A máfia da blogosfera
21
Ago 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 15:04link do post | comentar
Ao longo de todo este verão tenho lido e ouvido de tudo sobre os atletas olímpicos. Um presidente do COP que promete medalhas e se demite antes do tempo. Um lançador de peso que só está bem na caminha. Uma outra que lutou contra o árbitro. E ainda há quem vá para os Olímpicos sem se dar bem com aquele tipo de competição, paradoxal não?
Mas tudo isto são fait-divers, a discussão verdadeiramente importante sobre os Olímpicos reside no dinheiro. Ele há os que dizem que foram mandados 15 milhões para o lixo porque só ganhámos duas medalhas (o Nélson Évora acabou de se sagrar campeão olímpico do triplo-salto), há outros que dizem que devíamos ter dado ainda mais dinheiro, outros ainda dizem que o estado não devia dar um tostão aos atletas. Pois se é sobre dinheiro que querem falar, sobre dinheiro eu também falo.
Existem 207 países em competição e, obviamente, nem todos têm o mesmo procedimento quando se fala em investir no desporto. Existem dois exemplos que são os mais extremados: os EUA com o seu liberalismo económico que impede o governo de dar um níquel que seja aos atletas, sendo todo o financiamento proveniente dos privados; e a China com o seu socialismo que faz com que o estado trate de tudo, ninguém mais precisa de se preocupar. No meio destes dois pólos existem os híbridos, aqueles países onde os subsídios do estado e dos privados se complementam. Portugal, infelizmente, não se encaixa em nenhum. A nossa tradição socialista e centralista não permite que de um momento para o outro o estado corte os subsídios e passem a ser as famílias e as empresas a patrocinar os atletas. A nossa tradição de esperar que o estado trate de tudo não nos permite lembrar que até podíamos ajudar um atleta, sabe-se lá, com um sistema de apadrinhamento. A nossa tradição contestatária não permite um aumento dos impostos para que se financie o desporto e a cultura. Ou seja, somos um país teoricamente híbrido, em que os subsídios do estado e os patrocínios dos privados se complementariam à partida, mas que na prática não o é pois cabe ao estado a responsabilidade de com parcos recursos financiar tudo. Enquanto em Portugal a JCA dá máquinas de lavar à Telma Monteiro (Sábado da semana passada), li ali no Zero de Conduta que há um banco na Holanda, o "Rabobank, que investe tanto no ciclismo como a totalidade das empresas nacionais em todo o desporto extra futebol".
Com investimentos e apoios destes, as nossas delegações aos Olímpicos só podem resultar numa coisa: sonhos frustrados de pódios, medalhas e hinos entoados.

Aqui ou na China, são sempre os privados que financiam os atletas. O Estado apenas é o intermediário. O dinheiro que os atletas recebem é proveniente dos impostos coercivamente cobrado aos privados.

A diferença para os EUA é que os privados não podem escolher que atletas financiar, simplesmente não os financiar ou financiar ainda mais.
Anónimo a 22 de Agosto de 2008 às 10:52

arquivo do blogue
2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


pesquisar