A máfia da blogosfera
24
Ago 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 13:53link do post | comentar
Já escrevi aqui n' O Afilhado que sou a favor do divórcio por decisão unilateral, apesar de partilhar de algumas preocupações que tem o Presidente da República. Mas eu sou a favor deste divórcio simplesmente porque "quando um não quer, dois não dançam", ou seja, porque não faz sentido que se mantenha um casamento quando uma das pessoas não quer, mesmo que a outra queira. A Ana Matos Pires, por seu turno, tem uma visão um pouco diferente da validez da lei:
«31 mulheres mortas em 2008, mais oito vítimas de violência doméstica até Agosto deste ano do que ao longo de todo o ano passado - as casadas morreram com a certeza que tinham salvaguardado “o seu «poder negocial», designadamente a alegação da culpa do outro cônjuge ou a recusa no divórcio por mútuo consentimento”, que sorte…»
Para a Ana Matos Pires o divórcio por decisão unilateral é justificado pelo facto de haver violência doméstica e mulheres mortas pelos maridos. À partida o argumento parece válido, mas desmonta-se apenas com esta pergunta: "se houver divórcio unilateral, vai haver menos mulheres a sofrer de violência doméstica?". Penso que é óbvio para qualquer pessoa que não. Neste momento existe a possibilidade de divórcio e, apesar disso, estas mulheres não se divorciam. Porquê? Porque caso o façam, sofrem represálias. Esta realidade não vai mudar caso elas possam divociar-se mais facilmente.
É por isto que considero o que a Ana Matos Pires escreveu um exemplo da mais pura manipulação, tão característica de algumas facções em alguns debates. Faz lembrar a história do aborto, em que o aborto legalizado era justificado pelo facto de haver muito aborto clandestino e não pelo facto de ser certo ou errado. É por isto, Ana Matos Pires, que considero o que escreveu um nojo, tal como escrevi no comentário que lhe deixei, espero que perceba agora a minha reacção.

Caro Tiago,

Não me parece que o texto da Ana Matos Pires justifique tanta beligerância verbal da sua parte. Bem sei que o verão põe as hormonas nas pontas dos dedos, mas é melhor guardar a agressividade para outros campos.

Cumprimentos,
PM
Pedro Morgado a 25 de Agosto de 2008 às 03:09

Precisamente Tiago. Até parece que as mulheres que sofrem violencia domestica se estiverem dispostas a enfrentar o conjuge e a divorciar-se não recebe apoio do Estado para se divorciar. Rídiculo.
Daniela Major a 25 de Agosto de 2008 às 13:06

Pedro,

A minha beligerância verbal não é apenas em relação ao texto da Ana Matos Pires. É em relação a todo o tipo de argumentação falaciosa que se vai fazendo por aí. Chateia-me profundamente quando se pega na desgraça alheia para marcar uma posição. Infelizmente isto passa por muitas áreas: a eutanásia é justificável porque há pessoas a sofrer, o aborto deve ser legalizado porque há mulheres a fazê-lo em más condições, deve-se fazer o aeroporto de Alcochete porque houve um acidente de avião em Espanha. Utilizam-se exemplos que chocam para convencer as pessoas, mesmo quando uma coisa não leva à outra. Sou a favor de um divórcio por decisão unilateral, mas não gosto de ver que a defesa deste projecto é feita com base em falácias e manipulações. Se calhar fui demasiado agressivo, mas foi o que senti na altura...

Os melhores cumprimentos,
TMR
Tiago Moreira Ramalho a 25 de Agosto de 2008 às 14:28

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