A máfia da blogosfera
04
Ago 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 12:11link do post | comentar | ver comentários (6)

A democracia portuguesa, na sua essência, é apenas uma portentosa e onerosa fábrica legislativa. O Parlamento nacional dá-se ao luxo de legislar as mais pequenas e irrelevantes situações. Tudo, claro, para nosso bem.

Se já é problemático que os deputados tenham uma tamanha febre por escrever leizinhas inúteis, pior é quando as leis criadas são puro lixo. Ou porque são manifestamente contrárias àquilo que é o espírito de um regime democrático, de um país livre (como a lei do sal do pão, para dar um exemplo recente); ou porque simplesmente são inexequíveis ou se revelam redondos fracassos na prática (caso dos vários diplomas «polémicos» na área da educação).
O Presidente da República, num fim de legislatura, tem dezenas de diplomas para analisar e ainda não há fim à vista. É realmente preciso legislar menos e legislar melhor. Ou isso, ou isto.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 11:56link do post | comentar | ver comentários (1)

 

«Assim, todas as instituições financeiras devem ser obrigadas a prestar, duas vezes por ano, a informação relativa às entradas nas contas dos seus clientes, para que esta informação possa ser cruzada com os dados das declarações fiscais.»

 

do programa eleitoral do Bloco de Esquerda.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 11:39link do post | comentar

 


03
Ago 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 14:00link do post | comentar | ver comentários (2)

Até fiquei com vontade de fechar os comentários, mas enfim. Fiquem aqui com esta menina tão bonita que fica tão bem nesta cantiga, que eu vou ali e acho que hoje já não venho.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 11:14link do post | comentar | ver comentários (2)

BE, o trotskysmo de corpo inteiro., por Tomás Vasques


02
Ago 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 20:19link do post | comentar | ver comentários (2)

A intervenção de Marques Mendes foi, para além de escusada, um disparate. É inaceitável que se proíba a candidatura de pessoas acusadas de crimes, sejam graves ou não. Uma acusação não é uma sentença e não se pode punir alguém que se presume estar inocente.

Para além disso é mais um exemplo de como os partidos se apoderam da lei e condicionam as escolhas dos eleitores. São os eleitores, o máximo soberano, que têm de decidir quais são as boas e as más candidaturas. Se o povo da Amareleja quiser ter um criminoso como presidente da junta tem direito a isso. Se os portugueses quiserem um bandido como Presidente da República têm direito a isso. Se os tribunais derem os acusados como culpados, pois que saiam dos cargos públicos para que cumpram as suas penas. Até lá, proibir as candidaturas é um abuso de poder inaceitável.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 14:50link do post | comentar | ver comentários (5)

Dá-me um gosto tremendo ler um qualquer artigo inglês ou americano e perceber que mesmo as elites têm, antes dos seus nomes, um simples Mr ou Mrs. Pode ser um canalizador, um electricista, um advogado, um político, não interessa. Venero esta capacidade dos anglo-saxónicos de mandar às urtigas a profissão, os estudos ou a condição social dos interlocutores e perceber que é respeitoso que chegue o simples tratamento que em Portugal se poderia traduzir por senhor e senhora.

Nisto somos do mais tacanho que pode haver. Nesta nossa fétida praia um tipo com uma licenciatura mal tirada é um doutor, um engenheiro, um professor. Parece que há um qualquer prazer em tornar público que se leu meia dúzia de livros no final da adolescência e que comprámos uma capa preta com que percorremos as ruas de Coimbra na noite da queima das fitas.
Só num país de gente parola, atrasada e provinciana pode ser um motivo de orgulho uma diferenciação destas. Em tempos idos e em lugares longínquos coisas destas faziam saltar cabeças. Não lhes cabe um alfinete no rabinho diplomado. Tristes.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 12:06link do post | comentar

O título exagera as qualidades do sr. José Sócrates ao fazer a brincadeira que faz no título. De qualquer modo, é feito neste artigo do Economist um retrato relativamente fiel à verdade da situação que vivemos. E a recomendação é clara: «To improve its performance, Portugal needs more flexible labour laws, less bureaucracy, a better educated workforce, more competition and a smaller state.»


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 11:17link do post | comentar

Uma tradição que vem de longe, por Francisco Santos.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 10:33link do post | comentar

Andrew Sullivan faz uma belíssima análise ao estado dos republicanos americanos. Sobre este vídeo, escreve:

 

«They really do begin to remind me of the loony left in Britain in the 1980s. Facing a huge shift away from their priorities and their record in the 1970s, Thatcher divided the opposition and ruled. It took Labour until 1997 to regain the center of the country, because they reacted to defeat by doubling down in the craziest ways. That's what the GOP seems to be doing now. They can score a few points, but the dumbest aspect of their current strategy is the attempt to demonize an inherently likable president. That can work - but not when it gets reduced to this kind of bloggy inanity.»


01
Ago 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 17:01link do post | comentar | ver comentários (10)

Cedendo à pressão dos pequenos partidos, que em vez de voltarem as suas forças contra a Lei do Financiamento Partidário, quiseram, à boa forma bolchevique, impor a sua presença nos media e na ribalta da política; a ERC criou uma directiva que, entre outras coisas, obriga a que todos os partidos tenham o mesmo «tempo de antena» nas televisões privadas. Era uma directiva mais que provável, apesar de ser impensável num Estado democrático.

Esta é uma intromissão pornográfica na definição dos critérios editoriais de estações privadas que nada devem ao Estado. José Pacheco Pereira e Helena Matos já escreveram sobre o assunto e estão cobertos de razão. Tudo isto mostra apenas que os partidos políticos, mesmo os mais pequenos e incipientes como o MEP ou o MMS se estão a aproveitar da lei para impor situações que lhes são vantajosas, tomando o Estado de Direito como propriedade sua, olhando para o seu umbigo e desprezando qualquer princípio moral.
Contra esta directiva é preciso que não sejam apenas as televisões, rádios e jornais a revoltar-se, mas sim toda a sociedade. Ou isso acontece ou então mais vale começar a fabricar os telecrãs orwellianos.
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publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 10:27link do post | comentar

Há precisamente um ano e um dia atrás, Cavaco Silva fez uma comunicação ao país. Alertava os portugueses para o problema seríssimo do Estatuto dos Açores e da manifesta inconstitucionalidade da lei. No seu estilo, falou no tom elevado que lhe é característico: não cedeu à politiquice tonta, imprópria de uma instituição de tamanha importância. Um país inteiro fez ‘buh’ por o Presidente da República vir incomodar os portugueses em pleno verão com uma questão de extrema importância no equilíbrio de poderes. Os partidos óbvios vieram bramir contra a falta de oportunidade da intervenção. Jerónimo de Sousa insurgia-se contra o ultraje de incomodar o povo com os assuntos de Estado, enquanto a malta estava na Caparica.

A novela parlamentar foi o que foi. PSD ora a favor do Estatuto, ora contra o Estatuto, oscilando entre a avidez por votos açorianos e o respeito pela razão que Cavaco Silva tinha; os restantes partidos sempre a favor, sempre ávidos por votos e completamente indiferentes à razão do Presidente.
Um ano depois o Tribunal Constitucional deu razão a Cavaco Silva, que apenas agiu mal por não ter enviado todos os artigos de constitucionalidade duvidosa. À partida, quando um presidente veta uma lei alegando inconstitucionalidade, não é suposto que o Parlamento teime. Cavaco Silva enganou-se ao avaliar a responsabilidade e sentido de Estado dos deputados à Assembleia da República.
Um ano volvido e ninguém sai imaculado. Mas não há dúvida alguma que os partidos e os deputados, os representantes do povo, ficam infinitamente pior na fotografia que Aníbal Cavaco Silva. Mais uma prova que muita coisa tem de mudar no regime. A bem de todos.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 10:16link do post | comentar | ver comentários (2)

A autêntica novela mexicana com Joana Amaral Dias vai, como de costume, acabar com um grande nada. A atenção que iremos dar (que já estamos a dar), aos detalhes, ao como, se foi por telefone, se foi ao vivo, se foi íntimo ou não, apenas irá fazer com que a questão verdadeiramente importante seja esquecida: a administração pública é um brinquedo na mão dos políticos. A «confiança política» está a fazer a máquina ruir e todos estão alegres e sorridentes ou simplesmente amorfos. Ou bem que há uma mudança drástica nas nomeações ou o Estado português continuará a ser o circo que hoje é.


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