A máfia da blogosfera
08
Set 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 18:30link do post | comentar
Como já havia escrito aqui n' O Afilhado, fui à Festa do Avante. Quando entrei disse, por brincadeira, "isto 'tá visto, vamos andando". O engraçado é que aquilo que foi dito em tom de brincadeira se revelou uma verdade profunda. A Festa do Avante de 2008 só teve uma coisa diferente em relação ao costume: os cartazes eram verdes, coisa que me surpreendeu.

Estava tudo combinado, ia apanhar um autocarro, depois outro e andar um bocado. Os autocarros vinham cheios de gente em pulgas por ir à Festa Comunista, depois de uma sexta-feira impeditiva. No meio da multidão vinha um velho de placa mal posta de olhos arregalados a mirar a "malta", os "montes de malta" que subia a rua em direcção à portagem, como chamei à entrada. Depois de entrar, desci em direcção ao Palco 25 de Abril e vi, de um lado e do outro, primeiro bancas com o traje neo-hippie dos jovens frequentadores do Avante e, depois, as tendas regionais com comidas tradicionais como a bifana, o hambúrger e o cachorro. Quando cheguei ao Palco, dirigi-me à Festa do Livro onde dei uma volta pela mesa das Edições Avante onde vi A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, do Engels (não me esqueci Al) e procurei A Mãe e a 25ª Hora, sem sucesso. Com o passeio à Festa do Livro feito, voltei para a rua. Encontrei mais uns amigos que tinham acampado na Atalaia e ficámos à conversa durante algumas horas. Hora de Jantar. Fomos à Telepizza (estranho, não?), mas estava cheia de gente, o que nos fez mudar de planos e ir à tenda do Porto. Depois do jantar jantado fomos para o Palco 25 de Abril outra vez onde conversámos na relva a ouvir uma banda famosa que não conhecíamos. Mais à noite iam actuar os Da Weasel. Não fiquei para ouvir, vim embora. Tudo isto no Sábado.


No Domingo decidi ir mais cedo e decidi fazer outro percurso. Fui até ao comboio do Pragal e nos Foros da Amora apanhei um autocarro da Festa do Avante, gratuito para quem tinha o bilhete dos três dias a quem era dado um "passe" e um "guia do visitante" (quem tem uma EP tem tudo). No autocarro gratuito ouvi uma senhora dizer aquele que continua a ser o mais poderoso argumento em defesa do comunismo português, em forma de conto, o que me lembro rezava assim: estava um senhor rico a falar com um analfabeto, o rico tentava convencer o analfabeto que o comunismo era mau, ao que o analfabeto responde, "olhe ele para os trabalhadores não deve ser muito mau, porque vocês os patrões, nenhum gosta dele". Cheguei às 13, com um sol abrasador que me deu o bronze que a Beira roubou. A volta do dia não foi diferente, apenas maior. Comi uma bifana na tenda do Porto (o Porto nesta edição fartou-se de ganhar dinheiro, a tenda era ao lado do palco principal) e vi uma coisa que me deixou a pensar: no "guia do visitante" que me tinham dado havia algumas horas, vinham duas caixas de publicidade, uma era com os SMAS de Almada a outra com a ECALMA, a empresa de estacionamento de Almada, ambas empresas públicas, uma é uma prestadora de serviços sem concorrência, pelo que a publicidade é dinheiro desperdiçado, a segunda é uma empresa pública tipo EMEL, o que faz a publicidade ser absurda. A Presidente da Câmara Municipal de Almada é Maria Emília de Sousa, do PCP. Não faço acusações, apenas constato factos que deixo à consideração dos caros leitores. Depois fui para o Palco 25 de Abril ouvir TerraKota (uma banda interessante com um tema fantástico que todos deviam ouvir com muita atenção "É Verdade"), mas antes da banda aconteceu o que de mais mágico há na Festa, A Carvalhesa começou a tocar e toda a gente começou a correr eufórica para o recinto do palco principal para dançar aquela música. Arrepios. Mais arrepios. É aquilo que falta aos outros partidos todos: aquela alegria quando um hino do partido é entoado, aquela euforia, aquela beleza. É um espectáculo impressionante de se ver. Findo o concerto voltei à Festa do Livro, desta vez para comprar. Um mar de gente. Procurei novamente A Mãe e a 25ª Hora, novamente sem sucesso. Farto de navegar naquele mar de gente, peguei n' A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado e corri para a "caixa". Já debaixo do sol abrasador do Seixal, paraíso tropical em plena Margem Sul, fui para o lago onde estive sentado na relva. De repente começa a ecoar o discurso de Jerónimo de Sousa. Não prestei muita atenção, mas houve algumas partes que me ficaram na cabeça. A primeira coisa foi a resposta de Jerónimo aos críticos que dizem que o Avante atrai muita gente por todos os motivos menos os políticos. O líder comunista disse que ao passo que Manuela Ferreira Leite tinha cem universitários, ele tinha muitos mil a ouvi-lo. Neste momento eu estava a ir a procura de qualquer coisa para comer e reparei que eram mais os que estavam no lago do que os que estavam no palco. Depois também gostei da parte em que ele defendeu Abril e assumiu, como já vem sendo hábito dos comunistas, os louros da Revolução que todos sabem ter sido protagonizada pelas Forças Armadas. Revolução que o PCP quis aproveitar para criar um regime comunista imposto pela força na nossa pacata praia (disto nunca ninguém se lembra, infelizmente). Um pouco depois de todas estas odes à liberdade, celebrou a Revolução Cubana e o comunismo cubano, que como todos sabemos é um exemplo de liberdade e democracia para o mundo. basicamente, a coerência a dominar o discurso. Eram umas sete da tarde quando vim embora.
Assim foi a minha Festa do Avante!.

Aquilo podia ser tranformado numa parque temático: trabant e skodas a circular (ao empurrão), pessoal a tentar trepar o muro de Berlim e ser fuzilado ficando pendurado no arame, prisioneiros a escavar valas comuns, uma réplica das casernas do Gulag, Beria a "despanhar" Estaline com uma caneca de chá, etc
Anónimo a 9 de Setembro de 2008 às 22:44

ahahah era uma bela iniciativa essa!
Tiago Moreira Ramalho a 10 de Setembro de 2008 às 00:09

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