A máfia da blogosfera
18
Set 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 17:18link do post | comentar
Como qualquer mercado, o dos produtos petrolíferos tem de ser vigiado e regulado, ainda por cima sendo um mercado, por um lado, tão pouco concorrencial e, por outro, tão importante para actividade económica. Pode dizer-se que o que a Galp e a BP fazem altera completamente os destinos da economia nacional. Apesar disso, não vejo razão para um ministro, neste caso o da Economia, vir dizer que caso as gasolineiras não baixem o preço o governo vai intervir. O governo está apenas a colher a tempestade que semeou quando criou a Taxa Robin dos Bosques. É verdade que, por exemplo, um barril comprado em Abril e vendido ao preço de Junho traria um lucro inesperado para a gasolineira, mas, do mesmo modo, um barril comprado em Junho e vendido em Setembro traz um prejuízo inesperado que tem de ser pago a dobrar porque a empresa não conseguiu arrecadar os "lucros extraordinários" do período anterior. Funciona muito como um ciclo.
Acho perfeitamente aceitável que a autoridade da concorrência se dê ao trabalho de analisar como vão as coisas no mercado dos combustíveis, mas a intervenção do governo deve ficar-se por aí.

16
Set 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 15:46link do post | comentar
Anda a ser muito discutida a transferência de algumas competências do Ministério da Educação para as autarquias. Eu acho muito bem que isto avance. Uma gestão descentralizada é, regra geral, melhor que uma centralizada, pelo que legar algumas competências ao poder autárquico só pode trazer benefícios. Claro está que estas competências não podem ser exageradas, devendo resumir-se àquilo que as autarquias conseguem fazer, isto é, gestão das existências (giz, papel higiénico, e essas coisas) e gestão do pessoal não-docente. Numa fase mais avançada de descentralização, vejo as Direcções Regionais de Educação subdividirem-se para fazer entrevistas a todos e a cada um dos candidatos a um lugar como docente, tal como acontece em qualquer lado onde se pretenda bons resultados.

15
Set 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 21:52link do post | comentar | ver comentários (7)
Fala-se muitas vezes de Luciana Abreu com algum desprezo: por ter ganho fama com Floribella, que não é de todo um exemplo de boa televisão, por ter feito os implantes mamários, por ter sido capa da FHM (ou da Maxmen?). Mas, apesar de tudo, há uma coisa que penso ser consensual: o talento da rapariga. Eu atrevo-me a dizer, muito provalmente para choque de muitos que me lêem, que a Luciana Abreu é, actualmente, uma das melhores cantoras portuguesas. Seria para mim bastante agradável vê-la representar-nos no próximo Eurovisão da Canção. Deixo-vos aqui um pequeno clip dela a cantar uma música de Sara Tavares no seu programa infantil (não liguem à parte inicial, é apenas a parte em que ela finge ensinar qualquer coisinha aos miúdos).

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publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 13:06link do post | comentar | ver comentários (2)
Não sou de esquerda. Discordo quase sempre do Daniel Oliveira e do Pedro Sales. Mas adoro um bom debate e acho que é disso que vai haver no novo Arrastão. É uma pena que uma certa parte da blogosfera comece a falar disto como uma corrida ao armamento, como um reforço da esquerda e uma preparação para a guerra ideológica. Isto é um blogue, melhorado, com mais pessoas, mais bonito e é só. Expectativas lá em cima.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 10:23link do post | comentar | ver comentários (2)
O Lehman Brothers vai declarar falência. Era inevitável, perdeu cerca de 90% do seu valor em bolsa nos últimos meses e as únicas soluções seriam abrir falência, ser comprado por outro banco ou ser nacionalizado como o Freddie e a Fannie. Das três opções a falência parece-me ser a melhor. Apesar de não estar muito por dentro do sistema financeiro americano, as notícias e debates blogosféricos dos últimos tempos permitiram-me algumas luzes e a verdade é que tudo o que se está a passar no mercado americano deve-se à falta de mercado. Para muitos defensores do socialismo, o que se passa na América é a prova do fim do capitalismo e a prova de que o mercado não funciona, mas não é bem assim. O que se passa na América é tão-só a prova de que o mercado tem de ser regulado e muito bem policiado e de que, afinal, não havia assim tanto mercado nos EUA. Para quem não sabe, no mercado existe uma espécie de objectivo último que é a criação do "mercado de concorrência perfeita", que tem como características a homogeneidade (a comercialização de produtos indiferenciados), a atomicidade (todas as empresas terem a mesma dimensão), a transparência (toda a informação sobre o mercado estar ao dispor de qualquer um), a permeabilidade (a possibilidade de entrada de qualquer um no mercado) e a mobilidade (a possibilidade de se mudar de negócio facilmente).
Qualquer pessoa nesta fase poderá facilmente concluir que o sistema financeiro americano não era um mercado de concorrência perfeita, dado o facto de haver "gigantes", como o Lehman ou o Freddie. A existência de gigantes vem tornar uma missão quase impossível a entrada de novos investidores naquele mercado (nunca se questionaram porque é que em Portugal não aparecem bancos novos?), ou seja, deixa de haver atomicidade e permeabilidade.
Neste cenário, o melhor que pode acontecer ao mercado é um gigante abrir falência. Bem sei que trará o caos financeiro, mas o mercado regenera-se e ao faltar o Lehman, outros virão "fechar o buraco". Ou seja, a falência deste gigante vai permitir a criação de um mercado mais permeável e onde as empresas se aproximam na dimensão. Continuo a considerar a nacionalização do Freddie e da Fannie um erro, simplesmente porque aquilo se tratou de tranferir prejuízos privados para prejuízos públicos, obrigando-se os contribuintes americanos a pagar aquela falha do mercado. Pode ser que a partir de agora os americanos percebam que o mercado tem de ser vigiado e bastante para que da próxima a queda não seja assim tão grande.

Leitura adicional: Um Caminho sem Retorno

14
Set 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 22:09link do post | comentar | ver comentários (2)
O Afilhado vai passar a atribuir semanalmente um prémio muito honroso: o prémio de "blog catita". Pela blogosfera há já muitos blogues que atribuem prémios à qualidade dos textos, no entanto, ainda não vi nenhum blogue referir-se à estética, ponto que considero importantíssimo para ser leitor assíduo de um blogue. Apresentarei, então, todos os domingos o blogue vencedor.
Nesta primeira semana, o vencedor é um blogue que, para mim, é simplesmente perfeito, aliando uma aparência absolutamente fantástica a uma qualidade inquestionável: Corta-fitas.
Aqui está a estampa:

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 16:03link do post | comentar
Comprei a revista Sábado há pouco por causa de um artigo que me chamou a atenção: "Como os manuais escolares deturpam factos históricos". Quando li o artigo de cinco páginas não pude deixar de ficar francamente preocupado com aquilo que anda a ser ensinado nas escolas. Para dar alguns exemplos, alguns livros de História de 9º e 12º ano dizem explicitamente que o maccarthismo é comparável ao estalinismo, que os EUA regem-se pelo unilateralismo violento e criam cisões no mundo ocidental, que a Revolução Cultural chinesa teve poucos ou nenhuns mortos, que a globalização veio converter o mundo num "vasto casino, onde as mesas estão repartidas em todas as longitudes e latitudes", assumindo, portanto, as ideias de Maurice Allais; que Fidel Castro não queria o socialismo para Cuba, apenas seguiu esse caminho por causa do bloqueio americano e mais algumas pérolas daquilo a que se pode chamar impor as ideologias privadas dos autores dos livros aos indefesos estudantes que apenas aprendem o que se lhes ensina. Para desmascarar estas enormidades foram convidados pela Sábado alguns profissionais da coisa, entre os quais Maria Filomena Mónica e Luís Aguiar-Conraria que através dos comentários fizeram transparecer a incredulidade que sentiam no momento. É assim que o nosso ensino vai melhorando, autorizando-se livros com cargas ideológicas fortíssimas para serem adoptados nas escolas públicas.

*Título gentilmente cedido pelo JPP.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 15:48link do post | comentar
A única coisa que me irrita mais nos debates que a rotulação de pessoas como de "esquerda" e "direita" é a rotulação de "progressistas" e "conservadores". Isto acontece principalmente quando se fala do aborto. Um indivíduo que considere o aborto admissível é um indivíduo progressista, voltado para o século XXI, moderno como se dizia no meu tempo. Um indivíduo que se oponha ao aborto é retrógrado e conservador. Não consigo perceber isto. Aquilo que distingue os que defendem e os que não defendem o aborto são diferentes formas de encarar a ética. Um indivíduo que defenda o aborto considera que este é eticamente justificável e vice-versa. Eu, por exemplo, sou contra o aborto por não ver qualquer diferença entre fazer um aborto e matar um recém-nascido, sou, no entanto, liberal (ou, pelo menos, considero-me como tal). Isto tudo vem por causa do que se tem dito sobre Sarah Palin. A candidata republicana a vice-presidente é chamada ultra-conservadora em tom pejorativo por ser contra o aborto, pró-armas, contra o casamento entre homossexuais. Eu, pessoalmente, não gosto da senhora, no entanto, considero que tem total liberdade de ter estes posicionamentos que não são, em nada, errados, apenas diferentes daqueles que ocupam as mentes dos nossos queridos comentadores.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 10:00link do post | comentar
Saíram hoje os acessos ao ensino superior. Não há surpresas: todos os cursos cujo exame de admissão é matemática aumentaram a média exponencialmente. Tal como eu havia dito aqui. A lista de acessos para consultar aqui.

13
Set 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 10:37link do post | comentar
Li alguns textos sobre o 11.Setembro que gostei bastante, por isso, deixo-vos aqui:

Luís Aguiar-Conraria, no Destreza das Dúvidas

José Mário Silva, no Bibliotecário de Babel

Bernardo Pires de Lima, no Atlântico


12
Set 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 17:05link do post | comentar | ver comentários (1)
«"Em 2009 sem dúvida que sim", disse o governador do banco central português ao ser interrogado sobre se esperava uma diminuição futura do índice de preços na sequência da diminuição do crescimento económico na Europa. A Comissão Europeia reviu quarta-feira, em baixa, as previsões de crescimento económico para este ano, estimando agora 1,4 por cento na União Europeia e 1,3 por cento na Zona Euro. (...)»
Isto foi o que o Governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, disse em Nice no encontro informal entre ministros das finanças e governadores dos bancos centrais europeus. Veio acrescentar imenso àquilo que já todos sabemos.
O crescimento económico foi reduzidíssimo, quase inexistente, razão pela qual a pressão sobre os preços não vai aumentar. Por outro lado, as grandes fontes de inflação importada estão a perder importância, com os preços do petróleo e dos cereais a ficarem controlados. Por fim, na Zona Euro, aumentaram-se as taxas de juro de uma forma estúpida nos últimos tempos. Receita perfeita para haver uma inflação mínima no próximo ano. E uma arma propagandística tremenda para o PS.
O pior é se saem as contas furadas e se instala uma crise financeira a sério por causa das brincadeiras americanas, ontem foi mais um.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 09:04link do post | comentar | ver comentários (3)
O Portugal Contemporâneo é um blogue que me suscita muitos acenos de cabeça. Escrito por conservadores libertários vem, não raras vezes, de encontro ao que penso. No entanto, dois textos dos últimos dias fizeram-me discordar, ao ponto de escrever este post.
Dia 11, ontem, o Rui Albuquerque escreve que a laicização do ensino trouxe um vazio educacional ao nível dos valores que muitas vezes os pais não conseguem preencher devido às circunstâncias da vida: emprego, incompatibilidade de horários, etc. Por isto, propõe um ensino com formação religiosa para que as crianças saibam distinguir o bem do mal, o certo do errado, o justo do injusto. Discordo totalmente. Em primeiro lugar, os pais têm o direito de escolher se os filhos podem ou não ter formação religiosa. Por exemplo, porque é que uma família muçulmana a viver em Portugal tem de ver o seu filho educado para o catolicismo? Não faz sentido. Tem tudo que partir da vontade da família. E existe espaço para que se faça a vontade: inúmeras igrejas têm a chamada catequese que dá uma formação religiosa aos jovens rebentos, por outro lado, mesmo na escola, existe a possibilidade de ter aulas de Educação Moral (exactamente a expressão que o Rui escreveu). Percorremos um longo caminho para a realidade actual, em que o estado não nos impõe a nossa religião. Curiosamente este texto até vai contra um que o próprio Rui escreveu há uns tempos, "o caminho da servidão", em que condenava a constante intromissão do estado nos assuntos privados dos cidadãos. Há algo mais privado que a ética e a religião?
Hoje, o Joaquim, muito na linha do que o Rui escreveu ontem, disse concordar com Sarah Palin quando esta defende o ensino do criacionismo nas escolas públicas. Disse que tinha mudado de opinião, que anteriormente não defendia tal coisa. O errado no ensino do criacionismo nas escolas públicas está exactamente no facto de ser uma crença religiosa e não uma teoria científica. A teoria evolucionista e da criação do Universo é supra-religiosa, não se relaciona com fé, por isso pode ser aprendida por todas as pessoas. Já a teoria criacionista faz parte da fé cristã e ensiná-la iria contra a vontade de muitas famílias americanas certamente. Questões que o Joaquim enunciou, como: "porquê o mundo?" e "porquê não o nada?", são perguntas para se formular em aulas de Filosofia (acho que na América há disso) e às quais não se deve dar uma resposta como verdade absoluta.
Ensinar os jovens com base em fundamentos religiosos iria só alimentar fanatismos, fechar mentes, e levar-nos de novo para uma Idade Média, onde o progresso e ciência ficariam completamente apagados. É bom que se pense nas consequências de coisas tão simples como o ensino religioso nas escolas públicas.

11
Set 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 16:48link do post | comentar
Morreram mais de três mil pessoas em Nova Iorque faz agora precisamente sete anos. O culpado ainda não foi condenado pelo crime que cometeu.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 11:46link do post | comentar | ver comentários (2)
Tudo indicava que esta guerra separatista que já dura há mais de quinze anos ia apenas significar uma mudança de nacionalidade e não a criação de uma nacionalidade. Mas afinal, parece que não. O "presidente" osseta disse que não quer fazer parte da Federação Russa, diz que entenderam mal estas palavras:

“Sim, sem nenhuma dúvida, faremos parte da Rússia e não temos a intenção de criar uma qualquer Ossétia independente, porque a História assim determinou as coisas, os nossos antepassados fizeram a escolha”

A língua é mesmo matreira, eu jurava a pés juntos que isto quer dizer que ele quer integrar a Ossétia do Sul na Rússia, deve ter sido só impressão minha. Enquanto se continua nestes fait-divers a tensão internacional continua. Vamos ver no que vai dar...

10
Set 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 19:27link do post | comentar | ver comentários (2)
Relembro um texto que escrevi aqui dia 28.07.08, Um caminho sem Retorno:
«A verdade é que todos os países, mais ou menos liberais, estão demasiado colados à imagem de um estado protector que auxilia em situações de aperto. Esse estado não pode defraudar as espectativas dos amados eleitores e trata de fazer o que se lhe pede. O problema é que tudo isto entra numa tremenda espiral e colocam-se, portanto, sérios problemas.(...)»

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 19:08link do post | comentar | ver comentários (2)
Na nossa política nacional temos muita falta de escolha, desculpem que diga. Todos os partidos do Parlamento são de esquerda (e não me venham cá com conversas porque a única coisa que faz do CDS um partido de direita é a parte do Catolicismo). Não temos um partido verdadeiramente comunista, que defenda abertamente que é ao estado que compete dirigir toda a economia. Não temos um partido liberal, um único, que defenda abertamente o fim do estado social português. Temos uma alternância de partidos social-democratas que ao fazerem um Bloco Central estariam apenas a formalizar aquilo que já existe de forma informal. Concordo plenamente com o Joaquim do Portugal Contemporâneo e subscrevo a teoria do Síndrome do Canadá. Estamos numa falsa democracia, pois não há escolha, logo vivemos sob uma ditadura social-democrata implícita e instituída na mentalidade e cultura nacional. Era bom que tivéssemos uma verdadeira direita, que não tivesse medo dos fantasmas do passado. Pedro Passos Coelho, vai-te a eles!

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 18:21link do post | comentar
Não tenho escrito aqui sobre as eleições americanas porque não tenho estado muito atento aos discursos e às ideias. Mas com o que tenho lido na blogosfera e imprensa, já posso ter algumas ideias. Nesta eleição para o presidente dos EUA não se vai eleger o melhor, vai eleger-se o menos mau.
Barack Obama, esse fenómeno mediático, popular entre os berlinenses, é um messias para a social-democracia europeia: quer aumentar o peso do estado, aumentar o sistema de saúde, aumentar os impostos, aumentar o sistema educativo, aumentar a distribuição de riqueza (tirando boa parte dos rendimentos à classe média, diga-se). Quer simplesmente criar um paraíso europeu no Novo Mundo, coisa que não acredito que vá resultar: a América é mãe e filha do Liberalismo, só sabe existir assim. Aumentar o peso do estado naquela terra poderá trazer sérios problemas.
John McCain, por seu lado, é um americano às direitas: católico, defensor de um estado pequeno e da missão americana para libertar o mundo dos ditadores. Eu até era capaz de acreditar em John McCain se estivesse sozinho ou com uma outra pessoa, no entanto, escolheu Sarah Palin: uma religiosa fanática, que diz que a guerra do Iraque é uma guerra santa, que defende a aprendizagem da "teoria" criacionista nas escolas públicas e outras tantas coisas. Para além disto é pró-armas e cheia de ideias beligerantes, o que vai muito de encontro àqueles líderes islâmicos que tanto criticamos.
No meio disto tudo, vejo-me obrigado a apoiar Obama (sei que ele agradece). Antes uma América europeia durante quatro anos que um mundo destruído em quatro anos.

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 10:41link do post | comentar
O suposto aeroporto da Ota foi um El Dorado para os especuladores. Qualquer pessoa que tivesse um punhado de terra naquela terra ganhou dinheiro sem fim. Com a mudança de planos, aqueles que compraram os terrenos a preços exurbitantes viram a vida a andar para trás: sem aeroporto aqueles terrenos valem muito pouco ou nada. É a especulação: uns ganham outros perdem. Mas não, o nosso governo não deixa, para o nosso governo todos têm de ganhar, por isso toca de gastar dois mil milhões de euros (sim, leram bem) em projectos para "compensar" o pessoal do Oeste e Lezíria do Tejo. Tudo para que os especuladores não percam o dinheiro que investiram. É engraçado que o mesmo governo impõe impostos sobre os "lucros extraordinários" da Galp. Há especulações e especulações...

09
Set 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 11:57link do post | comentar
No "guia do visitante" da Festa do Avante! vinham duas caixas de publicidade: uma dos SMAS de Almada, outra da ECALMA, a empresa de estacionamentos de Almada. Ambas empresas camarárias detentoras de monopólio que torna a publicidade ridícula. A Presidente da Câmara é Maria Emília de Sousa, do PCP. Financiamento mascarado...?

publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 10:15link do post | comentar | ver comentários (2)
A Ministra da Educação, a excelente Maria de Lurdes Rodrigues, prefez um outro milagre. Depois de termos tido os melhores resultados desde não sei quando nos exames de matemática, ficamos a saber que as taxas de retenção foram as mais baixas da última década.
Isto é desastroso. Não a baixa de retenções, que analisada superficialmente é excelente. O problema é que tudo assenta num tremendo facilitismo. Os alunos não trabalham para saber, trabalham para passar. Está já instituído. O que acontece depois é que temos gente nas universidades a não saber escrever um texto ou fazer uma conta. Universitários esses que depois entram para o mercado de trabalho e pela falta de aptência para trabalhar acabam por ir ou para a função pública ou para o centro de desemprego. Mas o mal não é só dos ministros. O mal é de toda a sociedade que só consegue avaliar uma govenação através das famigeradas estatísticas. Crescemos 0.2%? O governo não presta. Os alunos chumbam? Demita-se a ministra. E por isto ficamos. As legislaturas são corridas à estatística e ao charme, às capas maravilhosas que, como todas as outras, não permitem avaliar o livro. Os males da educação não se resolvem com melhorar as estatísticas, resolvem-se, como já disse aqui, com uma mudança de mentalidades para que a educação seja encarada como essencial e não como um atelier de tempos livres.

Adenda: O Mário Nogueira concorda comigo.

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