A máfia da blogosfera
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Dez 08
publicado por Tiago Moreira Ramalho, às 11:59link do post | comentar
O engenheiro Belmiro de Azevedo disse umas coisinhas, umas chamadas "coisinhas boas", ontem numa conferência. Disse coisas com as quais concordo, disse outras que considero perfeitos disparates.
Sobre as obras públicas, não podia estar mais de acordo com o industrial do Norte. E esta menção à região onde opera não é inocente: é que um presidente de uma empresa do Norte é contra o TGV, coisa rara. Ironizou ainda dizendo que “oferecia os direitos de passagem aos espanhóis e eles faziam o TGV em Portugal” - o que nem era mal pensado se nós fôssemos um bocadinho mais espertos e eles um bocadinho mais burros. Concordo ainda com o que ele diz quando a alguns sectores-chave nos quais seria importante o apoio do estado, mais importante do que a febre das obras públicas - e que se calhar não nos deixariam ficar mal em relação ao emprego e riqueza criados - como o turismo, a pesca ou a agricultura.
Mas o senhor tinha de estragar tudo com a história do overbanking - custa muito dizer "bancos em demasia" a quem considera o tempo dinheiro. Não existe excesso de bancos nenhum, muito pelo contrário, há demasiado poucos. E isto é facilmente observável quando olhamos para um BPN, que no contexto nacional é de reduzidíssima dimensão, que ao falir deixa todo um país em alvoroço. Imaginemos o que seria se o BCP ou o BES de repente falissem! Estes problemas de falências de bancos não teriam o impacto que têm se a) não estivessem ligados a grupos financeiros e não os puxassem para baixo cada vez que espirram e b) se fossem de reduzida dimensão e em grande número: um mercado bancário atómico. A ideia que se dois ou três bancos falissem ninguém ia dar por isso é profundamente errada e espero bem que lá por o senhor ser engenheiro, não tomem os seus conselhos sobre macroeconomia verdades absolutas.

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