A máfia da blogosfera
13
Dez 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 19:10link do post | comentar

Esta declaração foi motivo para que todo um país se insurgisse contra uma pessoa, invocando a Constituição de Abril, a Liberdade, a Democracia e todos esses valores que tanto prezamos e que tão pouco fazemos para manter.
O que me espanta é que, agora, vem uma ministra - uma representante da Democracia Portuguesa - fazer o mesmo e ninguém diz nada. Numa apresentação do Plano de Combate à SIDA nas escolas, a ministra da Saúde Ana Jorge, acompanhada de Maria de Lurdes Rodrigues - a ministra da Educação - mostrou-se francamente indignada por um jornalista ter questionado esta última sobre a avaliação dos professores, dizendo até: 'O quê? O senhor não sabe o que está combinado? Que hoje só se pode fazer perguntas sobre esta cerimónia e sobre o plano de combate à sida nas escolas? Ainda por cima é a RTP, a televisão pública, a fazer uma coisa destas. E, depois, logo à noite, não sai a reportagem.'
Onde está essa democracia em que me disseram estar a viver? Como é possível que um ministro possa dizer uma coisa destas sem que nenhuma consequência daí advenha? Como é possível que um país inteiro não perceba que os mass media estão todos controlados por essa mão invisível cujo dono não pode ser identificado, mas apenas suspeitado? São já tantos "casos" flagrantes destes cordelinhos, destas manipulações, disto tudo que não entendo como é que todos andamos a viver como se nada se passasse! Basta ver que ao passo que o PS se divide em dois com um Manuel Alegre a usar a sua influência para causar estragos, na televisão, pouco ou nada aparece. E quanto ao PSD, os três últimos líderes foram destruídos pelos grupinhos de "informação" que por aí andam.
Eu que nunca gostei nada deste tipo de ladaínha, vejo-me obrigado a afirmar que essa corja é nada mais nada menos que um bando de corruptos, de gente que se propõe a aceitar o poder para trabalhar para o bem-comum, para fazer política, essa tão nobre actividade, e, no final, acabam por se revelar parasitas, sanguesugas, gente que vê no poder um fim e não um meio, gente que olha para o país na sua generalidade, sim, mas só depois de olhar para si e para os seus. Filhos da puta!

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 13:32link do post | comentar
Ao longo de muitos anos fomos um país onde a inovação não foi relevante na sociedade. Nunca tivemos grandes cientistas, prémios nobel, investigadores de renome a nível mundial. Diz-se até desta nossa província espanhola que começámos a Revolução Industrial com mais de 50 anos de atraso. Sempre se deveu isto em grande parte ao facto de se terem considerado sempre as grandes obras, os grandes monumentos, as grandes extravagâncias para inglês ver mais importantes que o conhecimento - curioso, pouco mudou. Felizmente, agora, estamos a um volte-face em relação a esta triste realidade de séculos como nação: já temos universidades e investigadores reconhecidos a nível mundial, já temos uma balança tecnológica com saldo positivo, já temos a Investigação e o Desenvolvimento como pontos fortes no que respeita à afectação da riqueza criada, mais: o gasto em inovação é maioritariamente vindo de empresas privadas, o que demonstra que a percepção da importância da inovação não é algo fechado em S. Bento, mas sim uma constante nos conselhos de administração. E neste aspecto, e é verdade, a responsabilidade fica muito a dever-se ao governo de José Sócrates que sempre olhou para o investimento em I&D como ponto incontornável no crescimento sustentado e duradouro de uma economia.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 11:59link do post | comentar
O engenheiro Belmiro de Azevedo disse umas coisinhas, umas chamadas "coisinhas boas", ontem numa conferência. Disse coisas com as quais concordo, disse outras que considero perfeitos disparates.
Sobre as obras públicas, não podia estar mais de acordo com o industrial do Norte. E esta menção à região onde opera não é inocente: é que um presidente de uma empresa do Norte é contra o TGV, coisa rara. Ironizou ainda dizendo que “oferecia os direitos de passagem aos espanhóis e eles faziam o TGV em Portugal” - o que nem era mal pensado se nós fôssemos um bocadinho mais espertos e eles um bocadinho mais burros. Concordo ainda com o que ele diz quando a alguns sectores-chave nos quais seria importante o apoio do estado, mais importante do que a febre das obras públicas - e que se calhar não nos deixariam ficar mal em relação ao emprego e riqueza criados - como o turismo, a pesca ou a agricultura.
Mas o senhor tinha de estragar tudo com a história do overbanking - custa muito dizer "bancos em demasia" a quem considera o tempo dinheiro. Não existe excesso de bancos nenhum, muito pelo contrário, há demasiado poucos. E isto é facilmente observável quando olhamos para um BPN, que no contexto nacional é de reduzidíssima dimensão, que ao falir deixa todo um país em alvoroço. Imaginemos o que seria se o BCP ou o BES de repente falissem! Estes problemas de falências de bancos não teriam o impacto que têm se a) não estivessem ligados a grupos financeiros e não os puxassem para baixo cada vez que espirram e b) se fossem de reduzida dimensão e em grande número: um mercado bancário atómico. A ideia que se dois ou três bancos falissem ninguém ia dar por isso é profundamente errada e espero bem que lá por o senhor ser engenheiro, não tomem os seus conselhos sobre macroeconomia verdades absolutas.

12
Dez 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 23:08link do post | comentar
Que se erga o povo em manifestações de alegria.
Que se empenhem os comentadores em panegíricos e elogios.
Temos o Palácio de Belém a aproveitar esse que, quando nasce, para todos é!

É verdade. O Presidente da República colocou na sua habitação particular e na sua habitação oficial uns esplendorosos painéis solares, para que a Terra não ficasse desagradada com o excesso de energia dispendida em tão ilustres residências.
É positivo, sim senhor. Sempre achei que o exemplo deve partir de cima. E quem mais em cima que o Presidente da República? O Palácio de Belém - ao contrário do de S. Bento - mostra-se revelador de boas práticas. Que assim continue.

11
Dez 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 20:55link do post | comentar
Descobri ainda agora o Risco Contínuo. É um blogue colectivo onde estão presentes alguns ex-corta-fiteiros como o Paulo Cunha Porto, o João Távora e o Duarte Calvão e outros que não conhecia ainda. Alta qualidade, meus senhores.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 20:23link do post | comentar
Descobri um blogue de Filosofia de Pedro Galvão. É tão bom que vai direitinho para a listinha da direita.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 19:20link do post | comentar
Do Festival da Canção de 1976 recordamos algumas belíssimas músicas. Curiosamente, toas elas, são de Carlos do Carmo. É verdade, para quem não se lembra, o fadista Carlos do Carmos participou em 1976 com oito músicas (entre oito) do festival. Para além disso, fez o espectáculo de abertura. E ainda dizem que o de 2008 estava feito para a Vânia.


Lisboa Menina e Moça
(Espectáculo de abertura)



Flor de Verde Pinho
(vencedora, com 25,25% dos votos)



Novo Fado Alegre
(2º lugar, com 23,97% dos votos)



No Teu Poema
(3º lugar, com 13,24% dos votos)



Cantiga de Maio
(4º lugar, com 10,13% dos votos)



Os Lobos e Ninguém
(5º lugar, com 9,84% dos votos)



Estrela da Tarde
(6º lugar, com 9,29% dos votos)



Onde É Que Tu Moras?
(7º lugar, com 4,70% dos votos)



Mª Criada, Mª Senhora
(8º lugar, com 3,58% dos votos)

Tag:

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 18:59link do post | comentar
O meu título esteve para ser "Autocracia, mas das boas!", no entanto, e como o protagonista aqui não é um indivíduo, mas um grupo, justifica-se a mudança de ideias.
A administração Bush propôs (reparem que é uma proposta e não um pedido) à União Europeia que acolhesse prisioneiros da base americana de Guantanamo. A razão? É simples, quer-se resolver o problema dos torturados sem julgamento sem os mandar para os países natais (onde se pensa que poderiam ser perseguidos) e sem ficarem nos EUA (culpados de tudo), porque por lá, porcaria nem pensar! Os velhos anões, provavelmente ainda preplexos com a "proposta", ainda não tomaram uma posição oficial. Mas isso não impediu que Luís Amado, esse digníssimo e competentíssimo ministro dos Negócios Estrangeiros, de afirmar prontamente que para cá podem vir à vontade, que até os recebemos com pastéis de Belém e um vinhozinho do Porto. Mais, tomou esta decisão sem que fizesse um referendo, uma auscultação da opinião pública e sem ouvir sequer a oposição.
É apenas mais um dos exemplos da falta de necessidade de "paz social" que uma maioria absoluta por cá permite.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 01:31link do post | comentar
  • Capitalismo Proxeneta, Jumento n' O Jumento
  • Obras Públicas em Tempo de Crise?, Pedro Morgado no Avenida Central
  • Democracia versus Socratocracia, Gonçalo Pistacchini Moita no Geração de 60
  • A Sugestão de Guilherme Silva..., Al Kantara no Ponta e Mola
  • Constâncio, pobre Constâncio, Paulo Gorjão no Vox Pop

10
Dez 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 20:45link do post | comentar | ver comentários (1)
Ouvi à pouco na televisão que o nosso PM José Sócrates disse num encontro de deputados do PS que não iria ceder a bem da paz social, pois a maioria absoluta faz com que não precise disso.
É muito atrevimento um primeiro ministro vir dizer que, por ter maioria absoluta, não precisa de se preocupar se estão com ou contra ele. Maioria absoluta ainda não é ditadura, ainda, e esperemos que assim continue, senhor Primeiro Ministro.
Já agora, a esses "ministros": a palavra "ministro" vem do latim "ministrum" que significa "alguém que serve outros". Se calhar a etimologia é muito nossa amiga em determinadas alturas.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 19:19link do post | comentar
Em bom rigor, temos de dizer que 60 anos pesam, já poucos dão ouvidos a esta velha cansada cujo destino próximo mais parece uma qualquer biblioteca nacional bafienta e coberta de pó. Quando ela nos avisa para não cometermos certas injustiças e atentados à dignidade humana, armamo-nos em adolescentes rebeldes e fazemos ouvidos mocos. São imensos os exemplos disto aos quais a humanidade assistiu ao longo destas longas seis décadas. Guerras sangrentas, por vezes fraticídas, verdadeiras machadadas naquele fino pedaço de árvore, são o pão de cada dia nos ruidosos telecrãs a que chamamos televisão. Infantilidades de quem não ouve a experiência dos antigos que por nós escreveram tamanho texto com o sangue dos que morreram sem saber-se detentores de tão básicos direitos, tão sublime compilação de tudo aquilo que deveríamos exigir a nós próprios. Bem, palavras leva-as o vento, por isso, deixo-vos aqui um pequeno vídeo roubado aqui.


08
Dez 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 12:00link do post | comentar
A cidade de Almada quase parece ser governada por Mário Lino. Palavra de honra que não consigo perceber onde está plantada a árvore das patacas desta terra, mas que o dinheiro abunda, não tenho dúvidas. Senão vejamos. Almada parece estar a ser reconstruída por completo: o centro da cidade têm andado todo esburacado para lá construir um metro de superfície, que é a grande bandeira deste mandato. Um metro de superfície. Os benefícios ou prejuízos da megalomania só a médio longo prazo serão avaliados, mas não me parece que o balanço vá ser muito positivo. Depois temos as bibliotecas, os pavilhões multi-usos, os teatros, os tribunais e toda uma política propagandística - bem ao gosto do Pê Cê - com anúncios que teimam em não sair da nossa inocente televisão. Dizem que Maria Emília faz isto pois é o seu último ano. Não sei. Apenas sei uma coisa, tal como o outro que nunca se engana e raramente tem dúvidas, "não há almoços grátis". E se há tanto dinheiro para os mega projectos, é porque muito faltou durante muito tempo, a bem de um fim em grande, a bem do culto eterno de Maria, padroeira de Almada, que tanto bem fez pela nossa terra. Valha-nos Deus.
Tag:

07
Dez 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 23:09link do post | comentar | ver comentários (1)
presumo que quando alguém se candidata a um cargo, o faz com o desejo de exercer as competências a que se propõe com o maior zelo e responsabilidade. pelos vistos, presumo mal. o que se passou no passado dia 5, sexta-feira, foi das maiores faltas de respeito pela democracia portuguesa que se podem ter. dos 109 deputados da oposição, apenas 74 estavam presentes, isto num dia em que se iria votar projectos para fazer cair o modelo de avaliação dos professores. dos 35 faltosos, 30 são do PSD, 3 do CDS, 1 do PCP e outro do PEV. isto não seria propriamente novidade, não se desse o caso de 13 socialistas terem faltado à votação e 6 terem votado a favor do projecto democrata-cristão, o que faz com que tenham havido 80 votos favoráveis à proposta e 101 desfavoráveis. bastavam mais 22 deputados da oposição presentes para que a avaliação fosse, finalmente, suspensa. são estes os orgãos de soberania da nossa democracia.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 22:54link do post | comentar
O blogue Educação do meu Umbigo, do Paulo Guinote, é agora um dos blogues convidados do Público. Tenho apenas a dizer que é merecidíssimo. É o melhor blogue de educação que conheço, escrito de uma forma lúcida, inteligente. Os meus parabéns!

06
Dez 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 10:35link do post | comentar | ver comentários (1)
Sempre achei absurdas as teorias de uma incompatibilidade entre exercício de cargos públicos e de privados ao mesmo tempo ou em intervalos curtos. Parte-se do pressuposto que as pessoas são honestas, aliás, este é o princípio que rege as decisões judiciais: "inocente até que o contrário se prove", por isso, sem prova de erro cometido, não vejo fundamento para limitar esta "alternância". O pior é quando vemos que em relação a alguns fizemos mal em partir daquele pressuposto e ainda, quando nos apercebemos disso e nada fazemos. Dias Loureiro, figura do PSD como muito tem sido referido - apesar de à discussão nada acrescentar - já envolvido no caso do BPN, para o qual foi depois de ser do governo de Cavaco Silva e por ter sido do governo de Cavaco Silva, é agora acusado de gerir um fundo de investimento cujo capital foi recolhido através de uma fraude de IVA. Mas este não é o único ex-governante ligado à gestão deste fundo, não. Outro ex-governante é Jorge Coelho, que levanta o punho a qualquer um que se meta com o seu PS e que, para além de uns muito pouco transparentes prolongamentos de concessões ali de um certo porto de Lisboa, feitos pelo seu camarada Sócrates, também accionista desta empresa gestora de fundos. Este podre desta parelha partidariamente colorida parece ser um prenúncio de uma forte investigação jornalística, que vai fazer cair muito santo do altar, até termos um belo arco-íris político.

04
Dez 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 15:31link do post | comentar
Sebastianismo. Palavra curiosa esta. Em tempos quis referir-se a apoiantes de Dom Sebastião, rei de Portugal desaparecido em Alcácer Quibir. Poderíamos considerar os sebastianistas defensores de uma qualquer ideologia, paradigma político, isto se algum houvesse ligado a este monarca. Sebastianismo passou, portanto, a ter uma conotação diferente, passou a significar messianismo, à portuguesa. Mas não a de um messias por vir, não. A de um messias desaparecido, que não conseguiu, graças à maldita Fortuna, colocar em prática tudo aquilo que se imaginaria que poria em prática e que nos levaria à utopia.
É este sentimento de messias perdido que grassa no nosso Portugal quando se fala em Sá Carneiro. Falecido há precisamente 28 anos atrás, este líder da direita deixou para sempre uma tristeza e uma saudade apenas suplantadas pelo pensamento de que, com ele, tudo teria sido diferentes, teríamos um país diferente, uma democracia diferente, uma sociedade e uma cultura diferentes: seríamos um país à Sá Carneiro.
Francamente, não sei se assim é. Não sei se Sá Carneiro transformaria o país, mas há uma coisa que sei: a morte de alguém, principalmente quando o que provocou essa morte não é evidente, é de lamentar, tenha desaparecido um messias ou um vagabundo, e, por isso, lamento. Lamento profundamente não ter tido a oportunidade de ter experimentado esse país à Sá Carneiro. Profundamente. Que descanse em paz.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 15:07link do post | comentar | ver comentários (6)
Normalmente estas coisas não se fazem, mas também não faz mal. Hoje celebro mais um aniversário (já são tantos...). Por isso, parabéns para mim!

03
Dez 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 14:40link do post | comentar

É verdade que se supõe que num partido político os militantes e simpatizantes tenham ideais semelhantes, mas nunca percebi a complexidade desse fenómeno que é a unanimidade constante no PCP. Neste congresso viu-se, tão-só, mais do mesmo: um Comité Central do qual saíram pessoas "voluntariamente" e sem qualquer sentimento de revolta, discursos cheios de pathos e com muito pouco logos de actrizes versáteis e beirões apagados, apologias de revoltas sangrentas e lamentáveis de uma ponta a outra do mundo, enfim, tudo muito soviético.
Ao contrário do que aqueles senhores pensam, o comunismo, tal como o fascismo ou o nacional-socialismo, morreram na Europa, pois este velha mãe do mundo já sofreu na pele tudo o que estas ideologias têm para dar. Só quando se deixarem de maquilhagens, de declarações dúbias, de fachadas e teatros de quem defende a liberdade para inglês ver é que poderemos perceber que daquilo não precisamos.

E já agora, para pensar, deixo o seguinte exercício: e se em vez de um congresso do Partido Comunista Português, tivéssemos tido um congresso do Partido Nacional-Socialista Português?

arquivo do blogue
2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


pesquisar