A máfia da blogosfera
15
Nov 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 09:02link do post | comentar

É de mim ou estas duas músicas são, no mínimo, parecidas? A primeira tem o título Después de Ti Qué? e é da autoria de Cristian Castro, um artista mexicano que a editou pelo Sony BMG em 1997. A segunda tem o título Depois de ti e é da "autoria" de Tony Carreira, ilustre cá da casa, que ficou consagrado depois de a editar em 1999, dois anos depois da edição mexicana. Se calhar têm os dois o mesmo génio, quem sabe?
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14
Nov 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 18:40link do post | comentar | ver comentários (1)
O Presidente Cavaco Silva tem estado francamente silencioso sobre toda esta questão da educação. Faz pequenas intervenções, como no dia da manifestação dos professores e outra, feita hoje, sobre o comportamento condenável de alguns actores das manifestações.
O nosso Presidente da República tem dois grandes problemas: por um lado, vê a sua função como a de um fantasma, que paira por aí e que aparece para assustar o governo de vez em quando e, por outro, tem telhados de vidro - lembram-se do tempo em que os miúdos mostravam o rabo à na altura ministra da Educação?
A questão é que o modo como Cavaco Silva vê a sua função é errado, o Presidente da República é a autoridade máxima da nação e não convém que despreze o seu poder, e o facto de ter telhados de vidro não o pode impedir de condenar o que agora se faz. É que isto é uma falácia recorrente no debate político e não sei como ainda ninguém se lembrou de a desmontar: "como o senhor há 10 anos fez porcaria, não me pode acusar de estar a fazer porcaria agora", ou seja, "a porcaria que o senhor fez há 10 anos legitima a porcaria que faço agora".
Numa altura em que o Presidente está com índices de popularidade tão maus, não lhe fazia mal nenhum "arriscar" e intervir em tudo isto, a bem da democracia, diria eu.

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publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 08:44link do post | comentar
«Não pode ser a comunicação social a seleccionar aquilo que transmite» (Manuela Ferreira Leite, 12.XI.2008)

Eu dou por mim a perguntar se é normal em democracia uma líder partidária vir dizer que a comunicação social não deve ter liberdade para seleccionar aquilo que transmite. Os partidos esquecem-se que os media não são empresas sob a sua alçada, esquecem-se que se aos media apetecesse, nenhum político português teria visibilidade. O máximo que quem faz política pode tentar é armar-se em deputado do PND e fazer uma brincadeira polémica para aparecer, agora vir dizer que quer, por força, ser notícia...

13
Nov 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 18:58link do post | comentar
Toda a gente diz do nosso país que, cá, se recebe muito bem. Somos hospitaleiros. Tratamos os convidados com todas as mordomias a que têm direito. Uma vez serve-se o chazinho, outras vezes a bolachinha e outras... a omelete! Já por duas vezes numa semana, membros do Ministério da Educação são recebidos nas escolas com... ovos! Primeiro foi a ministra, em Fafe, que foi obrigada a, literalmente, fugir dali para fora. Depois foram os secretários de estado Valter Lemos e Pedreira.
Tudo isto tem muita piada, mas não devia ter sido feito. Eu concordo plenamente com os protagonistas da coisa, concordo com a notória incompetência e alheamento total do ministério em relação ao que é a realidade das escolas. Mas apesar de tudo isto, a ofensa, e mais propriamente a ofensa física, não são formas de se lidar com a situação. Isto para mais quando se fala de um ministro, ou seja, uma das autoridades máximas da nação e que, para o melhor e para o pior, tem de ser respeitado. É muito fácil perder a razão que se tem e penso que não é isso que os alunos procuram. Depois de algo que continuo a considerar histórico que foi o que aconteceu dia 5 de Novembro, não vamos descambar e tornar o protesto um acto de vandalismo. É um conselho que dou a algum miúdo que me leia.

12
Nov 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 19:32link do post | comentar | ver comentários (9)
Ministra admite que alterações provoquem "desmotivação" aos professores.

Segundo a nossa digníssima ministra da Educação, as alterações no quotidiano dos professores podem trazer-lhes desmotivação, mas são necessárias à "Escola" - termo interessante este, quando usado no abstracto.
Em primeiro lugar gostaria de fazer uma pequeníssima reflexão sobre aquilo a que chamo "democracia". Felizmente, muito felizmente, já nasci neste período em que, pelo menos se pretende, que o poder esteja nas mãos do povo e por isto não sei viver de outro modo, ou seja, não sei viver assim. O que a ministra da educação está a fazer é simplesmente colocar-se acima do que é a democracia, abafando completamente quem se lhe opõe, dizendo apenas que a oposição é "injustificada". Vergonhoso é que esta atitude venha directamente de um representante da democracia portuguesa, pelos vistos a senhora não compreende a importância do cargo. Ir ao Parlamento dizer apenas que está certa e que todos os outros estão errados é francamente presunçoso, mas dificilmente plausível. Apesar de isto ser possível, ou seja, de existir realmente a possibilidade de Maria de Lurdes Rodrigues ter tido por um qualquer motivo um toque divino que lhe tenha dado a sabedoria que aos outros falta, chegar-lhe-ia mostrar os seus motivos para que todos vissem essa mesma razão. Isto não acontece. Maria de Lurdes Rodrigues, juntamente com o sombrio Valter Lemos, justificam-se e explicam e fazem trinta por uma linha, mas ninguém lhes dá crédito. Aliás, há quem lhes dê crédito: aqueles que pensam "ao menos este governo está a mexer em certas coisas" ou "pelo menos esta ministra está a meter os professores a trabalhar a sério". Para estes que lhes dão crédito, não interessa "como" é que o governo está a mexer nas coisas nem, tão pouco, se essas "mexidas" e se esse "trabalho à séria" são necessários.
Em segundo lugar, a desmotivação é perfeitamente compreensível. Eu penso, francamente, que se se estivesse a fazer justiça, isto é, a fazer as coisas como elas devem ser feitas, haveria protesto (há sempre), mas nunca este sentimento de humilhação presente em todas as escolas deste país. Fale-se com que professor se fale, ele diz-nos simplesmente que se sente humilhado por dar o couro e o cabelo para tentar moldar e fazer alguém os filhos dos outros em troca de uma miséria mensal (que só se torna algo palpável quando os ossos doem e as costas custam a endireitar). A existência de professores de primeira e de segunda, classificação dada com base em critérios, no mínimo, duvidosos - os professores titulares são-no por fazerem tudo menos dar aulas, como por exemplo, participar nas Assembleias de Escola, nos Conselhos Pedagógicos, nas Direcções de Turma e tudo mais - leva a que os que são de segunda se sintam injustiçados e os que são de primeira se sintam solidários. Mas mesmo que tudo isto de criar o topo e a base na classe docente esteja correcto, vêm os problemas decorrentes disto. Os professores titulares, que não foram "avaliados" na sua prática lectiva para o serem, vão avaliar as práticas lectivas dos seus colegas. E os colegas dizem: "não vejo autoridade no professor Zé Manel para me avaliar" e com razão. São colegas. Era o mesmo que o Joãozinho do 8ºB avaliar o Pedrito do 8ºC, ao ir a uma aula do 8ºC ver como é que ele se portava. A haver avaliação, esta tem de ser puramente objectiva, nunca podendo haver lugar a juízos de carácter pessoal, como, por exemplo, questões relacionadas com a concordância em relação ao método de ensino. Vêm ainda as questões mais antigas, das quais já ninguém se lembra: o facto de os professores passarem mais tempo na escola sem benefícios no salário ao fim do mês, através da carrada de aulas de substituição, apoios, planos de recuperação e tudo mais que se inventou e que é muito bom no plano teórico, mas cuja aplicação deixa muito a desejar. Se eu fosse professor não me sentiria só "desmotivado", sentir-me-ia indignado, revoltado, humilhado, com vontade de fugir daquilo que em tempos foi a "Escola". Mas isto sou eu, que pelos vistos, daquilo que a ministra sabe, sei muito pouco.

11
Nov 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 21:45link do post | comentar | ver comentários (1)
É muito difícil mostrar que se tem razão num regime como o nosso, principalmente quando a nossa opinião vai contra a opinião de quem manda. Fácil fácil é perder a razão que possamos ter. É isso que o Dr. Alberto João Jardim está a provocar ao criar um decreto que avalia com "Bom" todos os professores em exercício no arquipélago. O Dr. Jardim está a baixar o nível da discussão, ele e os infelizes que mandaram ovos à ministra em Fafe. A melhor maneira de mostrarmos que temos razão com uma argumentação elevada e não com actos de tal forma baixos. Já para não falar que a imagem do Dr. Jardim não é propriamente positiva cá pelo contenete, e ao fazer isto o Dr. Jardim associa a sua má imagem à já má imagem dos professores, que com a história dos papéis, tão certa, mas tão mal explicada, andam a passar por "calões". Tende cuidado, a comunicação é tudo.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 18:57link do post | comentar
O nosso Presidente da República é um exemplar muito sui generis. Por estranho que pareça, gosto disso. A verdade é que ao falar poucas vezes, todos ficam ansiosos que fale e alguns com medo das suas palavras. É o que acontece agora com a questão do estatuto da carreira docente, do aluno e do modelo de gestão escolar. Existe um conjunto imenso de pessoas ansiosas, a roer as unhas enquanto aguardam por uma declaração do Presidente da República que, a existir, promete ser demolidora. Todos os argumentos sobre manipulação, desinformação e aproveitamento partidário são vazios: 120 000 pessoas é muito mais do que aquilo que um sindicato consegue mobilizar em situações normais, o que significa que, muito provavelmente, aqueles três quartos da classe que se manifestaram poderão ter muita razão. Eu também espero uma intervenção do Presidente da República, afinal, é ele o garante da democracia, da liberdade e dos direitos dos cidadãos, e num quadro de ditadura parlamentar socialista, apenas ele pode fazer alguma da tão aclamada mudança.

P.S.: Imagem gentilmente "cedida" pelo Paulo Guinote

10
Nov 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 21:40link do post | comentar | ver comentários (2)
Tenho por hábito respeitar todas as opiniões, mesmo quando delas discordo. Mas francamente que não percebo o Rodrigo Moita de Deus. Ele se calhar nem me vai ler e se me ler nem vai ligar ao que escrevo, mas porra! De onde é que o Sr. Rodrigo tirou a ideia de que os professores só se devem preocupar com o ensino e nunca com o seu umbigo? Fez uma afirmação semelhante no blogue sobre educação do PSD e volta a reforçar essa ideia de que o ensino é uma profissão para mártires que só falta irem descalços para as aulas. Os professores até podem preocupar-se imenso com o ensino (aliás, dúvido muito que alguns fossem para professores se não se preocupassem, com tanto emprego melhor cá fora), mas isto não significa abdicar dos direitos que lhes assistem. É óbvio que a manifestação não foi exclusivamente contra preencher papéis (que não é "só" preencher papéis, mas vamos deixar o Rodrigo nesta triste ilusão), foi contra um modelo de gestão das escolas pouco democrático, foi contra um estatuto do aluno que é do mais injusto e inútil que se pode ser, foi contra todo um estatuto da carreira docente que vem introduzir uma avaliação feita em maus moldes e que, ao contrário do que o Rodrigo pensa, não pode ser aplicada caso prejudique alguém. Esta é outra ideia muito gira: "prefiro que se faça uma coisa mal feita do que demorar a pensar numa coisa melhor". Basicamente é a reforma pela reforma. Nem toda a reforma é boa reforma caro Rodrigo. Concordo plenamente que tudo isto precisa "de uma grande volta", mas não é com reformas pensadas nos cinco minutos que demoramos a adormecer que as coisas melhoram. Se calhar era mesmo melhor esperar mais algum tempo e pensar num modelo melhor (como o que o Ricardo Arroja propõe, por exemplo) do que andar a fazer experimentações com a vida das pessoas!

P.S.: Gostaria só de dizer que não sou professor nem tenho nenhum familiar próximo professor, apenas acho que mesmo quem não é professor deve defender os professores quando se estão a cometer injustiças.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 21:25link do post | comentar | ver comentários (2)
...mesmo assim dou aqui os parabéns ao Quarta República pelo seu quarto aniversário e pelo seu primeiro milhão de visitantes. Continuem catitas e com qualidade!


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 19:38link do post | comentar | ver comentários (1)
Ouvi esta música e dei por mim a pensar como seria fantástico tê-la no Festival da Canção: uma interpretação genial e uma homenagem mais que merecida. E depois é tão melhor que a música do Dima Bilan...

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publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 19:04link do post | comentar
Carlos Botelho no Cachimbo de Magritte:

«Estes miúdos, estes miúdos... Não – mau hábito este o de chamar ‘miúdos’ a adolescentes. Não o tinha quando fiz o estágio... Mau...Dão-nos muitos problemas estes... alunos. A Lurdes chega a ser insuportável: respondona, arrogante. Teimosa até à má-criação. Já por mais de uma vez lhe tenho posto a verdade à frente dos olhos e ela: nada. Os meus colegas queixam-se do mesmo. Ainda na aula de ontem, corrigiamos o tpc, sendo o seu um dos piores, e ela teimava e teimava que estava certa, que tinha razão. Que eu é que estava errado! A turma já se ria dela. Chega a ser muito desagradável, a rapariga. Não mostra qualquer respeito pelos colegas, nem pelos próprios professores.
Mas eu sei muito bem que ela não está sozinha... Na verdade, as suas reacções insolentes são encorajadas pelo colega de trás, o Sócrates. Sim, é ele.
(...)»


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 08:35link do post | comentar
O staff do governo disperso por essa blogosfera fora anda a escrever muita posta sobre a contradição da Manuela Ferreira Leite quanto à questão dos professores. Os parolos do PSD não ganham tomates pa "lembrar" que o PS aprovou um Código do Trabalho contra o qual votou contra em 2003? E não "lembram" o pessoal das reacções do PS quando Manuela Ferreira Leite foi ministra da Educação? Há mesmo muita falta de memória na política...

09
Nov 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 09:01link do post | comentar
Avaliação dos Professores, Ricardo Arroja no Portugal Contemporâneo

A Crise da Escola Pública, Pedro Morgado no Avenida Central

A Aula, Carlos Botelho no Cachimbo de Magritte

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 08:09link do post | comentar
O Blog Catita desta semana é o Vox Pop do Paulo Gorjão. É completamente diferente de tudo aquilo que já vi na blogosfera e isso é bom. É-me difícil descrevê-lo, mas isso também não interessa porque ele fala por si. Aqui vai a estampa:


08
Nov 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 23:02link do post | comentar | ver comentários (2)
...existem entre o que eu e o João Gonçalves pensamos sobre esta matéria:

«Ao princípio até apreciei a ministra da Educação. Com o tempo, percebi que se foi tornando em mais uma domesticadora de "estatísticas", de "indicadores" e de lugares-comuns. O António Barreto explicou perfeitamente a trapaça dos resultados da matemática. Agora há a questão da avaliação dos professores que trouxe, de novo, milhares para a rua. Quando era puto, queria ser professor. Hoje não teria assim tanta certeza. À bruteza mentecapta dos meninos é preciso juntar a infinita burocracia inventada à pressa pelo ministério para "catalogar" os professores. "Avaliai-vos uns aos outros como eu vos mando avaliar" é, mais ou menos, o "mote" em vigor para toda a função pública e, no caso, para os professores já de si pouco dados a que lhes mexam. A "ideia" é boa. O método é execrável e politicamente abstruso. Vai valer tudo. Lurdes Rodrigues faz parte de uma panóplia de políticos que procedem das extremas folclóricas dos idos do PREC. Esta gente parece empenhada em se "redimir" desses pecadilhos da pior maneira. Basta ouvi-la em directo no canal "1" da propaganda oficial. A ministra até pode acabar a legislatura mas não deve ficar se o PS ganhar. Entrou leoa e sai sendeira. Ela - e o que é bem mais grave do que a pessoa dela - a "educação" a que presidiu durante estes anos uma vez mais perdidos.»


publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 13:34link do post | comentar
Hoje são os professores a percorrer a Avenida da Liberdade (uma amiga que é professora faz sempre referência ao interesse do nome da avenida para a causa). Duas manifestações, uma de alunos outra de professores, na mesma semana. Normalmente as medidas que prejudicam uns beneficiam outros e vice-versa, raramente vemos alunos e professores no mesmo barco a remar para o mesmo lado, mas desta vez é diferente. É curioso constatar que as medidas desta equipa ministerial conseguiram desagradar alunos, professores e pais (tirando o Sr. Albino da Confap, parece que o dinheirinho que o Ministério manda muda muito as mentalidades), ou seja, conseguiram desagradar quem fornece o serviço e a quem beneficia do serviço, não será isto sintomático de qualquer coisa?

07
Nov 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 08:47link do post | comentar | ver comentários (2)
Este post vai ser um pouco mais longo que o usual, pois sobre isto há até demais para dizer.
No passado dia 5 de Novembro houve algo que é, para mim, um marco histórico no que respeita à luta pelos direitos dos alunos em Portugal. Por todo o mundo sempre nos habituámos a ver jovens incendiar carros, entupirem avenidas e fazer verdadeiras loucuras por aquilo em que acreditavam, mas em Portugal, país de brandos costumes, nunca se viu coisa semelhante. Dia 5 de Novembro cerca de 10 000 alunos por todo o país manifestaram-se contra o novo Estatuto do Aluno, que é francamente criminoso, e cerca de 1500 estiveram em Lisboa, sob chuva intensa, a percorrer o percurso desde o Marquês de Pombal até ao Ministério da Educação, entupindo a 5 de Outubro e a Fontes Pereira de Melo. Tudo isto vem de uma organização entre as várias Associações de Estudantes do país, à qual a falsa Plataforma Estudantil 'Directores Não' se associou. É francamente infeliz que a JCP se tenha colado às manifestações por forma a deixar a sua marca, no entanto, e sem recursos financeiros, sindicatos nem apoio dos pais, as Juventudes Partidárias ainda são o único recurso dos estudantes para a organização deste tipo de coisa. Há que dizer ainda que a estes 10 000 alunos se associariam muitos mais, não fosse o facto de muitos pais terem visto esta manifestação como uma forma de faltar às aulas e não fosse o facto, também, de as faltas contarem e haver sempre o risco de não morrer da doença, mas morrer da cura. Por todas estas questões, até deixava aqui o desafio a algum estudante do secundário que me leia de organizar as acções de protestos para Sábados, acreditem que iria muito mais gente do que imaginam.
Muito infelizes foram as declarações do Secretário de Estado Valter Lemos sobre a manifestação, vindo dizer a público que esta não teve importância, nem sequer razão de ser. Aproveitando ainda para mentir um pouco sobre tudo isto, mandando areia para os olhos dos pais do país inteiro que não conhecem o diploma. Veio, então, o Sr. Valter Lemos dizer, à descarada, que o Estatuto do Aluno só prevê medidas correctivas para faltas exclusivamente injustificadas, quando o Estatudo diz claramente o contrário:
Artigo 22º da Lei n.º 3/2008

1 — Verificada a existência de faltas dos alunos, a escola pode promover a aplicação da medida ou medidas correctivas previstas no artigo 26.º que se mostrem adequadas, considerando igualmente o que estiver contemplado no regulamento interno.
2 — Sempre que um aluno, independentemente da natureza das faltas,atinja um número total de faltas correspondente a três semanas no 1.º ciclo do ensino básico, ou ao triplo de tempos lectivos semanais, por disciplina, nos 2.º e 3.º ciclos no ensino básico, no ensino secundário e no ensino recorrente, ou, tratando -se, exclusivamente, de faltas injustificadas, duas semanas no 1.º ciclo do ensino básico ou o dobro de tempos lectivos semanais, por disciplina, nos restantes ciclos e níveis de ensino, deve realizar, logo que avaliados os efeitos da aplicação das medidas correctivas referidas no número anterior, uma prova de recuperação, na disciplina ou disciplinas em que ultrapassou aquele limite, competindo ao conselho pedagógico fixar os termos dessa realização.
O Sr. Valter Lemos veio também dizer que com o novo modelo de gestão escolar, os alunos passam a ter mais poder de decisão pois passam a participar na eleição do Director. Novamente mentira. Actualmente, a mesa que elege o director é constituída por um número ímpar de elementos que não pode ser superior a 21 e dos quais, regra geral, apenas 1 é aluno. Significa isto que a participação de que o Sr. Valter Lemos tanto fala é de um voto na eleição do director, quando antes os alunos do ensino secundário votavam através do delegado de turma.
O Sr. Valter Lemos veio também dizer que faltar já não é um direito. Eu pergunto-me quando é que faltar por faltar foi direito no ensino português. A verdade é que em todas as profissões deste país os trabalhadores têm direito a faltar por motivos de doença e por morte de familiar, sem que o seu posto de trabalho seja posto em causa, sem que lhe seja pedida reposição de horas e sem que lhe seja retirado o ordenado. Aos alunos, quando acontecem fatalidades como as descritas anteriormente, ficam com a possibilidade de chumbar o ano, que é o pior que pode acontecer a um jovem a estudar.
Sobre o desmentido que o Sr. Valter Lemos fez em relação à possibilidade de reprovar por doença, há apenas uma coisa a dizer: novamente falso. Um aluno que por motivos de doença (se for operado, por exemplo) tenha de ficar fora da escola durante três semanas, quando retorna, pode ser sujeito a medidas correctivas, entre as quais se insere serviço comunitário, e, depois de avaliadas as consequências das medidas correctivas, é sujeito à realização de uma prova de recuperação a todas as disciplinas com a matéria dada até então. Se o Sr. Valter Lemos lesse O Afilhado, eu gostaria que ele me respondesse à seguinte questão: sendo a avaliação contínua, é justo que se avalie a possibilidade de não retenção avaliando apenas a matéria dada até uma certa parte do ano, isto é, um aluno que não saiba a matéria do primeiro período e seja sujeito a esse teste e chumbe deve ser afastado do sistema, mesmo havendo a possibilidade de recuperar nos dois períodos seguintes? Pelos vistos a vossa bela intenção de "desconectar" (termo interessante utilizado pela ministra) a avaliação do castigo apenas veio misturá-los mais.
Agora àqueles que me lêem, não peço que façam uma ligação para o meu texto, pois não quero que pensem que quero "publicitar" aqui o estaminé. Peço apenas que se informem sobre o Estatuto, nomeadamente se forem pais, e escrevam nos vossos próprios blogues sobre a injustiça que está a ser feita aos alunos do ensino secundário.

Para consulta:
  • A Lei n.º 75/2008 que estabelece o novo modelo de gestão e administração das escolas.
  • a Lei n.º 3/2008 que estabelece as alterações ao antigo Estatuto do Aluno (prestar atenção especial aos artigos referentes às faltas e às medidas correctivas).
  • As declarações de Valter Lemos podem ser lidas aqui.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 08:25link do post | comentar
Assisto frequentemente ao programa da RTP "Corredor do Poder". Curiosa e paradoxalmente, considero-o francamente mau, se calhar até é por isso que o vejo tantas vezes. Os intervenientes são aquilo que não deveriam ser num debate político feito naqueles moldes: deputados e dirigentes dos partidos com assento parlamentar. Todo o debate é feito de uma forma desorganizada, com uma intervenção crítica crescente da moderadora (Sandra Sousa) que mostra várias vezes as suas próprias "tendências". Os comentadores, pasmem-se, são Nuno Melo do CDS, Marcos Perestrello do PS, Marco António Costa do PSD, Margarida Botelho do PCP e José Soeiro do BE - antes tínhamos a fantástica Ana Drago que saiu. Todo o discurso é de campanha, um autêntico mini-parlamento em que Marcos Perestrello finge ser José Sócrates e os restantes tratam de atacar, quais feras, todas as políticas do governo, que Marcos Perestrello defende com unhas e dentes. Pessoalmente, aponto como pior característica do programa a falta de liberdade de pensamento. Acredito que os comentadores, por estarem filiados nos respectivos partidos, possam concordar com algumas ideias das suas direcções, mas ver o Marcos Perestrello a defender como suas as ideias do governo, a invadir campos que não são os seus, como o da economia, dizendo as maiores barbaridades que se podem ouvir, de tão aberrante, chega a ser divertido. Independentemente daquilo que são as minhas inclinações políticas, tenho de afirmar que os melhores comentadores são o Nuno Melo, o Marco António Costa e era, agora já não está no programa, a Ana Drago. Eram três comentadores que, apesar de ligados aos partidos, defendiam ideias suas. Quando oiço um destes três não me lembro nem de Paulo Portas, nem de Manuela Ferreira Leite nem de Francisco Louçã. O mesmo já não acontece com Margarida Botelho cujo discurso é igual ao de Jerónimo de Sousa e de todos os comunistas que por um qualquer fenómeno da natureza nasceram com cérebros geneticamente iguais que lhes permitem pensar exactamente o mesmo em todas as questões (gostei particularmente da "opinião" de Margarida Botelho sobre a nacionalização do BPN - com todos os intervenientes do debate a aplaudir a medida, ela foi a única a considerá-la errada, quando lhe pediram uma alternativa, disse que "não era essa a questão", quando lhe perguntaram sobre os postos de trabalho e sobre as pequenas poupanças, disse que "não era essa a questão" e começou a dissertar longamente sobre nada). Temos ainda o pobre José Soeiro que é francamente desrespeitado, nomeadamente pelos senhores da direita (devem ter lido o texto do Pedro Arroja no Portugal Contemporâneo) e que ontem teve uma prestação fraca, avançando para a demagogia já característica do BE e avançando para acusações graves em relação às ligações do BPN ao PSD, dizendo a já frase feita de que o "BPN era o banco sombra do PSD". Ponto positivo para Marco António Costa que soube responder à altura.

05
Nov 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 21:15link do post | comentar | ver comentários (2)
Não vou aqui fazer um panegírico ao novo presidente dos EUA. Aplaudo o avanço tremendo da sociedade americana em não ter sentido pudor em ter um presidente negro. Quanto à actividade governativa e os benefícios para o mundo, espero para ver, apenas uma nota de receio para o ambicionado proteccionismo para a América que traria fortes problemas à economia mundial, nomeadamente à europeia. De qualquer modo, congratulations, you Won!

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