos iria só alimentar fanatismos, fechar mentes, e levar-nos de novo para uma Idade Média, onde o progresso e ciência ficariam completamente apagados. É bom que se pense nas consequências de coisas tão simples como o ensino religioso nas escolas públicas.

A religião tem de estar em harmonia com a razão. Se assim não for, é mera superstição.

Quanto ao ensino da religião na escola, este pode existir; mas nenhuma religião pode condicionar o ensino da ciência. Isso seria inaceitável.
Marco a 12 de Setembro de 2008 às 18:10

Ah Tiago, a leitura destes conservadores libertários (não sei o que isso será mas é bonito...) também me suscita muitos acenos de cabeça : "Mas como é que se pode pensar assim no século XXI ?"...

PS - Essa da religião nas escolas para as criancinhas diferenciarem o bem do mal porque os paizinhos não têm tempo é de morrer...
Al Kantara a 13 de Setembro de 2008 às 09:51

Ó Al atão há aí tantos blogues deles e não sabes o que são? Tens de te actualizar...

Sabes que o efeito Palin é tramado, a senhora ou tem ou tem razão.
Tiago Moreira Ramalho a 13 de Setembro de 2008 às 11:35

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