A máfia da blogosfera
20
Mar 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 11:16link do post | comentar | ver comentários (4)

Na sua visita ao continente africano, o Papa Bento XVI fez uma declaração que tem estado nas bocas do mundo - literalmente - sobre o uso do preservativo. Segundo o Papa, e de forma resumida, o problema da SIDA em África não se resolve distribuindo preservativos, mas sim com uma mudança civilizacional. Que mudança civilizacional? Uma que leve os africanos a tornarem-se bons cristãos: castos se solteiros, fiéis se casados.

Obviamente, para a maioria das pessoas isto não faz qualquer sentido. Não há nenhum fundamento lógico para que se considere o sexo imoral, quando não é praticado com uma companhia vitalícia. No entanto, há que compreender que o Papa apenas repetiu a doutrina da Igreja. É naquilo que ele acredita e foi para espalhar a palavra que foi eleito. Pedir que um Papa não condene o preservativo é demasiado. No entanto, acharia muito proveitoso pedir à Igreja que discutisse alguns dos seus fundamentos. Aí, talvez, não tivéssemos os fracturantes e os beatos a escrever constantes absurdos.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 11:09link do post | comentar

1. O Henrique Fialho despede-se da blogosfera, uma perda de peso.

2. O Estado Sentido vê os seus quadros alargados com a entrada de João Pedro.

3. Bonito e com muito boas referências, o Minoria Ruidosa salta para a barra lateral.

4. O Pedro Adão e Silva criou o Léxico Familiar, que passarei a acompanhar.

5. O E Deus Criou a Mulher, do Miguel Marujo, celebra 4 anos. E que 4 anos...

6. O Risco Contínuo vê-se abandonado pelo José Abrantes (e os desenhos, José?) e pela Ana Vidal. Perdas de peso, mas os que lá ficam continuam a valer bem a pena.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 10:23link do post | comentar | ver comentários (1)

[via O Insurgente]


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 09:17link do post | comentar

Ide visitar o novo site do DN. Bem catita, sim senhor!


19
Mar 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 20:34link do post | comentar | ver comentários (9)

Há algum tempo que me ando a debruçar sobre a legalização/proibição da venda/consumo de drogas. O badalado artigo do Economist com uma sólida defesa da legalização do comércio de drogas  apenas me deu o pretexto de que estava a precisar para escrever sobre o assunto.

Analisemos, antes de mais nada, a situação actual e os seus possíveis fundamentos. Actualmente, em Portugal e no Resto do Mundo em geral as drogas, tirando o tabaco e o álcool, são proibidas. O fundamento para isto, as we all know, é a promoção da saúde pública: a droga é prejudicial, logo, o não consumo melhora a saúde das pessoas. Proibiu-se.

Apesar de o objectivo ser extremamente positivo (todos queremos que todos sejamos mais saudáveis, julgo eu), duvido seriamente que possamos ser maquiavélicos ao ponto de enveredar por qualquer meio a fim de atingir este objectivo. É que a lógica da venda/consumo de droga é extremamente simples: um conjunto de agentes disponibiliza-se para vender um produto e quem o quiser comprar, compra-o. A haver compra, essa é feita de livre vontade e em plena consciência dos benefícios/malefícios. Então, se a compra é feita de livre vontade e em plena consciência, qual é o fundamento de o Estado a proibir? Não há. Não há um fundamento lógico, para além do "saúde à força", cuja lógica não é recomendável; que nos leve a proibir a venda o consumo de droga.

Por princípio, a não proibição do comércio de drogas seria o mais correcto, mas seria também interessante atender às consequências práticas. Tal como o artigo do Economist refere, uma legalização das drogas não levaria a um aumento do consumo (não é por eu ter bananas à venda que as vou comprar). Certamente levaria também a que a actividade fosse declarada, colocando-se um ponto final nesta economia paralela que movimenta milhares de milhão de dólares a nível mundial e certamente alguns milhões à nossa pequena escala nacional. Um outro benefício da não proibição seria a consequente necessidade de certificação pública dos produtos (sei que este benefício não "encaixa" muito na minha linha de pensamento usual, no entanto, de um ponto de vista pragmático, julgo ser necessária a certificação pública da qualidade dos produtos, isto é, considero necessário que haja verdadeira transparência no comércio de qualquer produto), ou seja, os consumidores não correriam riscos desnecessários de comprar produtos que lhes tragam problemas maiores do que os que pensavam possíveis à partida. E um outro benefício, se calhar o maior de todos, seria o da diminuição dos gangs da droga. Ao ser uma actividade legal, os grupos organizados desmantelar-se-iam e a luta contra a droga feita pelos polícias de forma constante e que já roubou muitas vidas iria acabar.

Sim, as pessoas teriam de tomar conta de si. Sim, o Estado deixava de se preocupar com quem se quer prejudicar a si próprio. Mas é assim que tem que ser: se o meu vizinho se quer desgraçar, eu não tenho o direito de o proibir de o fazer.


18
Mar 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 22:41link do post | comentar

Parabéns ao Henrique Monteiro pelo primeiro aniversário do seu sempre excelente Henricartoon.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 17:40link do post | comentar | ver comentários (3)

Se há coisa que a "popularização" dos debates parlamentares veio trazer, através das transmissões na televisão, foi a criação de um clima de campanha permanente dentro do Parlamento. Não se compreende, ou não se quer compreender, a lógica do funcionamento da instituição. O Parlamento, constituído pelos representantes eleitos dos cidadãos tem como utilidade a fiscalização do governo, que lhe presta contas sobre a actividade executiva. Trocado por miúdos, o governo é o tipo contratado que vai ao Parlamento prestar contas ao chefe. É por ainda ver o Parlamento desta forma que fico boquiaberto com o tom como os Primeiros Ministros (não só José Sócrates) se comportam naquele espaço, atacando os deputados eleitos pelo povo, destratando-os e acusando-os de coisas menos próprias.

Aquilo não é um congresso, aquilo é a casa onde se traçam os destinos da nação, o que me leva a crer que não fazia mal nenhum um retratamento por parte de alguns dos intervenientes.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 17:33link do post | comentar

«Esta renovação do antiliberalismo está a produzir uma enorme falácia intelectual, que tem sido repetida até à exaustão por José Sócrates: a crise portuguesa, reza a falácia, foi causada pelo liberalismo; o "neoliberalismo", coitado, é o culpado da desgraça portuguesa. Só há um problema nesta tese neo-socrática: a realidade. Nos últimos 100 anos, nenhum governo português colocou em prática políticas liberais. Perante este facto, a pergunta é óbvia: como é que a culpa da nossa crise pode ser atribuída a algo que nunca existiu em Portugal? Alguém me explica este milagre da lógica?»

 

Henrique Raposo, no Expresso


17
Mar 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 18:12link do post | comentar | ver comentários (6)

Numa escola básica de Barcelos o Ministério da Educação, através da DREN (que é sempre bom lembrar que não são organismos independentes), implementou um projecto inovador: juntar 17 ciganos numa turma e dar-lhes aulas num contentor separado do resto da escola. A bizarria não tem nome. Segundo os responsáveis, esta é uma "discriminação positiva", com o fim de dar aos alunos, cuja raça, ao que parece, os coloca numa situação escolar complicada, um tratamento privilegiado, para que possam ter melhores resultados. Com isto, aquele contentor tem miúdos dos 6 aos 18 anos que aprendem tudo juntos.

O pior de tudo isto é que a decisão foi tomada em Julho, sendo que desde Setembro que esta coisa está a acontecer e nem os pais, nem a Junta de Freguesia, nem o Conselho Executivo, nem sequer as concelhias partidárias foram capazes de denunciar esta situação. Passou-se tudo debaixo das barbas de toda a gente sem que ninguém se importasse com o assunto.

Certamente tudo isto será muito bom para os saudosistas do outro tempo. Eu por mim, estou envergonhado.

 

[na imagem, "outro exemplo de discriminação positiva" dado pelo Rodrigo Moita de Deus]


16
Mar 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 18:29link do post | comentar | ver comentários (5)

© Pete Souza

 

Quando Barack Obama surgiu, declarando-se candidato a Presidente dos Estados Unidos o mundo ficou vidrado. Um negro, de uma retórica exímia e uma capacidade de mobilização, muito provavelmente, sem precedentes iria liderar o mundo numa mudança, o seu lema. Era o messias, o salvador: aquele que ia pôr termo ao que tinha sido uma década de mal estar global e nos ia conduzir à Era Dourada, fosse isso o que fosse.

Agora a virgem perdeu o encanto. Mesmo eu, que nunca fui de delirar com os discursos que a outros levavam ao rubro, quando vejo o quadragésimo quarto Presidente dos Estados Unidos em funções, numa secretária  e não num púlpito, sinto que não vejo a mesma pessoa. A verdade é que Barack Obama tem (tinha?) um projecto bastante romântico, lindo de se ouvir: uma sociedade justa e igual em oportunidades na América, uma sociedade como todos queremos em todas as partes do mundo. No entanto, e a meu ver sinceramente, isso é tudo o que ele tem: uma vontade. E isso meus amigos, isso só não chega.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 17:00link do post | comentar

1. Parabéns ao Sinusite Crónica, que celebra o seu primeiro aniversário.

2. O Margens de Erro do Luís Aguiar-Conraria e do Pedro Magalhães salta para a barra da direita.

 


15
Mar 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 09:38link do post | comentar | ver comentários (5)

É um problema de saúde pública!

 

É este o argumento dos que defenderam, à esquerda e à direita, que se regulamentasse a quantidade de sal no pão. A partir de agora, os padeiros ficam obrigados a fazer um determinado tipo de pão, pois poderão sujeitar-se a penalizações caso metam sal a mais. Quando confrontados com o problema da liberdade restringida por esta lei, os seus defensores dizem: as pessoas podem pôr sal no pão em casa. Ai sim? Eu respondo que quem tem problemas de saúde pode comprar uma Bimby e fazer o seu pão insonso em casa. Em que ficamos?

Que tivesse saído uma lei que obrigasse a que os padeiros esclarecessem quanto à "composição do pão" (inúmeros produtos têm isso a que se chama "rótulo") eu seria o primeiro a apoiar, a bem da transparência: é preciso saber o que se está a comprar. Isto seria bastante salutar para o mercado, até. Mas não, o que o Estado paternalista fez foi partir do pressuposto que todos temos problemas de saúde relacionados com o excesso de sal e regular o máximo de sal que cada pãozinho pode ter. A seguir, os cardiologistas que apoiaram esta lei, vão dizer que os bolos têm demasiado açúcar. Depois vão-nos dizer que compramos demasiada carne. No limite, teríamos uma dieta toda ela composta por alimentos que o Estado julga serem benéficos para nós. E a responsabilidade individual vai-se, a bem da promoção da saúde pública.

 

Ler também:

Viva o pão saudável, Michael Seufert

Pão nosso de cada dia, João Moreira Pinto

E lá nos cortaram mais um bocadinho na liberdade, João Moreira Pinto


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 09:27link do post | comentar | ver comentários (1)

«Ontem, na TSF, uma estudante de enfermagem dizia que estava na manif porque "ainda estou a estudar, mas, quando acabar, é certinho que vou para o desemprego, e por isso tenho que começar já a lutar pelos meus direitos!"

Mas... de que direitos falava?»

 

Jorge Ribeirinho Machado, no Cachimbo de Magritte

 

 

«Comparada com o que sucederia à economia portuguesa se fossem aplicadas as medidas propostas pelo PCP, BE e alguns alegristas a actual crise financeira não passaria de uma pequena simulação. A mistura de um falso romantismo com oportunismo político levam personalidades como Louça, Jerónimo de Sousa a tentar mobilizar as massas criando a falsa ideia de que o paraíso é possível, para o alcançar bastaria mudar algumas políticas.»
 

 


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 08:43link do post | comentar | ver comentários (5)

O que mais choca em tudo isto é que ninguém parece preocupado. Um governo regional gasta 50 milhões de euros num navio velho, quando estes deviam servir para comprar quatro navios novos, e não são apuradas responsabilidades, não há perguntas e muito menos respostas. E o dinheiro de todos continua a ser tratado desta forma, como se brotasse das árvores e não fizesse atirá-lo para o lixo de vez em quando.

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14
Mar 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 18:39link do post | comentar

1. O Rui Vasco Neto regressou, de novo, às lides blogosféricas. Esperemos que desta seja de vez.

2. O José Costa e Silva mudou de casa. Continuarei visita.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 18:23link do post | comentar | ver comentários (2)

O pequeno Jonathan Krohn está a causar furor na blogosfera de cá e de lá. Por ter 13 anos, por ser conservador, por ter escrito um livro sobre conservadorismo e por falar muito de política. O vídeo mais badalado tem sido este:

 

 

Mas porque é que vejo nesta estranha produção tamanhas semelhanças com um outro caso, um venezuelano?

Sugiro ao leitor mais curioso que vagueie pelos "vídeos relacionados" do youtube, tentando procurar algo mais do pequeno Jonathan para além da história dos quatro princípios. Um produto criado por gente a quem os princípios vão fazendo muita falta. É pena, que o miúdo até tem pinta de inteligente e é um excelente orador, deixassem-no pensar e, quem sabe...


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 14:37link do post | comentar
Pelo Vasco M. Grilo cheguei a este vídeo extraordinário. É claro que é apenas uma teoria, uma possibilidade, mas tal como o Vasco escreve a metodologia é fabulosa. Será que está desfeito o mistério?
.

13
Mar 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 21:05link do post | comentar | ver comentários (2)

Que os sindicatos em Portugal não funcionam, todos sabemos e esta manifestação de hoje, por mais paradoxal que possa parecer, é prova disso.

Não cabe a um bom sidicato fazer política, não é esse o seu objectivo. Não cabe a um sindicato "lutar" contra a privatização de serviços ou contra qualquer outro tipo de política. Já existem organizações a fazê-lo, chamam-se "partidos". O objectivo de um bom sindicato, como há em bastantes outros países, deveria ser o de funcionar como "advogado" num processo de contratação: um trabalhador tinha um sindicalista a quem pagava 1% do ordenado e esse sindicalista, qual consultor, ajudava o trabalhador a obter o melhor trabalho e as melhores condições (até porque o ganho do profissional seria o seu ganho). Isto, obviamente, seria personalizado: nem todos os trabalhadores são iguais, como tal, não podem ser encaminhados para os mesmos trabalhos nem têm a mesma capacidade negocial. No entanto, os sindicatos portugueses insistem na massificação: vivam os contratos colectivos (e os despedimentos colectivos, já agora), vivam os aumentos generalizados quer a produtividade seja alta ou seja baixa, pois de cada um conforme as suas possibilidades e a cada um conforme as suas necessidades. E a podridão continua, os pobres continuam pobres e o Carvalho da Silva continua na televisão. Viva.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 21:02link do post | comentar

«A Barbie tem sido vítima de uma das mais chocantes campanhas negras alguma vez urdidas em Portugal, país em que se urdem a toda a hora campanhas negras especialmente chocantes. Uma boneca que, em 50 anos de vida, desempenhou 108 profissões diferentes (é das poucas pessoas do mundo que se pode gabar de, no espaço de uma década, ter tido carreiras profissionais bem sucedidas quer como astronauta quer como instrutora de aeróbica - algo que Neil Armstrong tentou sem sucesso, nunca tendo conseguido ensinar competentemente o bodypump), foi apontada como símbolo da mulher doméstica - uma acusação que só pode ser explicada pela inveja que a reforma acumulada da Barbie, forçosamente, provoca nos críticos.»

 

Ricardo Araújo Pereira, na Visão


10
Mar 09
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 20:42link do post | comentar | ver comentários (1)

A entrevista de Mário Crespo a Medina Carreira foi das melhores coisas que ouvi nos últimos tempos. Não concordo com alguns dos fundamentos das opiniões, no entanto, e na generalidade, Medina Carreira aponta realmente o caminho: não é a tapar buracos que vamos dar a volta. A haver reforma, tem de se começar pela base, pelos problemas de fundo. As palavras eram de desistência e pessimismo, no entanto tenho a firme convicção que não há naquele homem uma pontinha sequer de conformismo com a situação.

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