A máfia da blogosfera
21
Dez 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 11:09link do post | comentar
Loucos e sábios - Pedro Rolo Duarte, no blogue homónimo
Até Sócrates já foi uma criança - Daniel Rosário, no Correio Preto
Subsídio de desemprego - Vieira do Mar, no Controversa Maresia
Os árabes estão loucos - João Eduardo Severino, no Risco Contínuo
Portugal é o Bruno Aleixo - João Bonifácio, no Sinusite Crónica
Marxist Management - Joaquim Sá Couto, no Portugal Contemporâneo
A criança entre aspas - Bruno Vieira Amaral, no Atlântico

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 10:20link do post | comentar
Existe uma coisa que difere, e muito, o poder autárquico do poder central. É que o primeiro é realpolitik pura, simplesmente gestão já padronizada de um conjunto de pessoas e responsabilidades, com mais ou menos competência. Penso que isto é pacífico. Não existem diferenças substanciais entre uma autarquia comunista e uma autarquia social-democrata. Por outro lado, o exercício do poder central, apesar de estar cada vez mais próximo do autárquico na forma, ainda dá azo a alguma liberdade ideológica: mais políticas sociais com aumentos de impostos, mais liberdade na afectação dos recursos com a baixa dos impostos, sistema de saúde público ou não, sistema educativo público ou não. Aqui, no poder central, interessa verdadeiramente o pensamento de quem lidera, no autárquico, não tanto.
É por isto que não percebo o alvoroço que se sente a cada página de jornal lida, a cada notícia da televisão, a cada comentário na rádio, por Pedro Santana Lopes ser o candidato do PSD por Lisboa. É verdade que Pedro Santana Lopes e Manuela Ferreira Leite têm visões diferentes da política, mas é isso critério para a escolha de um candidato a uma autarquia? Ficava um bocadinho limitada a pobre senhora se só pudesse escolher quem é igual a si.
Se Santana Lopes fosse escolhido para ministro, até eu me juntava ao coro, mas relaxem, é uma autarquia e o mais certo é acontecer o que a Filipa Martins já aqui disse: ele ficar vereador e não chatear no Parlamento. Calma.

20
Dez 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 18:54link do post | comentar
gente atulhada de sacos a correr de um lado para o outro, olhos cansados, pernas tremendo, braços doridos. no hipermercado, mulheres a vasculhar numa gaiola sem tampo, quais abutres, buscando o pijama tamanho L que estava na promoção leve 3 pague 2. enervado, saí dali em busca de um faminto pão com chouriço (os dali são uma delícia) e no caminho de alguns metros consegui fazer a padeira de Aljubarrota revirar-se no caixão com tanta porrada que dei. depois apareceu uma velhinha com a conversa do há tanto tempo e do tempo que passa rápido. rapidamente fugi novamente para a carne e depois para as bananas. no fim, um pedacinho de felicidade no meio de tamanho inferno: uma estante com montes de DVD's antigos a 1,59€, comprei uns cinco. finalmente, Casa.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 11:53link do post | comentar
Um partido a mais - Adolfo Mesquita Nunes, n' A Arte da Fuga

É natural que Pedro Passos Coelho venha alertar o PSD para os perigos de deixar José Sócrates ocupar o espaço natural dos social-democratas, sobretudo num momento em que a esquerda, pelas mãos de Alegre, e com um sorriso atrapalhado do Bloco (que não sabe muito bem onde isto vai dar), vem empurrando Sócrates para o centro.
Mas a verdade é que o PSD, enquanto partido que quer manter-se social democrata, pouco mais pode fazer quanto a isso do que tentar fazer passar a ideia de que o PSD é, naquela área em que se move o PS, mais competente, mais audaz e mais reformista. É coisa pouca e que não cheira a verdadeira alternativa.
O PSD sofre neste momento as vicissitudes de ser, enquanto social democrata, um partido a mais no sistema partidário. Esta originalidade portuguesa, de ter dois partidos sociais democratas a ocupar 70% do eleitorado, não poderia, nem poderá, durar muito tempo.
E se é certo que qualquer um dos dois partidos poderia estar a sofrer este fenómeno de erosão, a verdade é que, desses dois, apenas o PSD o está a sofrer, e a olhos vistos. Veja-se que se José Sócrates vencer, com ou sem maioria absoluta, e se mantiver no poder durante a próxima legislatura, teremos que o PSD governou, de 1995 a 2013, apenas dois anos e meio. Ou seja, em 18 anos, apenas 2,5 poderão ser associados ao PSD.
Esta erosão do PSD é, por isso inevitável, ajudada pelo facto de, lá dentro, credíveis e não credíveis não saberem muito bem por onde deve ir o partido, e com quem. O que é natural, quando se tem o PS à perna, a ocupar o discurso que o PSD sente como seu.
Fenómeno semelhante, aliás, embora noutra escala, sofreu o CDS de Lucas Pires (e depois, de Adriano) com o PSD de Cavaco. Ao PSD do Bloco Central de Mota Pinto, seguiu-se um PSD reformista de Cavaco que ocupou todo o discurso do então CDS e que, em poucos anos, ficou reduzido a quase nada.


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 10:48link do post | comentar | ver comentários (4)
A minha barrinha da direita está em alvoroço. Agora que fui para o Sapo, descobri todo um novo mundo de blogues de senhoras. É verdade. Até agora só consultava o sempre divertido blogue da Maria Manuela, já amiga aqui da casa. Agora vou incluir na minha blogroll mais uns blogues femininos, faz sempre bem. Vão portanto entrar para a lista a Miss Pearls, a Rititi, A Pipoca Mais doce (da Ana Garcia Martins, agora minha colega no Corta-fitas), o Pink al Fresco, o Womenage a Trois, o Controversa Maresia e a Jonasnuts, cujos textos, com um inegável toque feminino, são muito mais que "cenas de gaja".
Mas não fico por aqui. Vou também incluir na lista o Da Literatura, o blogue da revista Ler, A Arte da Fuga e os blogues do João Tordo e do Miguel Somsen (também meus colegas no Corta-fitas).
Vai ser custoso acompanhar todo este pessoal, mas quem corre por gosto não cansa.

Adenda: à conta do Maldonado lá conheci mais duas simpáticas casinhas de duas senhoras que escrevem muito bem. Vão juntar-se aos outros o Blog do Desassossego e o Amor é um lugar estranho.

Adenda 2: isto não pára. Não podemos ter só blogues escritos por senhoras, também temos de ter blogues sobre senhoras, e por isso, cá teremos E Deus Criou a Mulher. E ainda o blogue Absolutely da visita regular roserouge.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 08:37link do post | comentar | ver comentários (2)
A influência do Estado na sociedade e na economia é assustadora. Eu sei que isto já é um lugar-comum, o que acontece é que o facto de o ser não impede os abusos do costume. Falei aqui muito pouco das privatizações e dos vinte biliões da banca, até porque foram questões que surgiram numa altura em que o tempo era escasso. Agora entretenho-me a dar conta de mais um pequeno exemplo de como o governo, com esta intrusão, pode estar a destruir a economia aos poucos.
Muitas pessoas defendem afincadamente que cabe aos governos a criação e o incremento das políticas sociais: maiores ordenados, preços mais baixos, mais serviços públicos. O problema é que não se fazem omeletes sem ovos e quando estas políticas sociais são conseguidas por decreto e não através da evolução natural da economia, tudo pode acontecer. Agora decidiu-se que as empresas transportadoras não podem aumentar o preço dos transportes. Ainda dizem que este não é um Partido Socialista. Os sucessivos governos não se apercebem das machadadas que dão à economia com pequenas coisas como esta.
Se algum leitor tiver curiosidade sobre o assunto, aconselho este texto do Miguel Botelho Moniz, ali do Insurgente, que explica melhor que ninguém o impacto da fixação de preços.

19
Dez 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 23:55link do post | comentar | ver comentários (1)

Isto é uma manchete que deveria ficar para a posteridade, na base de uma estátua a José Sócrates, que provavelmente estará edificada no jardim pessoal do primeiro-ministro.

A falta de honestidade intelectual do primeiro-ministro ainda me consegue impressionar.
Agora que se apercebeu que a avaliação entrou num ponto em que a única saída é a cedência, decidiu fazer-se de vítima (perdoe-me sua Excelência a expressão) e dizer que tem pena que mais ninguém neste preguiçoso Portugal queira um ensino de qualidade, com avaliação de professores. Quando sair de S. Bento, José Sócrates deveria dedicar-se a escrever livros de Política para Totós, que estas capacidades de virar o discurso a seu favor são raras e têm de ser transmitidas. Eu também defendo uma avaliação de professores, aliás, sempre defendi: acho absurdo que não haja um critério baseado no mérito para decidir quem é e quem não é colocado. O que eu não concordo é que um professor de Filosofia seja avaliado por um professor de Educação Física, ou que um professor com menores qualificações avalie outro com qualificação superior. Também considero absurdo que sejam os professores titulares a fazer a avaliação da qualidade de docência dos colegas, quando os motivos que os levaram a tal cargo foram todos menos a qualidade do ensino (para ser titular, o professor andou a sentar o sapiente rabinho à volta de grandes mesas a fazer reuniões morosas sobre Orçamentos, sobre Planos de Actividades e tudo mais). Acho mal que as notas dos professores se baseiem nas notas dos alunos, sem ter como referência algo sólido (como um Exame Nacional). Enfim, é todo um conjunto de motivos que me faz, não sendo professor, estar ao lado dos professores nesta matéria particularmente delicada.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 22:42link do post | comentar | ver comentários (1)
A mensagem de Natal de Manuela Ferreira Leite é, no mínimo, estranha. A líder da oposição sentada numa salinha toda muito bem arranjada, com uma árvore decorada com motivos natalícios e uma lareira ao fundo. O discurso parece ou o do Presidente da República ou o de um Cardeal Patriarca. Não sei porquê, cheira-me que os Gato Fedorento nos vão fazer recordar este videozinho no domingo.


Originalmente publicado aqui.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 11:06link do post | comentar | ver comentários (2)
A cooperação estratégica descambou e a guerra institucional não se vê esgotada para já. O Estatuto Político-Administrativo dos Açores é a a morte de Francisco Fernando no meio disto tudo. O diploma passou de uma "questão menor" no Verão, quando o Presidente da República ousou interromper as férias do nosso cansado Portugal para manchete de jornal. O governo bate o pé e faz aprovar o Estatuto, mesmo depois do veto político. Todo o hemiciclo é a favor. O Presidente luta neste momento contra uma parede de votos. Valha-lhe ter do seu lado a razão e a posição de alguns ilustres intermitentes como Ramalho Eanes, cujo ethos (depois de toda aquela questão da reforma) pode levar a algumas mudanças no meio de tudo isto. Dissolver o Parlamento não levaria a nada, apenas a uma instabilidade indesejável, dado que o PS voltaria a ter maioria absoluta e, mesmo que não a tivesse, todos os partidos são favoráveis à lei. Portanto, agora só resta uma coisa ao Presidente da República: descalçar a bota.

18
Dez 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 22:31link do post | comentar
Agora desdobro-me em afazeres blogosféricos. Fui convidado pelos caríssimos corta-fiteiros para fazer parte da sua bela equipa. Prontamente aceitei e, agora, para além deste meu Afilhado terei também a nobre tarefa de escrever sobre inaugurações e implosões, panegíricos e vitupérios.


16
Dez 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 18:29link do post | comentar
Os meus parabéns ao José Mário Silva pelo aniversário do blogue Bibliotecário de Babel. Uma referência nos blogues sobre literatura.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 18:24link do post | comentar

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 16:21link do post | comentar
Não acho necessidade de dizer que isto é publicidade totalmente gratuita, mas como muitos dizem, também eu o disse. Tenho ouvido umas coisinhas de um grupo musical muito peculiar. Gostam de ser chamados "A Deolinda" (não "os Deolinda" como o António Pires se lhes refere num texto do seu punho, escrito para os descrever), pelo menos, foi o que os ouvi dizer numa entrevista à rádio; e têm um género musical que, parecendo-se fado, não se enquadra em nenhum padrão que pessoalmente conheça. Umas musiquinhas na rádio, um genérico na rubrica do Nuno Markl no programa da manha da Antena 3 e um montão de capas empilhadas na Fnac, aguçaram-me a curiosidade e lá fui eu investigar sobre tão recente grupo. Descobri-lhes o bonito site, cuidado e feito por gente que sabe da coisa, onde pude ouvir de cada música do álbum um pequeno excerto. Gostei de todos. Definitivamente, uma bela prenda de natal.
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publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 15:26link do post | comentar | ver comentários (1)
Palavra de honra que às vezes fico sem palavras para expressar o que sinto quando observo certas atitudes de certos "chefes" de certos ministérios.
Depois de ter chamado burros (sim, foi apenas isso que lhes foi chamado, mas com um palavriado menos rude) aos professores e órgãos de gestão escolar, no "curioso" Despacho 30265/2008. Depois de mentir deliberadamente aos órgãos de comunicação social que, inocentes ou não, passaram as mentiras para a cabeça do povo que as tomou como verdades inabaláveis. Depois de meses de manipulação da mais mesquinha que pode existir, o Ministério da Educação está a auto-promover-se. Chegando à conclusão que a sua "imagem" não era das melhores, o ministério tutelado por Maria de Lurdes Rodrigues faz agora um forte investimento em publicidade e marketing. Sim, a palavra é investimento, porque lá na 5 de Outubro não se brinca e não é com sites que a coisa se indireita: toca de colocar anúncios pagos como publicidade nos jornais para fazer ver ao povo que tanto amamos que os maus são os professores e os sindicatos os maiores manipuladores. Obviamente as verbas para estes anúncios vêm direitinhas do Orçamento de Estado, aquele que é constituído com as receitas que advêm dos impostos e taxas pagos por todos nós e que deveria ser utilizado para desenvolver o país, proporcionando melhor qualidade de vida às populações. Ao lado desta propaganda, Goebbels era um menino do coro, com risco ao meio e sapatinho de verniz.
Quando é que o Presidente da República, eleito pelo povo para ser o garante da democracia, da liberdade e da Constituição, se pronuncia sobre esta quantidade infinita de trapalhada ministerial criada e pensada por pessoas cuja maior preocupação é a forma como são vistas e não a qualidade do trabalho que foram eleitas para fazer?

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 14:16link do post | comentar
No dia 15 de Dezembro, ontem, o ainda presidente dos EUA foi ao Iraque assinar o acordo para a retirada gradual das tropas. Durante a conferência de imprensa, um jornalista iraquiano fez algo - como direi? - insólito: atirou o que tinha calçado a Bush. Pelo que percebi, no mundo árabe é extremamente ofensivo atirar sapatos a alguém - sucintamente explicado aqui. É claro que é uma falta de respeito e uma manifestação lamentável, mas que é uma belíssima forma de terminar um mandato que trouxe duas guerras ao mundo e a morte a milhares e milhares de pessoas, lá isso é. Então se tivesse acertado...


Adenda: reparei agora, na minha ronda pela blogosfera, que a Ana Vidal tem no Risco Contínuo um texto com um título ao qual o meu se parece muito. Peço desculpa à criadora, não foi intenção.

15
Dez 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 00:04link do post | comentar | ver comentários (3)
Aqui, aqui e aqui vejo quase certezas quanto à criação de um novo partido de esquerda que congregue a Ala Esquerda do PS, o Bloco de Esquerda e o PCP de Carvalho da Silva (isto se existirem vários PCP's, coisa que duvido) e de uma verdadeira reinvenção da política nacional. Pessoalmente, acho estas certezas precipitadas. Manuel Alegre é simplesmente uma mosca a chatear o cavalo e tal como a outra que tão bem conhecemos, mais cedo ou mais tarde perecerá, por muito certas que sejam as suas ideias. O PS de José Sócrates, sendo igual ao PSD neste momento, não quer ser reconhecido como tal. O PS é [ou quer mostrar-se como] um partido de esquerda, progressista - até referendou o aborto, ora vejam lá. E a saída de Manuel Alegre e da facção mais à esquerda não seria nada boa, pois apenas o PS "às direitas" restaria e esse estaria condenado ao fracasso em menos de nada. Por estes motivos, este PS tão pouco socrático não vai deixar fugir este Alegre da sua beira. Provavelmente, o que vamos ver nos próximos tempos, será um PS mais social, mais à esquerda. Já para a semana deverá ser anunciado um novo pacote de medidas extraordinárias de combate à pobreza, de apoio às famílias ou de apoio às pequenas e médias empresas. Aí, o aborrecido Alegre ficará mais contente e não levantará grandes ondas, apenas uns textinhos impróprio para socialistas na sua "Revista Ops" - que já vai no seu segundo número. Depois, o Louçã e o Carvalho da Silva vão cada um para seu lado, com sorte a Ana Drago volta para o "Corredor do Poder" e tudo ficará na mesma. O PS de José Sócrates obtém maioria absoluta. O PSD de Manuela Ferreira Leite obtém uma nova derrota histórica. O BE e o PCP passam a ocupar mais cadeiras no hemiciclo e o CDS roubará a sua quota parte ao PSD. E que viva a democracia, que morta ia fazer-nos muita falta.

14
Dez 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 15:17link do post | comentar | ver comentários (2)
Passam a figurar, a partir de hoje, na barra da direita os blogues Sinusite Crónica, Estado Sentido, O Canhoto, Pedro Rolo Duarte e O País Relativo. Paragens diárias obrigatórias.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 14:20link do post | comentar | ver comentários (5)
Negativo. O mercado editorial português de antigamente era a coisa mais bonita que havia. Editoras independentes umas das outras, concorrentes, pequeninas. Editoras com as quais os amantes das obras se podiam identificar. Uma Feira do Livro às portas do Verão cheia de banquinhas coloridas, todas diferentes e, ao mesmo tempo, todas iguais. Neste momento, até este mercado tão puro até há tão pouco tempo está a ser corrompido pela febre das fusões. O grupo LeYa compreende neste momento as editoras Academia do Livro, Asa, Caderno, Caminho, Casa das Letras, Dom Quixote, Estrela Polar, Gailivro, Livros d'Hoje, Lua de Papel, Ndjira (Moçambique), Nova Gaia, Nzila (Angola), Oceanos, Oficina do Livro, Quinta Essência, Sebenta, Teorema e Texto. Dezanove editoras, dezassete das quais portuguesas. Num mercado digno deste nome, o Paes do Amaral conseguiu levar um grupo editorial ao estatuto de grande empresa, condenando à partida as editoras que restam. E agora vai começar a bola de neve. Como o grupo LeYa não se vai, de certeza, desmantelar, às editoras que restam, restam poucas soluções: declarar falêcia, entrar no LeYa ou criar um outro grupo de grande dimensão. Editoras como a Gradiva, a Temas e Debates, a Presença, a Livros do Brasil ou a Europa-América, grandes referências no mercado editorial português estão agora ameaçadas por causa do devaneio ganancioso de um homem e pela complacência inaceitável de uma autoridade. E assim será.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 11:31link do post | comentar
A economista ao serviço da Igreja Católica, Manuela Silva, defendeu no Diga Lá Excelência que as grandes fortunas deveriam ser taxadas para apoio aos pobres. A velha questão.
Partilho da opinião da economista quando diz que o problema da pobreza é um problema gravíssimo e que tem de ser combatido. Mas será que roubar aos ricos para distribuir pelos pobres é solução? Em que medida é que ter muito dinheiro constitui por si só um crime para que seja punido da forma como Manuela Silva defende? A questão é exactamente esta: não é crime nenhum! O facto de eu ter muito dinheiro não impossibilita ninguém de também ter, razão pela qual eu não devo ser penalizado por os outros não terem. Neste quadro, taxar desta forma quem cometeu o crime de ser rico é, simplesmente, roubar.
O problema de tudo isto é que estes economistas pensam sempre em resolver o problema depois de este já existir e estar enraízado. Querem acabar com os ricos pela força, chegando ao ponto de achar que pode ser definido por decreto quanto é que um gestor pode ganhar. Nunca ninguém pensou que se calhar este problema está nos fundamentos da economia e que só aí pode ser resolvido de forma duradoura.
É certo que temos poucas empresas de grande dimensão, as Micro, Pequenas e Médias Empresas, juntas, constituem cerca de 99% do tecido empresarial português, em número. Mas a existência de algumas empresas gigantes permite a criação de uma casta de gestores de luxo que ganham num mês o que um empregado ganha num ano. Se por mero acaso existisse um mercado de concorrência perfeita, imaginado pelas teorias liberais, nada disto aconteceria. Pensemos no caso dos bancos. Antes da febre das fusões de há uns anos não existiam assim tantos administradores assim tão ricos. Mais. Fala-se tanto das especulações bolsistas e do malvado Berardo cuja fortuna é feita com o suor dos outros. Se por acaso o mercado fosse atómico, isto é, se todas as empresas fossem de uma dimensão mínima, nem sequer se colocaria a questão das bolsas. E mais! Se o mercado fosse atómico, não existiriam crises de preços dada a facilidade na mobilidade dentro do mercado.
Muitos pseudo-intelectuais dizem que a situação actual é fruto de um capitalismo selvagem. Não. A situação actual é simplesmente fruto de uma indefinição ideológica, é fruto da maldita real politik, é fruto dos sistemas harmonizadores (a "social-democracia" que não é bem social-democracia), é fruto simplesmente de não vivermos, verdadeiramente, num mercado como aquele que quem o defende quer.

E agora para a economista Manuela Silva: fui ver ao Anuário Estatístico de 2006 e, em 2005 o salário médio em Portugal era 907,24€, pela endomentária que apresenta, não me parece que seja bem este o seu rendimento mensal. O seu patrão (aquele que vive no Vaticano) calça sapatos da Prada. Que tal serem os primeiros a aplicar aquilo que propõem?

13
Dez 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 21:25link do post | comentar | ver comentários (2)

A extrema-esquerda-caviar, como já lhe ouvi chamar, adorou. Eu também!

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