A máfia da blogosfera
06
Mai 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 21:04link do post | comentar


03
Mai 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 13:57link do post | comentar | ver comentários (3)

O João Pereira Coutinho, ontem no A Torto e a Direito - que está mil vezes melhor, perdoe-se-me a inconfidência - puxou para a discussão um assunto que me é caro. Quando estavam a discutir a questão da propaganda socialista feita com imagens do Ministério da Educação, o JPC disse, e cito de memória, que o que o escandalizava era o facto de não nos escandalizarmos ao constatarmos que há partidos a utilizar crianças nas escolas para fazer propaganda. E esta, depois da atribuição das culpas sempre necessária, deveria ser a questão. Como é que se admite que numa escola, que deveria ser um espaço de isenção onde as crianças aprendessem sem palas ideológicas, coisa que nunca se concretiza totalmente, mas para a qual se pode caminhar, possa haver gravação de vídeos de propaganda para partidos. Como é que se pode ir, e é mesmo esta a palavra, manipular os miúdos que são filmados e os outros miúdos que acabam por ver a gravação, metendo-lhes na cabeça que quem lhes dá cenas fixes é o PS. Dirão que é exagero. Foi a própria ministra da Educação, aquela senhora que tanto aprecio, que disse, segundo o Francisco José Viegas no mesmo programa, que tinha recebido uma carta de uma criança na qual ela se dizia tão feliz com o seu magalhães que iria votar PS quando adulta. Isto foi uma declaração pública de um membro do governo. Exige-se aos partidos, a bem de alguma credibilidade e de espírito democrático, alguma ética, pelo menos nos espectáculos propagandísticos. Exige-se que o Secretário Geral do PS e a Militante Maria de Lurdes Rodrigues não se confundam com o Primeiro Ministro de Portugal e com a Ministra da Educação. São exigências mínimas para que haja um bom funcionamento das instituições e da própria democracia.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 13:47link do post | comentar | ver comentários (3)

Ando desvairado e a culpa é d' "eles". Tenho em lista de espera um sem número de livros à espera de ser lidos. Não vou escrever aqui os títulos, porque as editoras não me pagam e recomendações sérias só as faço depois de ler, nem que seja um bocadinho. Mas a questão é esta, o cabrão do tempo não estica, quero ler mas não consigo. E depois, o que é que faço, feito estúpido? Vou à Feira do Livro e compro mais e mais. E não satisfeito, ainda programo mais dias para ver se apanho livros do dia decentes. E assim vou, com uma prateleira "por ler" cada vez mais cheia e que só se vai ver mais aliviada lá para julho ou agosto, se Deus quiser e o tempo ajudar. A minha sorte é que, para os que padecem da minha doença, arranjaram um nome bonito: bibliófilo. Nada de drogados ou viciados, apenas bibliófilos.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 13:44link do post | comentar | ver comentários (1)

«Trinta e cinco anos depois de Abril, a democracia continua a viver à custa de Salazar e da sua queda. Parece que o regime democrático e a liberdade nada têm a oferecer ao povo para além do derrube do ditador. Que, aliás, não foi do próprio mas do sucessor. Aqueles partidos e aquela instituição vivem obcecados. Sentir-se-ão culpados? De quê? De não terem sabido governar o país com mais êxito e menos demagogia? De perceberem que a população está cada vez mais cansada da política e indiferente aos políticos? Preocupante é haver alguém que pense que aquelas imagens produzem algum efeito! A política contemporânea é de tal modo medíocre que o derrube do anterior regime é ainda mais importante do que o novo regime democrático. Essa é a mágoa! Trinta e cinco anos depois, a liberdade e tudo quanto se vive não são já mais importantes do que aquele dia de derrube. Será que os espanhóis fazem o mesmo? Os gregos? Os russos? Os franceses também eram assim em 1980? Que Parlamento no mundo, em dia solene ou simplesmente em dia de trabalho normal, se dispõe a exibir fotografias dos inimigos da democracia? Será assim tão frágil a nossa liberdade que necessitamos de a legitimar sempre com o derrube de um ditador? Por quantos mais anos vamos assistir a isto? Nenhum dos argumentos previsíveis é satisfatório. Dizem que é preciso recordar. Reler a história recente para que a ditadura não volte. Gritar “nunca mais”, para que nunca mais seja. É exactamente o contrário. A falta de capacidade de respirar livremente, sem recordar os fantasmas, é a vontade de viver amarrado ao passado. Este regime é débil, porque não encontra em si próprio, nos seus méritos, razão suficiente para se legitimar e justificar. Para se assumir sem inventar ou ressuscitar inimigos. Esta insegurança revelada pelos dirigentes políticos contrasta com a certeza de muitos cidadãos. Inquéritos recentes mostram os sentimentos dos portugueses. Querem a liberdade. Não necessitam de fantasmas para se sentirem livres. Ponto final.»

 

António Barreto, via Portugal dos Pequeninos


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 12:20link do post | comentar

«Antigamente, o eng. Sócrates contratava figurantes para as suas sessões de propaganda escolar: dezenas de crianças meticulosamente aprumadas, capazes de enfeitar os noticiários com odes pungentes ao Magalhães.

Agora, com a crise, recorre-se a amadores: alunos reais de escolas reais que, devidamente manipulados, contribuem para os tempos de antena do PS. Isto, que levantou polémica, obrigou o eng. Sócrates a desculpar-se perante os pais. Não obrigou a que se encontrassem responsáveis por tão nefando acto. O PS diz que não é culpado e culpa a produtora do vídeo. A produtora diz que não é culpada e culpa os professores que não entenderam o projecto. Os professores dizem que não são culpados e culpam o Ministério da Educação. E o Ministério? O Ministério, sugestão minha, devia simplesmente culpar as crianças.»

 

João Pereira Coutinho, no Correio da Manhã


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 09:49link do post | comentar | ver comentários (2)

Os nobres canalhas, por João Tunes, sobre certos títulos nobiliárquicos muito pouco francos.

I dare you, por Eugénia Vasconcellos, o relato de, mais que um acto de rebeldia, um acto de cidadania.

A casa dos budas ditosos, por Ana Cássia Rebelo, que li e guardei, não divulguei, até agora, e que é sobre o que mais agrada uma mulher num supermercado


02
Mai 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 20:18link do post | comentar

Pacheco Pereira sabe bem, como especialista ele próprio de comunicação, que é assim que funciona a imprensa ou os media em geral - incluindo o Twitter e os blogues. A mensagem tem de ser clara e não se pode querer apresentar todas as ideias em pouco de mais de meia hora de entrevista. Duas ou três grandes ideias chegam. É verdade que foi boa a prestação genérica de Manuela Ferreira Leite no programa de Mário Crespo, a melhor até agora, mas há sempre um que se torna obviamente central - e este tem sempre algum cunho de improviso que qualquer aprendiz da comunicação aconselharia Manuela Ferreira Leite a evitar.

 

Paulo Pinto Mascarenhas, no ABC do PPM


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 19:37link do post | comentar | ver comentários (1)

 

[via O Insurgente]


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 19:13link do post | comentar | ver comentários (11)

Alguns autores têm defendido uma flexibilização laboral agora, em tempos de crise, para que se diminua o desemprego. Já manifestei várias vezes (aqui e aqui) que defendo uma liberalização dos contratos laborais, por achar que, em primeiro lugar, não faz sentido o Estado criar leis que beneficiem uma parte da população e, em segundo lugar, que não faz sentido o Estado interferir em contratos seja do que for (raciocínio que me leva a ser, por exemplo, a favor do casamento entre homossexuais). No entanto, a minha veia utilitarista obriga-me a admitir que, neste quadro, seria muito mau que se procedesse a uma flexibilização total do emprego ou a uma diminuição das prestações sociais. Passo a explicar.

Considero que algumas das mais graves desigualdades sociais provêm precisamente da interferência do Estado no mercado de trabalho (aqui, aqui e aqui), nomeadamente, porque leva a que haja uma deslocação maciça da população para um tipo de trabalho que, tendo já muita oferta, acaba por ser remunerado de forma bastante acima do expectável (quanto ganharia um empregado da indústria têxtil se não houvesse ordenado mínimo?). No entanto, e apesar de ter a firme convicção que se trata de, em certo modo, apagar o fogo com gasolina, julgo que cabe ao Estado tentar corrigir alguns dos desequilíbrios que cria (motivo pelo qual não vejo possível acabar, a curto prazo, com a Educação e o Sistema de Saúde públicos e algumas - não todas - prestações sociais).

É por isto que acredito apenas ser possível proceder a uma liberalização da economia num período de expansão - como aquele que se seguirá à presente crise. Acabar agora com o salário mínimo, com as prestações sociais ou com os serviços públicos na sua generalidade levaria a que, como escreve o João Rodrigues, se acrescentásse crise à crise.

Não termino, no entanto, sem referir que é em épocas de crise que os Estados se devem reestruturar. Acabar com financiamentos e apoios despropositados - são tantos no nosso país - e fazer, quem sabe, cortes acentuados aos salários dos funcionários públicos nos últimos escalões, como aos professores, que ganham mais do que os finlandeses com a mesma profissão, apenas para dar um exemplo.

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publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 10:37link do post | comentar

 

Excelente crónica áudio de Aberto Gonçalves para a revista Sábado.


01
Mai 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 15:26link do post | comentar | ver comentários (2)

Sobre a mais recente aproximação, de carácter puramente eleitoralista, dos comunistas portugueses à Igreja, é lembrar Raymond Aron:

 

«O cristão nunca poderá ser um autêntico comunista, do mesmo modo que o comunista não pode crer em Deus ou no Cristo, porque a religião secular, animada por um ateísmo fundamental, declara que o destino do homem cumpre-se todo inteiro nesta terra. O cristão progressista esconde de si mesmo essa incompatibilidade», em O Ópio do Povo.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 14:50link do post | comentar

Um excelente artigo da Economist sobre Silvio Berlusconi e o que começa a representar em Itália.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 14:06link do post | comentar

Os textos do Rui Albuquerque (I, II, III) sobre os benefícios práticos de uma Monarquia Constitucional fizeram-me pensar. Já afirmei que preferia, nesta matéria, um debate que se elevasse um pouco mais para as questões de princípio, nomeadamente, a da legitimidade do Rei. Mas, dado que o argumento é francamente interessante, cedo à tentação de analisar as consequências reais de uma monarquia.

Não sejamos ingénuos: a estabilidade das Monarquias Constitucionais europeias não tem, muito provavelmente, igual no resto do mundo. Provavelmente pelo facto de o Rei funcionar como um gerador de consensos que a generalidade da população respeita, mesmo que não concorde. No entanto, existe a outra face da moeda. Se é certo que a generalidade, e com generalidade quero dizer maioria, da população respeita o Rei, com um temor reverencial imposto pela força das armas do exército de Sua Majestade, ó medos escondidos e enraizados, existe uma parte da população que, exactamente por colocar em causa a legitimidade do cargo, não o respeita de forma alguma. E é perfeitamente compreensível. Porque é que eu, Tiago, hei-de prestar vassalagem a alguém apenas porque esse alguém nasceu de um ventre afortunado? Por causa da estabilidade das instituições? Não chega. E tanto não chega que acabam por se criar, nesses Estados perfeitamente estáveis, aparentemente, movimentos radicais e extremistas (como o movimento republicano português do início do século XX), e quando não são movimentos são vontades indivíduais (como sucedeu na Holanda), de colocar termo pela força a uma coisa que não pode ser mudada de qualquer outra forma. Sim, os Reis são plebiscitados, mas isso nada quer dizer. Provavelmente se em vez de plebiscitados apenas, fossem sujeitos a campanha eleitoral, a debate de ideias, perderiam. Nos últimos anos, após a Segunda Guerra Mundial, as monarquias europeias foram relativamente estáveis. Mas não nos esqueçamos que estamos a olhar para um período muito reduzido. Pensemos no que aconteceu no princípio do século às Monarquias Constitucionais ibéricas.

É verdade que da amostra que temos, as Monarquias ficarão a ganhar em alguns aspectos às jovens Repúblicas. Mas não duvido que com um verdadeiro esforço por parte das Repúblicas por fortalecer as instituições, tornando-as independentes dos interesses partidários, os mais desestabilizadores, estas poderão ascender a patamares de estabilidade semelhantes às Monarquias europeias conhecidas.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 12:32link do post | comentar

«Um novo ‘bloco central’? Há um ano, a ideia parecia absurda. Um ano depois, com a economia em farrapos, o PS longe da maioria absoluta e a possibilidade séria da extrema-esquerda chegar aos 20%, é preciso escolher entre o mau e o péssimo. Prefiro o mau. Como prefere Ferreira Leite, José Sócrates, Cavaco Silva e qualquer político ‘responsável’.
Acontece que algumas donzelas não toleram o cenário. E acusam Ferreira Leite de não pensar no que diz, só porque a líder disse exactamente o que pensava. Pobres donzelas: educadas na propaganda e na política do espectáculo, qualquer verdade é urticária para elas.

Infelizmente, Ferreira Leite cedeu à histeria e apagou as suas próprias palavras. Fez mal. O País está cansado de mentiras e a honestidade da drª Manuela, a sua única vantagem, não devia estar à venda.»

 

João Pereira Coutinho, no Correio da Manhã


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 10:01link do post | comentar

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