A máfia da blogosfera
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Out 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 21:58link do post | comentar

“Há três semanas que tenho esperado dela uma intervenção de fundo, como tiveram os líderes das oposições em Inglaterra e Espanha. [Ela] tinha condições únicas para isso. Os portugueses esperam que fale da crise, que dê confiança, que convide o primeiro-ministro a conjugar esforços com os partidos da oposição, como disse [David] Cameron em Inglaterra e muito bem. Ela tem um estilo e uma estratégia que não contavam com a crise. Mas a crise é a crise. Não percebo como ela e a sua direcção política não perceberam qual era a intervenção política que os portugueses esperavam dela.”

Isto foi o que o fiel paladino de Manuela Ferreira Leite, Marcelo Rebelo de Sousa, disse no seu programa semanal da RTP. E acertou na mouche. Não é por acaso que as sondagens dão ao PSD uma posição pior que as de Agosto, altura em que andava em contida ascensão. A estratégia política é do critério de cada um, mas MFL tem uma responsabilidade maior: é a líder do único partido que, actualmente, rivaliza com o PS pelo poder. É por isto que MFL não pode simplesmente deixar ao abandono aquilo que assusta todos os portugueses.
Temos neste momento um primeiro-ministro arrogante que faz o que quer no Parlamento (não por competência própria, mas por incompetência alheia - há certos "argumentos" de Sócrates que eram facilmente desmontados por um miúdo que estude Filosofia) e uma líder de oposição que pura e simplesmente não se manifesta: não cria plataformas de debate, não faz intervenções na TV ou na Rádio. Ninguém pode confiar em MFL porque ninguém sabe, de todo, o que ela pensa sobre os assuntos que dominam a actualidade, é uma candidata a primeira-minista (a primeira eleita, caso o fosse) que não transmite um pingo de confiança a quem quer que seja. A intervenção política de MFL é igual à de tantos outros políticos de base: uma coluna num jornal. O povo procura no primeiro-ministro uma figura paternal (ou maternal), procura uma pessoa que venha salvar a pátria e nos leve lá para cima nos rankings internacionais, tão em voga. Mas antes disso, procura um primeiro-ministro em quem confiem, pois na actual crise de confiança na política e nos políticos, se não nos aparece um Obama, mais cedo ou mais tarde, viveremos numa democracia em que o povo simplesmente ignora que detém o poder.

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