A máfia da blogosfera
04
Set 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 09:58link do post | comentar

A partir do momento em que numa entrevista televisiva um Primeiro-Ministro de um país ataca despudoradamente um telejornal e em que num congresso partidário o Secretário-Geral, curiosamente a mesma pessoa que o Primeiro-Ministro, faz precisamente o mesmo, é inquestionável a responsabilidade moral indirecta, total ou parcial, tanto do governo como do partido em questão na suspensão desse telejornal. E é esta inquestionável responsabilidade que leva a que os partidos comentem algo que, num país decente, estaria completamente fora do seu interesse. Num país decente, claro.

Por muitas justificações que sejam dadas, nenhuma colhe. José Sócrates e o Partido Socialista foram longe de mais. E sabem disso.

03
Set 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 20:24link do post | comentar | ver comentários (24)

Num país decente, a substituição de um programa noticioso por outro e a demissão de uma direcção de informação de uma estação de televisão seria assunto que não interessaria aos partidos políticos a ponto de haver conferências de imprensa de todos, repito: todos. Num país decente.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 17:21link do post | comentar | ver comentários (6)

Da próxima vez que, a meio de um discurso de quem quer que seja, os jota-ésse-dês começarem aos gritos, boto uma bomba na S. Caetano à Lapa.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 14:41link do post | comentar | ver comentários (1)

Quando José Eduardo Moniz, à data da sua saída da TVI, afirmou publicamente que seria um escândalo o fim do Jornal Nacional de 6ª Feira, julguei sinceramente que ninguém iria ter coragem para o cancelar ou suspender. Enganei-me. Soube-se agora que o «telejornal travestido» que tinha como principal função a «caça ao homem», nas palavras do mui democrático líder do governo de Portugal, foi cancelado e que a direcção de informação se demitiu em bloco. Vivem-se maus tempos para a liberdade.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 13:45link do post | comentar

José Sócrates

Na sua primeira intervenção assemelhou-se a um cardeal patriarca: afirmou que a sua preocupação era transmitir confiança ao povo. Sócrates não entende que o que os portugueses precisam não é um líder espiritual, mas sim um líder político. Disse que Portugal foi dos primeiros a sair da crise e que a sua política económica estava a dar resultados. Sobre isto, o João Miranda já escreveu o suficiente.
No que respeita ao apoio às PME, Sócrates manteve o discurso socialista: apoiámos não-sei-quantas e vocês apoiaram menos. Sócrates não entende que um apoio à economia não pode ser feito com base em escolhas de empresas, escolhas essas sempre muito duvidosas, mas sim num aumento da margem de manobra de todas as empresas (simplificação do sistema fiscal, redução de impostos, se possível, etc.).
Mostrou, uma vez mais, que pouco diferente era dos socialistas mais ortodoxos quando se mostrou contra a hipótese de escolha dos cidadãos sobre que tipo de reforma ter: fundos públicos ou fundos privados. Paulo Portas respondeu-lhe na perfeição: «o trabalhador sabe muito melhor o que fazer ao seu dinheiro que o senhor”.
Em relação à segurança, conseguiu manter-se por cima ao acusar o CDS de incoerente entre a actividade parlamentar e a campanha eleitoral.
Infelizmente, pegou de forma muito, muito pouco correcta na questão da guerra. Muito pouco correcta a diversos títulos: por saber que, na altura, pouco mais nos restava, por saber que a participação portuguesa foi quase residual e por saber perfeitamente que durante o seu mandato não fez nada para acabar com o esforço militar e até o aumentou.
Sobre educação, Sócrates mostrou uma vez mais a sua face socialista, na tradição soviética, opondo-se à possibilidade de escolha, por parte das famílias, das escolas a frequentar pelos seus educandos. Conseguiu, sem se rir, falar das Novas Oportunidades como uma vitória – toda a gente soube, desde início, que todo o programa iria servir apenas para «números».
No final do debate, esteve muito bem «esteticamente» ao falar directamente para a câmara. É uma barbie, todos o sabemos. Não conseguiu, no entanto, resistir a, após o debate, dizer aos jornalistas algo que merecia figurar numa antologia de grandes frases da política portuguesa: «confio muito em mim e naquilo que fiz».
 
Paulo Portas
No início do debate voltou a trazer a falsa questão do «aumento da carga fiscal». É falso que o governo tenha aumentado todos os impostos. Se as receitas aumentaram, muito se deve ao necessário combate à evasão.
Sobre desemprego, Paulo Portas conseguiu atirar com perfeição a frase sonante de José Sócrates, que dizia, antes de ser governo, que 6,8% de desemprego era a marca de uma governação falhada.
Em relação à política social, Portas voltou a falar do RSI, um dos tumores de Portugal. Pessoalmente, admiro-o por isto: é o único que tem coragem para denunciar a situação. A hipocrisia e oportunismo de todos os outros faz perpetuas a situação vergonhosa que todos conhecemos. Quando Sócrates acusou a direita de querer privatizar a Seg. Social, Portas fez o favor de lembrar que 25% dos fundos do sistema estão investidos em bolsa. São os caprichos do mercado.
Quando o tema mudou para segurança, Portas pegou muito bem na questão do relatório que o governo decidiu apresentar apenas depois das eleições. Bastante conveniente. Falhou por ter deixado morrer a questão: deveria ter insistido.
No respeitante à educação, Portas também conseguiu sair por cima. Lembrou a frase maravilhosa de Maria de Lurdes Rodrigues («a paz com os professores vai sair muito cara ao país») e rematou com um perfeito, por verdadeiro, «o senhor quis virar um pais inteiro contra os professores».

 

Conclusões

Pareceu-me que, num debate algo nivelado, Paulo Portas conseguiu ganhar. José Sócrates, mais que na sua versão «português suave», esteve na sua versão «carneiro mal morto». Esteve apagado em várias partes do debate e não conseguiu responder em muitas situações. Se Portas é, e é, um político desgastado, Sócrates começa também a sê-lo.


02
Set 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 18:28link do post | comentar

«Section 1. The eighteenth article of amendment to the Constitution of the United States is hereby repealed. [...]

Em 1933, o moralismo abstémio já estava em desuso, o mercado negro proliferava, tinha havido uma crise grave. E faz-se uma emenda para repelir outra emenda, uma curiosidade constitucional. Mas é também uma boa lição: nunca proibir actos privados. Eles voltam sempre.»

 

Pedro Mexia, no recém nascido A Lei Seca

(a propósito da vigésima primeira emenda à Constituição dos EUA)


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 13:49link do post | comentar | ver comentários (3)
No ido século XIX, Bismarck impôs uma forma de fazer política que mandava os princípios, valores e ideais dar uma curva e que apenas se preocupava com as considerações práticas. Chamou-se-lhe realpolitik.
Nesta viragem de século, a classe política fundou uma nova forma de fazer política. Esta funda-se na realpolitik, por oca e instantânea, sem ideias nem estratégias, mas vai mais longe. Impõe o primado da imagem. É a barbiepolitik.
Provavelmente o maior exemplo de barbiepolitik de sempre foi e é Barack Obama. Se é certo que é um político com ideias, algumas geradoras de bastante polémica, é igualmente certo que o que o fez arrebatar o coração de tantos românticos worldwide foi a criação do culto à sua volta. Obama, antes de ser político, é um boneco. Um boneco daqueles que estampamos em camisolas, canecas e porta-chaves.
Por cá, à nossa escala, temos o obaminha José Sócrates. É alguém sem ideias, que sabe que só pode chegar ao poder através de uma imagem bem trabalhada. A prova disso é escolha da mandatária da juventude do partido – exemplo máximo da via pela barbiepolitik que José Sócrates e o seu PS vão escolhendo. Com tantos jovens com pensamento mais ou menos estruturado, relativamente consistente e com inteligência mais que reconhecida a pairar «à volta», o boneco escolheu uma boneca que ri muito e lê papeis à frente de assembleias de rapazes embevecidos.
E os proles, que são os únicos que nos podem salvar, não esqueçamos, simplesmente deixam-se encantar por tudo isto. Sem querer entrar nos apocalipsismos costumeiros, julgo que 27 de Setembro vai constituir a oportunidade de todos nós para que travemos a barbiepolitik em Portugal e a deixemos na televisão, na secção Internacional dos noticiários. Pessoalmente, num político quero ideias e não o vazio que obriga a que a campanha seja toda feita cortando fitas.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 10:41link do post | comentar

António Barreto no passado 10 de Junho fez um discurso sublime. Lindíssimo. Tanto na forma como no conteúdo. Um discurso como há poucos. Mais que isso: um discurso tipicamente português.

É próprio da nossa pátria, este quintal entre o mar e a Europa, olhar para o Estado como o grande educador. É compreensível, se for tomada em conta a secular tradição de centralização da decisão e da intromissão do poder político em quase todos os detalhes do quotidiano. Somos, tristemente, um país que viveu um fugaz ensaio de liberalismo e que nos restantes séculos de história viveu de olhos postos na «nobreza» e na «classe política».
E isto explica a constante exigência de «exemplo» por parte da população em relação aos seus políticos. Aos políticos não é pedida competência. Aos políticos não é pedido respeito pela sua função. O que é pedido aos políticos é «exemplo». É pedido que nos tracem o caminho para que não nos percamos pelas lúgubres vias do pecado. Como se fossemos filhotes a inquirir sobre a melhor conduta aos progenitores. Que fazer, papá – quase perguntamos.
E esta infantilização da sociedade traz para o mundo dos adultos as manhas dos mais pequenos. Roubei? É verdade, mas «eles» também são todos um bando de ladrões! E a autoridade quase fica desarmada com tão cândida defesa. E se crescêssemos um bocadinho, preclaros concidadãos?

01
Set 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 18:42link do post | comentar | ver comentários (1)

Há por aí comentadores de ocasião que louvam, mas à séria, os esforços da diplomacia portuguesa dos últimos anos. Uma boa relação com Eduardo dos Santos aqui. Uma boa relação com Chavez ali. Enfim, um afecto imenso por tudo o que é boa gente.

Apesar de ver em qualquer negócio feito com gente corrupta e criminosa uma forma de legitimação desses crimes – afinal, com o negócio estamos a tirar proveito de algo condenável sob todos os pontos de vista – ainda admito que possa haver uma pacífica relação comercial entre países. Aquilo que não é, a pretexto algum, aceitável é que uma comitiva portuguesa participe nas celebrações da chegada de um ditador ao poder. Nenhum negócio, nenhum benefício comercial, nada justifica que um governo de um país democrático – e a custo – felicite um ditador no quadragésimo aniversário da sua chegada ao poder. Ao participar nas comemorações de Khadafi, Luís Amado cuspiu nos mais básicos princípios pelos quais um político se deve reger.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 14:38link do post | comentar | ver comentários (5)

Dizem-me a Daniela Major e o Daniel Santos que o meu blogue é viciante. Prestarão contas pelas mentiras nos respectivos purgatórios. Enquanto isso não acontece, digo eu outros blogues que, para mim, são viciantes. Começo com o Destruição Criativa, só porque sim, e corro logo para o Clube das Repúblicas Mortas. Já com o bicho meio morto, mas com uma fominha ainda considerável, passeio pelo Estado Sentido. Ainda insatisfeito percorro a avenida onde estacionam o Mar Salgado, o Mel com Cicuta, o Hole Horror e o Bomba Inteligente. Salto ainda até ao Pastoral Portuguesa e finalizo com A Origem das Espécies e o Portugal dos Pequeninos, que não sou tipo de comer rasca. E pronto, já disse.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 13:17link do post | comentar

Depois de o intragável Moita Flores ter atribuído a medalha de ouro da cidade de Santarém àquele que é, para ele, o melhor dos candidatos a primeiro-ministro – o também intragável José Sócrates – foi a vez dos autarcas de Paços de Ferreira homenagearem o extremoso Pinho com uma avenida com o seu nome. Tudo pelo óptimo trabalho desenvolvido dentro e fora, suponho, do ministério que dirigiu. Obviamente. Que o nosso poder autárquico não cede, ora essa!, às tentações de lamber a botinha para que os amanhãs cantem mais afinados. Que tristeza.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 12:57link do post | comentar | ver comentários (2)
Voltei. E neste meu regresso, o sentimento que mais domina o meu ser é o de alívio. Alívio por voltar a dar aos leitores que tanto me gostam – sei que gente muito esclarecida já pensou fazer-me um clube de fãs que rapidamente atingiria uma fasquia maior que o do Senhor Palomar – aquilo de que os privei nas últimas semanas. É, também voltei mais modesto. Aprecio bastante que tenham reparado.
Entretanto, enquanto o meu blogue e o meu twitter entraram em fase de hibernação, muito aconteceu. Não, mentira. Não aconteceu assim tanta coisa: a malta do Simplex queimou as pestanas a ler o programa do PSD, a ver se havia qualquer coisa com que pegar; o Pedro Mexia voltou – aleluia! – com o blogue A Lei Seca; o PPM voltou para o 31 e acho que, de blogues, pouco mais interessa. As silly season’s são pouco propícias a zangas minimamente catitas – finjo que me esqueço do episódio do filho da puta, finjo – e esta não foi excepção.
O programa do meu blogue para os próximos tempos resume-se a três coisas: comentar de forma que eu ache decente o programa do PSD – sem entrar nos gritos de guerra que alguns andam para aí a escrever, o sol é tramado – fazer um relato da festa como a qual não há igual, vulgarmente conhecida como Festa do Avante! – têm de pedir, já agora, para se tirar o ponto de exclamação de «Avante!» – e manter o habitual chorrilho de banalidades que me diverte escrever. Como vêem é um programa ambicioso, com visão alargada e com objectivo de vitória. Diz o preclaro leitor: «ah!, isso todos são!» e eu respondo-lhe com um cândido, carinhoso, singelo: «vai-te lixar».

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